SONETOS DO SOL E DA
LUA
Por Joaquim A.
Rocha
Edição de autor
FICHA TÉCNICA
Título – Sonetos do Sol e da Lua
Autor – Joaquim A. Rocha
Capa – Pintura em azulejo, de Rana
Execução Gráfica –
Tiragem –
Depósito legal –
ISBN –
Data de edição –
Correio Eletrónico – joaquim.a.rocha@sapo.pt
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No
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Artigo
sobre o santuário da Peneda no livro Lugares Sagrados
de Portugal I, editado pelo Círculo de
Leitores em 2016.
PREFÁCIO
Este é o meu segundo livro de sonetos. Quando escrevi o
primeiro jamais me passou pela cabeça que seria capaz de escrever o segundo! É
óbvio que uns sonetos são mais conseguidos do que outros, são mais profundos,
mas apesar disso de todos eles eu gosto. Os leitores terão as suas
preferências, farão as suas críticas, positivas e negativas, vão certamente
compará-los com os sonetos dos grandes poetas, mas isso é a tendência geral dos
humanos. Todas as obras, sejam na pintura, escultura, na literatura, etc.,
terão os seus defeitos; esta não será com certeza a exceção. Procurei fazer o
melhor que sabia, não me exijam mais.
A poesia não é uma arte fácil, pois – tal
como outras - exige saber, o qual só se pode conseguir através de muita
dedicação e esforço. Alguns indivíduos terão veia poética, mas falta-lhes a
técnica e a arte. Há obras publicadas em verso que se podem considerar prosa delirante
versificada: não têm rima, não têm métrica, não têm arte, têm apenas palavras! Chamam-lhe
poesia, da mesma maneira que os bracarenses chamam abrunhos aos fatões, não
são, como é óbvio, fruta da mesma espécie, mas confundem-na, talvez por terem
uma cor semelhante, pois a forma é bem distinta.
Poder-se-á afirmar, sem errar muito, que a
maior parte dos humanos não aprecia a poesia. E porquê? Será que não a
compreende? Quanto a mim, a razão desse afastamento deve-se à preguiça mental.
Ler um poema como deve ser lido, com profundidade, obriga a esforço e
concentração; depois vem o prazer, o deleite.
SONETOS DO SOL E DA LUA
AUSÊNCIA
(116)
Quando me dirijo a ti, titubeio,
Não sei se ficarás triste ou alegre,
Se entrarás no meu sombrio casebre,
Fundida no sonho em que me enleio.
Sei bem que não sou bonito nem feio,
Nem consigo que outrem a mim se agregue;
Nem monge que somente a mim pregue,
Ou alma que colha o que eu semeio.
Sou corpo que se arrasta em lodaçais,
Semente que jamais germinará;
Terreno impróprio para semear.
Nasci só para te ver, nada mais…
Ares, minhas entranhas queimará
No fogo que se ateia no teu olhar.
PERDIDO
(117)
Como
Ulisses, deambulo por aí,
Por
mares, por terras desconhecidas,
Vejo
bruxas, deuses, almas perdidas,
Somente
não te vislumbro a ti.
Admirei
um pequeno colibri
Na
ilha de pedras enegrecidas;
Vi
feras, amazonas escondidas,
E
tu não estavas lá… não te vi!
Calipso
quis tornar-me seu amante
Mas
eu fugi, só para te encontrar;
Andei
assim, pelo mundo, errante…
Exausto
de tanto te imaginar.
Cada
dia estás de mim mais distante,
Embora
eu continue a caminhar!
A MANTA
(118)
O
pobre velho, amparado pelo filho,
Caminhava
rumo à feroz montanha;
Com
passo de formiga, velha aranha,
Percorre,
com temor, o gasto trilho.
Nos
seus olhos bailava estranho brilho,
Seu
peito ardia em incontida sanha;
E,
de repente, os dentes arreganha,
Com
violência destrói o espartilho.
Vira-se
para quem a vida dera,
Como
numa salomónica sentença:
-
«Toma isto, vais um dia precisar.
Também acabará a primavera
Pra ti e para os teus.» E sem detença
A
manta em duas partes vai rasgar.
Este soneto tem
por base uma lenda. Dizia-se que antigamente, num certo país, os filhos levavam
os pais velhos para a montanha para ali morrerem. Ficavam embrulhados numa
manta, a fim de suportarem o frio durante alguns dias. Este idoso deu ao
filho metade da manta, pois receava que quando chegasse a vez de ele subir à
montanha não houvesse nenhuma para o aquecer nos derradeiros momentos da sua
vida.
VENCIDO
(119)
Não
busquei fortuna, nenhum prazer,
Quando
deixei a terra em que nasci.
Quantas
saudades aí a me prender,
Porém,
cobarde e néscio, eu parti.
Alimentando
sonhos, fui correr
Os
mil lugares que a outrem sorri.
Sedento
de vida, quis sorver
O
néctar que na visão antevi.
Depois
de sofrimentos inauditos
Só
trago no saco o pão dos pobres,
E
no peito a mágoa dos proscritos.
Terra
minha! Acolhe-me em teus seios…
No
bolso só tenho uns míseros cobres;
E
na alma corre um rio de receios!
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