ESCRITORES E INVESTIGADORES MELGACENSES (e afins)
Por Joaquim A. Rocha
(continuação).
- António de Santa Maria dos Anjos Melgaço (Frei). Nasceu no concelho de Melgaço a 17 de junho de 1718. Foi frade franciscano. Professou no Convento de São Francisco de Lisboa a 22 de janeiro de 1731. Fez os estudos de Filosofia e Teologia no Colégio de São Boaventura da Feira, em Coimbra, entre 1731 e 1737. Foi professor nos Estudos de Mafra (fundados por D. João V) nos anos de 1737 a 1752. Devia ser uma pessoa deveras inteligente e curiosa, pois o próprio rei o incita a prosseguir os estudos. Segue os conselhos do monarca, e em 1743 adquire um doutoramento em Teologia na Universidade de Coimbra, talvez o primeiro melgacense a conseguir tal feito. Como escritor, deixou várias obras, todas elas redigidas em latim. Uma delas tem por título «SCOTUS ACADEMICUS, seu Philosophia Peripatetica ad commodiorem regalis Academiae Mafrensis usum, juxta mentem venerabilis, subtilisque Magistri Joannis Duns Scoti.» (Tomo I, Lisboa, 1747). Por ter sido eleito provincial «da sua província», em 1751, viu-se obrigado a suspender por algum tempo a continuação da obra. O segundo volume estava em impressão apenas no ano de 1755, o qual se queimou aquando do grande terramoto. No Convento de São Francisco arderam também, nessa altura, outros escritos da sua autoria, que tinha prontos para publicação. Em 1759 publicou, completamente revisto, o tomo II do «SCOTUS ARISTOTELICUS». Os dois volumes debruçam-se sobre a «logica parva», ou seja, pequena lógica, e a «logica magna», que significa grande lógica, «e interessam para o conhecimento do movimento de ideias em Portugal no século XVIII e dos estudos na escola de Mafra». Faleceu em Vila do Conde a 14 de Agosto de 1780, com 62 anos de idade. // Quem desejar consultar a bibliografia pode fazê-lo em {Frei António do Sacramento, História Seráfica, sexta parte, manuscrito 703, da Torre do Tombo. / Memória da forma com que Dom João o Quinto mandou para Mafra religiosos para Lentes de Faculdade, manuscrito 801, folhas 682 e seguintes, do arquivo da casa Cadaval (Muge). / A. A. Andrade, A Orientação do Estudo da Filosofia dos Franciscanos, in Brotéria 43 (1946), páginas 43 a 45.} // (Verbo – Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, páginas 648 e 649).
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- Jerónimo José Andrade. Filho do Dr. Francisco Daniel Nogueira, médico do exército, e de
Mariana Josefa Veloso de Campos de Andrade. Nasceu em Melgaço em 1750. // No
Dicionário Histórico, Biográfico, etc., na página 511 lê-se: «escritor que se conhece somente pela sua
obra, intitulada “Descrição do estado em que ficaram os negócios da capitania
de Moçambique nos fins de novembro de 1789, com algumas observações e reflexões
sobre as causas da decadência do comércio, e dos estabelecimentos portugueses
na costa oriental da África”. Escrita no ano de 1790. Saiu no Investigador
Portuguez, no ano de 1815, começando no n.º XLVI, e continuada nos seguintes
até ao LIV, em que terminou.» // Na Wikipédia acrescentam-se mais alguns
dados. Diz-se aí que tinha sido militar, e secretário do governo de Moçambique
de 1783 a 1784; com a patente de brigadeiro, foi comandante das armas de Pará,
Brasil, a 5/3/1803. Também fora nomeado governador da capitania de Santa
Catarina, mas não assumiu o cargo. // Escreveu o general A. E. Mateus da Silva:
{Em 1796, e então sargento maior do regimento de artilharia da marinha, JJNA
foi autor do «Projecto de huma nova arma
Portuguesa». Este manuscrito encontra-se na Biblioteca Nacional,
carateriza-se por uma grande minuciosidade, e nele o seu autor descreve a
construção de uma arma balística que designou “foguete incendiário”.}
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- Aníbal Bernardo Rodrigues Passos (Padre). Filho do Dr. Francisco Luís Rodrigues Passos, médico-cirúrgico, natural de Paços, Melgaço, e de Ludovina Rosa Monteiro de Vasconcelos Mourão, natural de Viana do Castelo, moradores na Vila de Melgaço. Neto paterno de Bento Isidoro Rodrigues e de Rosa Maria Salgado, de Paços; neto materno de Vitorino Monteiro Vasconcelos Mourão, de Vila Real, e de Albina Clara de Abreu Cunha Araújo, de Melgaço. Nasceu na Rua da Calçada, Vila de Melgaço, às sete horas da manhã de 23 de Dezembro de 1866 e foi batizado a 14/1/1867. Padrinhos: a sua avó materna e o padre Bernardo António Rodrigues Passos, seu tio paterno, pároco colado da freguesia de Arnoso, Famalicão, representado por seu procurador, Gaspar Eduardo Lopes da Fonseca, contador do Juízo de Direito. // Ordenou-se em 1890, ficando adido à corte do bispo de Meliapor como secretário particular até 1892, ano em que cantou missa nova. // Foi redator de “O Melgacense”, propriedade de José Cândido Gomes de Abreu; de “O Século”; e de “A Pátria”. // Colaborou nos jornais: “Jornal de Notícias”; “Jornal de Viagens”; “Zé Povinho”; “Revistas das Escolas”, etc. // Como escritor sobressai a sua “Tragédia de Lisboa – A Política Portuguesa”, obra com 322 páginas, escrita logo após o regicídio de 1/2/1908 (Jornal de Melgaço n.º 733). Cada brochura custava 600 réis (se fosse pelo correio 630 réis); encadernado, em capas especiais, vendia-se a 800 réis (pelo correio 850 réis). // Era também um distinto orador sagrado, sendo notável o sermão “A Cruz”, por ele composto e pregado em Matosinhos a 7/5/1899. // Reconhecendo o seu mérito, nomearam-no sócio ordinário da Sociedade de Geografia de Lisboa. // Em 1915 era diretor do Colégio da Beira Mar, em Leça de Palmeira, Matosinhos. // No governo de Sidónio Pais foi chefe de gabinete ministerial do Dr. Alfredo de Magalhães. // Parece que foi professor na Universidade de Lisboa. // Morreu no Campo Grande, Lisboa, a 8/1/1934; os seus restos mortais jazem no cemitério do Lumiar (Notícias de Melgaço n.º 219, de 14/1/1934). // Nota: consta que o padre Aníbal Bernardo teve, já sacerdote, uma aventura amorosa com uma jovem, talvez Afra de Castro Louzada, solteira, nascida na freguesia do Bomfim, Porto, por volta de 1873, surgindo dessa paixão um menino, a quem deram o nome de António Aníbal (Toi), o qual usou o apelido Rodrigues Passos; o moço estudou engenharia, concluindo o Curso. O Eng.º António Aníbal Rodrigues Passos (Toi) finou-se em Luanda, Angola, em 1975 (salvo erro), com cerca de 70 anos de idade. Fora criado por uma irmã do progenitor, talvez a Ludovina Augusta. Era anti-salazarista, tendo sido perseguido pelo regime corporativista. Trabalhou em Goa, Moçambique, em São Tomé e Príncipe, e finalmente em Angola, onde morreu solteiro. Era amante da leitura, deixando por sua morte uma riquíssima biblioteca. // (Estas valiosas informações foram-me fornecidas por João Carlos Magno de Castro, nascido na Vila de Melgaço em 1945, da Casa de Galvão, que conviveu com o dito engenheiro em Angola).
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- Augusto César Esteves (Dr.) Filho de Francisco António Esteves, emigrante no Brasil e
proprietário, natural de Chaviães, e de Belarmina Cândida Esteves,
proprietária, natural da Vila. Neto paterno de Diogo Manuel Esteves e de Maria
Rita Esteves, lavradores, chavianenses; neto materno de Manuel José Esteves
“Melgaço” e de Maria Rita Alves, proprietários, moradores em Eiró, Rouças.
Nasceu na Rua Nova de Melo, SMP, a 19/9/1889, na casa que seu pai comprara ao
Dr. João Luís de Sousa Palhares, de Prado, e foi batizado a 3 de outubro desse
ano. Padrinhos: José de Jesus Esteves, solteiro, proprietário, morador em SMP,
e a avó materna do batizando, viúva. // Ficou órfão de mãe a 17/10/1889. //
Aprendeu as primeiras letras com o padre João Nepomuceno Vaz, teve como
professor de caligrafia o escrivão de Direito, Miguel Ângelo Barros Ferreira,
frequentou em seguida, na cidade de Braga, o Colégio do Espírito Santo, e
depois a Universidade em Coimbra. // Foi padrinho de Zoé Augusta Rodrigues,
batizada na igreja de Rouças a 14/2/1898; não assinou, por não saber! A
madrinha era a sua madrasta. // A 30/8/1904 foi padrinho de Manuel Augusto
Esteves, nascido na Fonte da Vila a 28 de julho desse ano. // A 18/6/1912 fez
direito internacional, 5.º ano, 19.ª cadeira; nesse mesmo ano fez exame da 18.ª
cadeira, 5.º ano, medicina legal, obtendo 14 valores; em julho desse ano fez a
13.ª cadeira, direito colonial, 4.º ano, 14.ª cadeira, processo penal, 4.º ano,
e 17.ª cadeira, prática extra-judicial, 5.º ano; nesse dito ano de 1912, no mês
de Julho, concluiu o curso de Ciências Jurídicas, na já citada Universidade de
Coimbra. // Nos primeiros dias de dezembro participou como ator não
profissional, juntamente com o Dr. António Augusto Durães e Maker Pinto, na
comédia designada “Anedota” (Correio de Melgaço
n.º 27, de 8/12/1912). // Foi nomeado notário interino para
a comarca de Monção, tomando posse perante o tribunal desse concelho a
10/12/1912, terça-feira; em 1914 passou a ser efetivo (Correio de Melgaço n.º 88, de 22/2/1914); ocupou esse cargo até 19/8/1915. // Ainda em 1912 foi autorizado
superiormente a exercer a advocacia (Correio
de Melgaço n.º 29, de 22/12/1912). //
Fez a sua estreia como advogado no tribunal de Monção, defendendo Manuel Alves
(o Fará),
acusado de crimes de burla e roubo (Correio
de Melgaço n.º 47, de 27/4/1913). // No concurso
para notários, realizado em Lisboa nos inícios de 1914, obteve a classificação
de 1 MB e 4 BB (Correio de Melgaço n.º 85, de 1/2/1914). // Tomou posse a uma segunda-feira, 2/3/1914, perante o
juiz de direito, de notário efetivo em Monção (Correio
de Melgaço n.º 90, de 8/3/1914). // Casou a
25/10/1914, na Conservatória do Registo Civil, e a 16 de Dezembro desse ano na
igreja católica, com Esmeralda da Ascensão, de 24 anos de idade, filha de
Justiniano António Esteves e de Lina Rosa Lourenço. Testemunhas: Justiniano
António Esteves e Maria de Nazaré dos Santos Lima. // Em 1915 pediu a
exoneração de notário na comarca de Monção, aceitando ser nomeado escrivão de
Direito para a comarca de Melgaço. Fez as malas e veio para a terra natal, onde
foi Secretário do Tribunal Judicial e Ajudante do Conservador do Registo Predial.
// A 3/3/1919 tomou posse como presidente da Comissão Camarária, composta por
sete elementos, desempenhando esse cargo até agosto desse ano. // A 4/8/1919 o
seu moinho, denominado o “Grande”, foi pasto de chamas; desconfiava-se que
foram mãos criminosas a incendiá-lo (JM 1258,
de 17/8/1919). Em 1920 deu-se ali uma tentativa de
assalto (JM1293, de 20/6/1920). // Foi presidente da Assembleia Geral do Grémio da
Lavoura e administrador do concelho de Melgaço nos anos de 1922 e 1923. // A
11/1/1928 desempenhava as funções de tesoureiro da Santa Casa da Misericórdia
de Melgaço, ascendendo à provedoria a 27/12/1942, lugar que deixou em 1945. //
A 30/4/1936 tomou posse do lugar de chefe da Secretaria Judicial do Tribunal de
Melgaço, aposentando-se na 1.ª classe em maio de 1958; antes exercera o cargo
de chefe da 2.ª Secção do mesmo tribunal. // Pode, e deve ser, considerado o
principal fundador dos Bombeiros Voluntários de Melgaço, de cuja direção foi
presidente durante vários anos. Em 1937, em reunião da Assembleia Geral, foi
aprovada por unanimidade uma proposta do corpo ativo, elegendo-o seu comandante
honorário «pelos relevantes serviços
prestados à corporação desde a fundação desta tão útil e benemérita instituição»
(NM 346). // Era republicano convicto, mas
teve de calar e consentir muita coisa durante a ditadura corporativista, que
infelizmente não viu desaparecer. // Polemicou com o padre Júlio Vaz e com o
“Mário de Prado”, mas sempre com educação e respeito devidos. // Lê-se no
Notícias de Melgaço n.º 851, de 14/3/1948, página 4: «O Sr. Dr. Augusto César Esteves é um fumador inveterado: abriu uma
gaveta, tirou um maço de tabaco superior, fez um paivante, acendeu-o e
principiou a fumar. (…) Um outro
cigarro se enrola e começou a arder, subindo ao ar espirais de fumo.» // Em
Julho de 1948 era presidente da Assembleia Geral dos BVM (NM 865, de 18/7/1948). //
Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 974, de 22 de Abril de 1951: «Para o Porto, e a fim de se submeter a
tratamento especializado, partiu no passado domingo o senhor Dr. Augusto César
Esteves, muito digno chefe da Secretaria Judicial desta comarca. Têm sido
inúmeras as pessoas que procuram informar-se do seu estado, o que não admira
dadas as suas altas virtudes e qualidades de simpatia. Notícias de Melgaço, que
mui honrosamente conta Sua Excelência no número dos seus amigos dedicados,
deseja-lhe um rápido restabelecimento e um breve regresso para o meio dos seus
amigos que tanto o apreciam.»
«Conforme
notícia já publicada neste jornal encontra-se no Porto, por motivos de saúde, o
Ex.mo Sr. Dr. Augusto César Esteves. Por informações recebidas, sabemos que
este ilustre melgacense, e nosso querido amigo, foi operado no Hospital da
Trindade, no passado dia 20, e que graças a Deus tudo correu à medida dos
desejos, dos seus familiares e dos seus numerosos amigos. E, assim, dentro de
breve tempo, teremos o prazer de o ver e abraçar de [novo]. “Notícias de
Melgaço” (que reconhece a desinteressada amizade que deve a Sua Ex.ª), congratula-se
pelas suas melhoras e faz sinceros votos para que seja muito breve o seu
regresso.»
Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 977, de
13/5/1951: «Vindo do Porto, já se
encontra entre nós o Ex.º Sr. Dr. Augusto César Esteves, que – graças a Deus –
se encontra em franca convalescença. “Notícias de Melgaço” apresenta ao seu
querido amigo os sinceros cumprimentos de boas vindas.»
Escreveu vários livros sobre Melgaço, que
editou à sua custa. Postumamente (1989 e
1991) foi publicada a sua obra “As Minhas
Gerações Melgacenses”, e ainda Obras Completas, Volume I, Tomo I e II (2002) com artigos por si publicados no
Notícias de Melgaço ao longo de vários anos. Por razões que se desconhecem, a
reedição das suas obras foi interrompida. // Os seus livros abriram sem
quaisquer dúvidas as portas a outros investigadores, e vão tornar possível
escrever-se uma história relativamente bem documentada sobre o concelho. //
Possuía uma boa biblioteca, a qual foi vendida pelo filho, depois da sua morte,
a um alfarrabista do Porto, por cinquenta contos de réis! // Augusto e Esmeralda
faleceram na Vila: a esposa a 4/12/1956 e ele a 26/3/1964; o seu funeral
realizou-se no dia seguinte, sexta-feira. // (ver
JM 1057, de 29/10/1914, CM 124, de 10/11/1914, NM n.º 18 e NM 1413). // A Câmara Municipal de Melgaço, presidida por Rui
Solheiro, deu em agosto de 2009, a uma rua da Vila, o seu nome.
- António Augusto Durães (Dr.) Filho do Dr. António Joaquim Durães, natural de Paços, e de
Beatriz Augusta Ribeiro Lima, proprietária, natural da Vila de Melgaço. Neto
paterno de João Manuel Durães e de Francisca Caetana Pires, do lugar de Sá, freguesia
de Paços, proprietários; neto materno de Carlos João Ribeiro [Lima] e de
Ludovina Rosa dos Santos Lima, proprietários, da Vila. Nasceu no Campo da Feira
de Fora às 13 horas de 24/7/1891, e foi batizado a 5 de Setembro desse ano.
Padrinhos: os seus avós maternos. // Em 1908 concluiu os preparatórios num
liceu do Porto (Jornal de Melgaço n.º 742). // A 18/7/1910, na Faculdade de Direito, fez ato das instituições
de direito romano e de português. // A 20/6/1912 fez exame, com distinção, da
18.ª cadeira, medicina legal, e dias depois fez exame da 19.ª cadeira, direito
internacional, 5.º ano; em Julho desse ano fez exame da 15.ª cadeira, 4.º ano,
ficando distinto; também fez exame da 16.ª cadeira, 5.º ano, sendo aprovado com
quinze valores (Correio de Melgaço n.º 8, de 28/7/1912), e direito colonial, 13.ª cadeira, 4.º ano (Correio de Melgaço n.º 10). //
Formou-se em Ciências Jurídicas, na Universidade de Coimbra, a 13/8/1912. // A
seguir abriu escritório em Melgaço, em cujo foro se estreou, a 12/11/1912, na
defesa do padre José Joaquim Pinheiro, ex-pároco da Vila, conseguindo a sua
absolvição; o padre fora acusado por Duarte de Magalhães de lhe ter recusado a
comunhão na quaresma de 1902, praticando, por conseguinte, abuso de funções
religiosas; o advogado de acusação era o Dr. Anselmo Ribeiro de Castro,
advogado em Viana do Castelo. // Ainda nesse ano de 1912 foi nomeado
subdelegado do Procurador da República em Melgaço (Correio de Melgaço n.º 30, de 29/12/1912), mas foi exonerado no ano seguinte (Correio de Melgaço n.º 59, de 27/7/1913). // Era um político ativo; aderira, depois de Outubro de
1910, ao Partido Republicano Português, e foi chefe, em Melgaço, do Partido
Democrático, cujo presidente, ou secretário nacional, era o Dr. Afonso Costa.
// Foi administrador do concelho de Melgaço, tomando posse a 24 de fevereiro de
1913, e esteve nesse cargo até maio do ano seguinte, interessando-se pelo
prolongamento do caminho-de-ferro até Melgaço, mas os seus esforços foram em
vão, devido em parte à falta de recursos financeiros por parte do Estado.
Também lutou pela estrada para Castro Laboreiro, mas o dinheiro era escasso
nessa altura. Quis para Melgaço a luz elétrica, água canalizada, etc., mas nada
disso se tornou realidade durante a sua permanência no concelho. Foi ainda
diretor do “Correio de Melgaço”, a partir do número 74, de 9/11/1913, mas
devido a divergências com Hermenegildo José Solheiro, proprietário do jornal,
afastou-se em 1915; o seu nome só aparece como diretor e editor até ao número
142, de 23/3/1915; a partir daí já figura como editor Adriano Augusto da Costa.
// Suponho que em 1913 foi candidato a deputado pelo círculo de Melgaço (ver Correio de Melgaço n.º 57, de 13/7/1913). // A 28/11/1913, pelas 18 horas e 30 minutos, na Portela
de Chaviães, quando vinha de moto de São Gregório para a Vila, foi de encontro
a umas pedras que alguém, propositadamente, colocara na estrada; ficou ferido
numa perna e num braço, e a motorizada ficou estragada (Correio de Melgaço n.º 77, de 30/11/1913). // Em sessão de 28/11/1913 o tribunal da Relação do Porto
deu provimento ao agravo interposto por ele, Dr. Durães, do despacho do juiz de
direito de Melgaço, que o inibia de advogar em polícia correcional de parte,
com o fundamento de que ele era administrador do concelho (Correio de Melgaço n.º 77). // Em
1914 solicitou uma licença à Câmara Municipal para mandar fazer uns consertos
no prédio que possuía na Rua Teófilo Braga, Vila, e para colocar umas pedras
nessa rua, de maneira a não impedir o trânsito público, a qual lhe foi
concedida (Correio de Melgaço n.º 97, de 26/4/1914). // Ainda em 1914 pediu a exoneração de administrador do
concelho, pedido que foi aceite pelo Governador Civil do distrito (Correio de Melgaço n.º 98, de 3/5/1914). // Tudo lhe acontecia: pelas 23 horas de 2/5/1914, numa
casa do lugar de Alcobaça, Lamas de Mouro, foi vítima de um acidente; estava
encostado a uma varanda e esta cedeu, caindo sobre um pátio que se encontrava a
quatro metros da varanda; foi socorrido por Jaime de Almeida, Macker Pinto, e
por várias pessoas ali presentes. Felizmente o ferimento não era de grande gravidade;
no dia seguinte regressou à Vila, onde foi analisado pelo Dr. Vitoriano (Correio de Melgaço n.º 99, de 10/5/1914). // A 7/9/1914, ele e mais três amigos, estiveram em
perigo de vida em Vila Praia de Âncora, em virtude de se terem afastado da
praia; foram socorridos pelos pescadores e banheiros, que os salvaram com
imensa dificuldade (Correio de Melgaço n.º 115, de 8/9/1914). // Por despacho de 19/8/1915 foi nomeado notário interino
da comarca de Monção, substituindo o Dr. Augusto César Esteves, que, a seu
pedido, fora exonerado. Em Outubro ou Novembro desse ano foram-lhe concedidos
trinta dias de licença (Correio de Melgaço n.º 174, de
14/11/1915). // Em 1916 foi-lhe oferecido de novo
o cargo de administrador de Melgaço, mas recusou-o; aceitou, contudo,
juntamente com o major reformado, Albino Pinto da Cunha, do Convento,
Carvalhiças, o lugar de censor (Correio de Melgaço
n.º 195, de 16/4/1916). Portugal entrara na I Guerra e a
censura foi imposta aos meios de comunicação social. // Nesse ano de 1916 foi
exonerado de notário interino em Monção (Correio
de Melgaço n.º 199, de 14/5//1916). //
Por causa de um artigo publicado no “Jornal de Melgaço” andou à tareia no dia
13/7/1916, quinta-feira, com o Dr. António Francisco de Sousa Araújo, no “Café
Melgacense”; terminou com a intervenção de alguns amigos (Correio de Melgaço n.º 207, de 16/7/1916). // Foi advogado de defesa de “Amélia” Rodrigues, acusada
de ofender a moral pública, a qual respondeu a 17/7/1916, ficando absolvida (Correio de Melgaço n.º 208, de 23/7/1916). // Casou na igreja de SMP em 1916 (o casamento civil decorrera na residência da noiva, Rua
Mouzinho de Albuquerque, Valença, a 20/2/1916)
com Maria Esménia, de dezoito anos de idade, de Santa Maria dos Anjos, Valença,
filha de Francisco Antunes da Silva Guimarães, secretário de Finanças em São
Tomé, e de Maria das Dores (ver Correio de
Melgaço n.º 184, de 30/1/1916). // Em 1917
concorreu às eleições para a Câmara Municipal, em uma lista presidida pelo
padre Francisco Leandro Álvares de Magalhães. // Em Janeiro de 1919 tomou posse
do lugar de notário na Vila de Caminha (JM 1234). Não sei quanto tempo ali permaneceu, pois o casal partiu
para África, São Tomé, nos primeiros dias de Agosto desse ano de 1919, onde ele
iria desempenhar o cargo de administrador de concelho (JM 1257, de 10/8/1919); dali
embarca para Angola, onde ele esteve ao serviço do general Norton de Matos. //
Em 1929 foi nomeado Governador de Benguela (NM 27,
de 25/8/1929). // De vez, em quando, vinha à sua
terra natal, mais a mulher, pois filhos não tiveram, trazendo com eles os
empregados, fixando-se um deles, o Joaquim, em Melgaço, onde arranjou emprego e
casou. // Passava, no Cine Pelicano, alguns filmes que trazia de África,
películas que mostravam a vida quotidiana dos naturais de Angola. // Em Julho
de 1934 esteve em Melgaço; vinha de Benguela, onde era advogado; as coisas não
lhe deviam estar a correr muito bem, pois tencionava fixar residência em Viana
do Castelo (NM 238, de 8/7/1934). Em Outubro desse ano já exercia advocacia nessa cidade (NM 248, de 14/10/1934). Não
deve ter tido o êxito que esperava, pois voltou para África. // Antes da independência
da ex-colónia o casal regressa a Melgaço, onde possuía uma boa casa na Rua do
Rio do Porto e uma ótima Quinta. // Depois de Abril de 1974 foi presidente da
Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Melgaço, até às eleições. Tomou
posse a 4/11/1974. Foi a primeira Comissão Administrativa a tomar posse no
distrito de Viana. Colaboraram com ele: o Engenheiro Artur José Rodrigues,
professor do ensino liceal em Monção (vogal); Albertino Domingues, comerciante (vogal); António Fernandes, industrial (vogal); Manuel da Cruz Dias, ourives (vogal). Era então Governador do distrito o
capitão-tenente Joaquim Teixeira (NM 1843,
de 10/11/1974). // Quis criar, na sua Quinta da
Pigarra, uma Escola Agrícola, mas o Ministério da Educação não se interessou
pelo projeto; assim, ofereceu-a aos BVM e à SCMM. // Em maio de 1976 publicou
um livro “ANGOLA E O GENERAL NORTON DE MATOS – Subsídios para a História e para uma Biografia.” // O
casal faleceu na Vila de Melgaço: ela a 26/9/1974 e ele a 24/10/1976. // Na sede do concelho existe uma rua com o seu nome. (Ler a entrevista que ele concedeu ao
Correio de Melgaço n.º 219, de 8/10/1916; nessa altura encabeçava a lista do
concelho que disputava a liderança da Câmara Municipal de Melgaço, cujo
presidente era João Pires Teixeira; ver também “A Voz de Melgaço” n.º 379, de
15 de Junho de 1967).
continua...
