terça-feira, 22 de setembro de 2026

 

SONETOS DO SOL E DA LUA

 

Por Joaquim A. Rocha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Edição de autor

 

 

 


 

FICHA TÉCNICA


 

Título – Sonetos do Sol e da Lua

 

Autor – Joaquim A. Rocha

 

Capa – Pintura em azulejo, de Rana

 

Execução Gráfica –

 

Tiragem –

 

Depósito legal –

 

ISBN –

 

Data de edição –

 

Correio Eletrónico – joaquim.a.rocha@sapo.pt

 

Blogue: Melgaço, Minha Terra

 


Obras do autor

  

Obras a publicar

 

Poemas do Vento

Quadras ao deus dará

Escritos Sobre Melgaço

Entre Mortos e Feridos (romance)

Lembranças Amargas (romance)

Gentes do Concelho de Melgaço (biografias)

Dicionário Enciclopédico de Melgaço

A Minha Vida em Imagens

A minha religião e outros escritos

Auto da Palina

Frágeis Elos (2.ª edição)

Melgaço: Padres, Monges e Frades

Investigadores e Escritores Melgacenses

Sob o Signo do Azar

Ferreira da Silva

 

Obras publicadas

 

Livros

 

Frágeis Elos (uma história familiar)

Dicionário Enciclopédico de Melgaço (I e II)

Lina – Filha de Pã (romance)

Os Meus Sonetos e os do frade

Os Novos Lusíadas (2018)

Melgacenses na I Grande Guerra (…)

(em parceria com Valter Alves)

 

Separatas

 

A Origem de Algumas Famílias Melgacenses

A Febre Tifoide e os seus Protagonistas

Tomás das Quingostas (200 anos do seu nascimento)

A Provável Origem de Melgaço e Paderne

 

Prefácios nos livros de José A. Cerdeira e de ACE:

 

Tomaz das Quingostas

O Buraco da Serpe

A Adversidade por Madrasta

O Sonhador dos Montes da Aguieira

Nas Páginas do Notícias de Melgaço

 

Colaborações

 

No Boletim dos Serviços Sociais da CGD

No Boletim Cultural da Câmara Municipal de Melgaço

No jornal A Voz de Melgaço

No jornal Fronteira Notícias

Artigo sobre o santuário da Peneda no livro Lugares Sagrados

 de Portugal I, editado pelo Círculo de Leitores em 2016.

 

 

 

PREFÁCIO

 

     Este é o meu segundo livro de sonetos. Quando escrevi o primeiro jamais me passou pela cabeça que seria capaz de escrever o segundo! É óbvio que uns sonetos são mais conseguidos do que outros, são mais profundos, mas apesar disso de todos eles eu gosto. Os leitores terão as suas preferências, farão as suas críticas, positivas e negativas, vão certamente compará-los com os sonetos dos grandes poetas, mas isso é a tendência geral dos humanos. Todas as obras, sejam na pintura, escultura, na literatura, etc., terão os seus defeitos; esta não será com certeza a exceção. Procurei fazer o melhor que sabia, não me exijam mais.  

     A poesia não é uma arte fácil, pois – tal como outras - exige saber, o qual só se pode conseguir através de muita dedicação e esforço. Alguns indivíduos terão veia poética, mas falta-lhes a técnica e a arte. Há obras publicadas em verso que se podem considerar prosa delirante versificada: não têm rima, não têm métrica, não têm arte, têm apenas palavras! Chamam-lhe poesia, da mesma maneira que os bracarenses chamam abrunhos aos fatões, não são, como é óbvio, fruta da mesma espécie, mas confundem-na, talvez por terem uma cor semelhante, pois a forma é bem distinta. 

     Poder-se-á afirmar, sem errar muito, que a maior parte dos humanos não aprecia a poesia. E porquê? Será que não a compreende? Quanto a mim, a razão desse afastamento deve-se à preguiça mental. Ler um poema como deve ser lido, com profundidade, obriga a esforço e concentração; depois vem o prazer, o deleite.       

 

SONETOS DO SOL E DA LUA

 

  

AUSÊNCIA

(116)

 

 

Quando me dirijo a ti, titubeio,

Não sei se ficarás triste ou alegre,

Se entrarás no meu sombrio casebre,

Fundida no sonho em que me enleio.

 

Sei bem que não sou bonito nem feio,

Nem consigo que outrem a mim se agregue;

Nem monge que somente a mim pregue,

Ou alma que colha o que eu semeio.

 

Sou corpo que se arrasta em lodaçais,

Semente que jamais germinará;

Terreno impróprio para semear.

 

Nasci só para te ver, nada mais…

Ares, minhas entranhas queimará

No fogo que se ateia no teu olhar.

   

 

PERDIDO

(117)

 

 

 

Como Ulisses, deambulo por aí,

Por mares, por terras desconhecidas,

Vejo bruxas, deuses, almas perdidas,

Somente não te vislumbro a ti.

 

Admirei um pequeno colibri

Na ilha de pedras enegrecidas;

Vi feras, amazonas escondidas,

E tu não estavas lá… não te vi!

 

Calipso quis tornar-me seu amante

Mas eu fugi, só para te encontrar;

Andei assim, pelo mundo, errante…

 

Exausto de tanto te imaginar.

Cada dia estás de mim mais distante,

Embora eu continue a caminhar!

  

  

A MANTA

(118)

  

O pobre velho, amparado pelo filho,

Caminhava rumo à feroz montanha;

Com passo de formiga, velha aranha,

Percorre, com temor, o gasto trilho.

 

Nos seus olhos bailava estranho brilho,

Seu peito ardia em incontida sanha;

E, de repente, os dentes arreganha,

Com violência destrói o espartilho.

 

Vira-se para quem a vida dera,

Como numa salomónica sentença:

- «Toma isto, vais um dia precisar.

 

Também acabará a primavera

Pra ti e para os teus.» E sem detença

A manta em duas partes vai rasgar.

 

 

     Este soneto tem por base uma lenda. Dizia-se que antigamente, num certo país, os filhos levavam os pais velhos para a montanha para ali morrerem. Ficavam embrulhados numa manta, a fim de suportarem o frio durante alguns dias. Este idoso deu ao filho metade da manta, pois receava que quando chegasse a vez de ele subir à montanha não houvesse nenhuma para o aquecer nos derradeiros momentos da sua vida.

 

  

VENCIDO

(119)

  

Não busquei fortuna, nenhum prazer,

Quando deixei a terra em que nasci.

Quantas saudades aí a me prender,

Porém, cobarde e néscio, eu parti.

 

Alimentando sonhos, fui correr

Os mil lugares que a outrem sorri.

Sedento de vida, quis sorver

O néctar que na visão antevi.  

 

Depois de sofrimentos inauditos

Só trago no saco o pão dos pobres,

E no peito a mágoa dos proscritos.

 

Terra minha! Acolhe-me em teus seios…

No bolso só tenho uns míseros cobres;

E na alma corre um rio de receios!

 

 

 

 

 

 

 

 

 continua...

 

 

 

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