UNIVERSIDADE AUTÓNOMA DE
LISBOA – LUÍS DE CAMÕES
Curso – Línguas e Literaturas
Modernas
Variante – Estudos Portugueses
Professor (a) – Professora Doutora
Maria Isabel N. Miguéns
Aluno – Joaquim Agostinho da Rocha
Lisboa,
Maio de 1991.
O
CULTO CAMONIANO de 1880. – A “trasladação dos ossos de Camões.”
INDICE
GERAL
Introdução
…………………………………………………………………..
O CULTO DO PRÍNCIPE DOS
POETAS
a)
Seus cultores ………………………………………………………..
b)
Iniciativas “as ruidosas festas cívicas da
capital” ………………….
c)
A indiferença da corte régia
………………………………………..
d)
A indiferença das instituições régias:
academias, universidades, etc.
O APROVEITAMENTO POLÍTICO
a) O
advento do republicanismo ……………………………………….
b) O
mesmo objetivo: a liberdade e a independência nacional …………
c) A
mobilização do povo ………………………………………………
d) O
alarmismo: a contra ofensiva ………………………………………
TRASLADAÇÃO DOS OSSOS DE
LUÍS DE CAMÕES
a)
Antecedentes: o local exato onde o vate
foi sepultado ……………….
b)
O dia 8 de Junho de 1880: dia da
trasladação …………………………
c)
A verdade acerca dos ossos de Camões
……………………………….
d)
As dúvidas que nos restam
…………………………………………….
EDIÇÕES COMEMORATIVAS
………………………………………………
CONCLUSÃO
………………………………………………………………….
BIBLIOGRAFIA
……………………………………………………………….
INTRODUÇÃO
Quem foi Camões? Pessoa importante,
influente, de grande prestígio e carregado de honras, enquanto vivo, não foi. A
prova disso, é o facto de o seu nome não ser mencionado pelos poetas coevos,
nem pelos cronistas (exceção feita a Diogo do Couto), nem por quem quer que
seja. O silêncio, um espaço de sombra, rodeia a sua passagem por este mundo.
Fala-se de invejas, intrigas amorosas, mau feitio do poeta. São, segundo nos
parece, puras especulações, pois um génio como ele jamais passaria
desapercebido.
Com pouco mais de vinte anos (em 1553) embarcou
para a Índia, onde se manteve até 1569. Neste ano de 1569 já se encontra na
ilha de Moçambique, pobre e a viver da ajuda dos amigos. Graças a eles é que
pôde regressar à sua pátria. A sua vida é tão cheia de incidentes invulgares
que, por coincidência, no ano do regresso grassa a peste em Lisboa,
impedindo-o, assim, de desembarcar! Somente uns meses depois o pode fazer com
relativa segurança. Aproveita esse tempo “morto” para ultimar a sua obra-prima
que, em 1571, apresentará a el-rei Dom Sebastião, o qual passa alvará para a
impressão da referida obra e mais tarde lhe vai conceder uma tença de quinze
mil réis anuais pela publicação da obra e pelos serviços prestados na Índia. A
tença, por sinal, irá ser paga com alguma irregularidade.
Para a biografia correta de Camões
contamos apenas com nove documentos autênticos:
1.º - Carta de perdão
(Chancelaria de Dom João III). Essa carta tem a data de 1553. Concede a
liberdade ao poeta (encontrava-se preso devido a uma rixa) em virtude deste ir
brevemente para as partes da Índia;
2.º - Este documento é um
alvará que atribui ao poeta quinze mil réis de tença em cada ano, durante três
anos, prorrogáveis. Foi concedida (a tença), a 28 de Julho de 1572, aquando da
publicação de OS LUSÍADAS;
3.º - Este documento é
uma apostila da tença que a prorroga por mais três anos. Tem a data de 2 de
Agosto de 1575. Camões, nessa altura, residia na Corte, o que em boa verdade
representava já um estatuto de privilegiado: por ser fidalgo e por ser
escritor;
4.º - Este documento é
uma ementa da tença, com uma pequena anotação na qual se menciona que a
referida tença não foi paga no seu devido tempo em virtude de não haver registo
no Livro da Fazenda;
5.º - O quinto documento
é um traslado de uma apostila que se registou no alvará da tença atribuída a
Luís de Camões, prorrogando-a por mais três anos. Este documento tem a data de
2 de Junho de 1578;
6.º - O sexto documento é
um alvará pelo qual se concede à mãe de Camões, Ana de Sá, seis mil réis de
tença “que vagou por morte de seu filho”. Tem a data de 31 de Maio de 1582.
Este documento foi descoberto pelo Visconde de Juromenha e publicado em “OBRAS”
de Luís de Camões, da sua autoria;
7.º - O sétimo documento
é uma ementa onde consta que se mandou pagar à mãe do poeta seis mil setecentos
e sessenta e cinco (6$765) réis, e diz : «… may de Camões que Deus aja por
outros tantos que ao dito seu filho erão devidos do primeiro de janeiro do ano de
D.LXXX (1580) até dez de junho delle em que falleceo a rasão de quinze mil
15$000) réis por ano de tença em Lisboa, XIII de Novembro de M.D.LXXXII (1582),
por Dom Duarte de Castelbranco (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Livro III
de Ementas. F. 137.)» Nota: este
documento, número sete, foi também descoberto pelo visconde de Juromenha.
Com base neste manuscrito é que se ficou a
saber a data exata da morte de Luís de Camões, embora haja quem a conteste,
quem a ponha em causa, apoiando-se para o efeito nos seus biógrafos próximos,
os quais afirmam ter o poeta morrido em 1579. Dizem alguns estudiosos que
possivelmente existiram dois indivíduos com o nome Luís de Camões: o poeta, e
um outro, talvez seu parente.
8.º - O oitavo documento
é o alvará que concede a Ana de Sá a tença de quinze mil réis, e está datado de
5 de Fevereiro de 1585. Nele se lê: «… havendo
respeito aos serviços de Simão Vaz de Camões e Luiz de Camões, seu filho,
cavaleiro de nossa casa e a não entrar na Feitoria de Chaul de que era provido
e a vagarem por sua morte quinze mil réis de tença hei por bem e me apraz fazer
mercê a Ana de Sá…»
9.º - O nono e último
documento é o alvará régio de privilégio pela publicação de OS LUSÍADAS.
Encontra-se junto à edição de 1572 Ee. Tem a data de 24 de Setembro de 1571:
«Eu, el Rey, faço saber aos que este Alvará virem que eu ey por bem & me
apraz dar licença a Luís de Camões pera que possa fazer imprimir, nesta cidade
de Lisboa, hua obra em octava rima chamada Os Lusíadas, …»
Como se vê, não é grande coisa o que se
possui acerca de Camões. As gordas biografias que têm aparecido são fruto de
muita imaginação, bastante erudição e alguma fantasia. Já Pedro de Mariz, o
primeiro biógrafo do poeta, traça dele um retrato (edição de Os Lusíadas, 1613,
os quais foram comentados pelo licenciado Manoel Correa), hoje pouco aceitável.
Diz ele: «… viveo miseravelmente, & morreo quasi ao desamparo.»
Mariz atribui ao destino a sua má estrela:
«… a Fortuna, quanto o aventajou mais dos
outros homens na excellencia Poetica, lhe tirou de ventura em a remuneração
também merecida.» Mais à frente informa-nos de que António “Jau”, criado de
Camões, pedia esmola para sustentar o seu amo. Em morrendo este, o poeta só lhe
sobreviveu alguns meses! Fantasia? Realidade? É certo que atores de grande
prestígio, poetas e outros artistas (pintores, escultores, etc.) têm morrido em
penúria absoluta, quer em Portugal, quer em outros países, em todos os tempos.
A culpa, muitas vezes, consiste neles próprios, por não saberem gerir os bens
materiais – vivem quase exclusivamente para o sonho, para o espírito, para a
arte!
Em vida de Camões publicaram-se: em 1563,
a ode ao Conde de Redondo, que acompanha a 1.ª edição de Colóquios dos Simples
e Drogas, de Garcia de Orta; tercetos, dedicados a Dom Lionis Pereira, bem
assim como o soneto “Vós, Ninfas da Gangética Espessura”, dedicado ao mesmo
fidalgo. Ambos os poemas estão inseridos na edição da História da Província de
Santa Cruz, de Pero de Magalhães de Gandavo, editada em 1576. Publicaram-se
também, como se sabe, OS LUSÍADAS, em 1572. A primeira edição das Rymas vai
aparecer somente em 1595, quinze após a sua morte.
O
CULTO DO PRÍNCIPE DOS POETAS
a)
Seus cultores:
Com a publicação das Obras de Luís
de Camões pelo visconde de Juromenha (João António de Lemos Pereira de Lacerda –
25/5/1807 - 29/5/1887), em 1860-1869, que inclui os documentos que este
grande camonólogo descobriu nas suas incansáveis investigações, vão iniciar-se
os estudos críticos da obra do poeta. Melhor dizendo: vai surgir a camonologia,
ou seja, o estudo científico da obra de Camões. O grande pioneiro deste estudo
foi o alemão W. Storck, que dedicou ao nosso épico trinta anos do seu labor e
do seu imenso saber. Dona Carolina Vasconcelos, ao traduzir do alemão para
português a obra do seu conterrâneo, o Professor Wilhel, dedicada à vida e
obras de Camões, vai gerir cientificamente os dados existentes sobre a vida e a
obra do grande poeta. Desde 1877 que Carolina Michaelis e W. Storck trocam
correspondência sobre Camões. Ainda esta Senhora não residia em Portugal e já
se interessava pelo épico português ao publicar na editora alemã BROCKHAUS uma
nova edição de OS LUSÍADAS, segundo a edição do Visconde de Juromenha. O
objetivo de D. Carolina foi sempre o de dar a Camões o que a Camões pertencia.
Criticou severamente todos aqueles – fossem eruditos ou não, como Teófilo Braga
e W. Storck – que por ignorância ou falta de escrúpulos não tinham pela obra do
maior poeta português o respeito e a consideração que ela merecia.
Teófilo Braga foi também um camonólogo,
mas devido ao seu espírito abrangente poder-se-á considerar mais um divulgador
do que um grande investigador. Foi o primeiro intelectual a pugnar pelas
Comemorações do Tricentenário da morte do poeta. Nos dias oito, nove e dez de
Janeiro de 1880 faz publicar no Comércio de Portugal três artigos, cujo título comum
é bem elucidativo: “O centenário de Camões em 1880.” Escreve ele: «O centenário de Camões neste momento
histórico, e nesta crise dos espíritos, tem a significação de uma revivescência
nacional.» No artigo de 10 de Janeiro, Teófilo elabora um possível programa
para as comemorações, as quais durariam três dias: 8, 9 e 10 de Junho. Nota: o programa final, porém, vai ser
outro; será elaborado por Teófilo Braga e Ramalho Ortigão. No 8, segundo
Teófilo Braga, far-se-iam conferências históricas sobre a vida de Camões e
sobre o século XVI; exposição da Biblioteca Camoniana, pertencente ao Conselheiro
Minhava; publicação da bibliografia camoniana. No dia seguinte haveria lugar à
Exposição do quadro de Domingos Sequeira (1768-1837), a “A Morte de Camões”
(quadro que tinha valido ao seu autor uma medalha de ouro); leitura recitada do
“CAMÕES” de Garrett; execução dos principais trechos da Missa de Bomtempo (João
Domingos Bomtempo - 1771/1842), que fazem parte da “ Ouvrage dedié à la mémoire de Camões.”
No terceiro dia, 10 de Junho, publicar-se-ia uma edição monumental de OS
LUSÍADAS; emitir-se-ia uma medalha comemorativa; fundar-se-ia um Círculo Camoniano
que teria como objetivo a revisão de um texto definitivo das obras do vate, a
sua interpretação filológica e histórica. Representar-se-ia um drama ou uma
ópera; recitar-se-iam os principais episódios de OS LUSÍADAS. Essa recitação
seria feita por grandes atores.
Além de Teófilo Braga, outro articulista,
Afonso Vargas, aborda o tema dos festejos. Diz ele: «o governo não decreta as festas nacionais mas pode e deve auxilia-las
com os meios que a própria nação lhe fornece.» (ver
Comércio de Portugal n.º 197, de 21 de Fevereiro de 1880).
Eduardo Coelho, Luciano Cordeiro, Ramalho
Ortigão, Rodrigues da Costa, Magalhães Lima, Batalha Reis, Pinheiro Chagas,
Teófilo Braga, são as personalidades que compõem a Comissão Executiva para as
Comemorações do Tricentenário. Em boa verdade poder-se-á afirmar que os
cultores de Camões foram, com maior ou menor entrega, com maior ou menor
conhecimento da sua obra, todos aqueles, de norte a sul de Portugal, que
sentiram pulsar no seu peito o amor à pátria.
b)
Iniciativas: “As ruidosas festas cívicas da capital.”
Como atrás observámos, quem primeiro falou
do tricentenário da morte de Camões foi Teófilo Braga em três artigos
publicados no jornal “Comércio de Portugal.” Depois dele outras figuras
destacadas da sociedade portuguesa aderiram à ideia e já em dezasseis de
Fevereiro desse ano aparece no Parlamento uma proposta de lei, apresentada pelo
deputado José Simões Dias, no sentido de consagrar o dia dez de Junho como
feriado nacional. O apelo de Teófilo encontrou eco na imprensa e nas
coletividades de base. Aliás, foi precisamente a classe dos jornalistas que
chamou a si a iniciativa da festa. No dia 3 de Abril reuniram-se “nas salas da Sociedade de Geografia os
diferentes representantes da imprensa da capital” com o fim de serem
tomadas medidas quanto à sua contribuição nos festejos. Foi preciso, contudo,
convocar nova reunião para o dia 8 do dito mês. Nesse dia a assembleia
constituiu-se em Comissão Executiva e elegeu uma subcomissão que seria a
responsável pelo programa da festa. A comissão passou a ser conhecida pelo povo
como Comité de Salvação Pública.
A 3 de Março, Eduardo Coelho apresentou à
classe uma proposta para a criação da Associação dos Jornalistas e Escritores,
a qual seria, em homenagem ao poeta, legalizada no dia 10 de Junho. Teófilo,
por sua vez, apresentou outra proposta: «Que
no dia das festas do centenário, como feriado da imprensa, todos os jornais
publiquem um suplemento em formato igual, contendo o texto de OS LUSÍADAS por
forma distribuído que todas as folhas juntas façam um volume completo de OS
LUSÍADAS, ficando assim um exemplar especial, que na história será reconhecido
como Os Lusíadas do jornalismo.» Por não ser exequível, não se viria a
concretizar tal proposta.
No dia 9 de Abril a imprensa noticiava que
a Academia das Ciências de Lisboa iria solicitar ao governo que por ocasião das
festas fossem trasladados com pompa os restos mortais de Camões e de Vasco da
Gama. Essa trasladação verificou-se efetivamente no dia 8 de junho de 1880 para
a igreja de Santa Maria de Belém. A 9 de Junho 1867 tinha sido inaugurada a
estátua do épico no Largo que ficou a ter o seu nome, lá para os lados do
Loreto. Hoje, estão perto Camões, Chiado, Eça de Queirós, e Fernando Pessoa.
Pessoa, que se sentou numa cadeira na Rua Garrett e nunca mais de lá sai!
A 12 de Abril de 1880, o ministro do
reino, José Luciano de Castro, ao falar na Câmara “declarou que o governo ocuparia o seu lugar na festa e auxiliaria as
manifestações públicas, mas que não tomaria a iniciativa e direção das mesmas para
lhes não amesquinhar a importância e significação.” (In Diário de Notícias
n.º 5094, de 12 de Abril de 1880. Pudera! A iniciativa estava nas mãos da
dinâmica imprensa, muito mais perto do povo e das suas aspirações e
sentimentos.
A 15 de Maio a Comissão Nacional do 1.º de
Dezembro de 1640, tendo à frente Fontes Pereira de Melo, veio proclamar a sua
adesão aos festejos do tricentenário lembrando “o direito que lhe assiste de ocupar na solenidade que em breve se
planeia, o primeiro e o mais distinto lugar.” Nada modesta, esta Comissão.
Em troca prometiam levar alçada a bandeira nacional que flutuou em 1640 e os
seus membros adornados com as suas vestes solenes.
As iniciativas surgem aqui e ali, em todo
o lado! Fazem-se conferências e sessões nas inúmeras associações profissionais,
culturais e recreativas. A ideia dos festejos depressa teve adeptos em todo o
país. O entusiasmo foi geral. Instituíram-se prémios Camões nas diversas
escolas, compuseram-se peças de teatro e imensos poemas. O povo português
homenageava o seu principal cantor.
c)
A indiferença da corte régia.
Já atrás se disse que o governo aderia,
mas não tomava a iniciativa das festas. A corte não se pronunciava. Mantinha-se
completamente alheada dos acontecimentos – era como se nada estivesse a
passar-se! Se o épico pertencia ao povo, à nação, o povo que o celebrasse.
Porém, a 5 de Junho – três dias antes do início dos festejos – é que se soube
que «el-rei deliberara tomar parte nas
manifestações que devem realizar-se no dia 10» (in Diário de Notícias n.º
5148, de 5 de Junho de 1880).
Razão tinha Teófilo, ao escrever: «A monarquia é um corpo estranho neste
organismo nacional, e como corpo estranho traz-nos neste estado doentio, e
produz estas supurações pustulentas partidárias, que viciam as naturezas mais
sinceras.»
O centenário teve um caráter democrático e
popular. Por isso, a realeza julgou essa festa (ruidosa de mais e imodesta). Por outro lado, a corte viu essa
comemoração como um ato perigoso para o regime monárquico. O rei demonstrou um
desprezo total pela homenagem ao vate nacional. Propagou-se até a ideia de que
os promotores dos festejos tinham em mente fazer uma revolução – para isso já
teriam gente armada! Informa-nos Ramalho Ortigão: «Espalharam-se então em Lisboa e percorreram todo o país os boatos de
que uma revolução rebentaria com a festa do dia 10 de Junho.» Várias
famílias da capital fugiram, acreditando na falsa notícia. O medo foi mais
forte do que a evidência!
Para maior vergonha da corte real, se
possível, foi o que se passou aquando do cortejo cívico. Este surgia em frente
da tribuna real e o rei, ostensivamente, virava-lhe as costas. Teria sido
propositadamente? Teria sido solicitado por algum dos seus acompanhantes? Não
se sabe. É deveras lamentável que isso tivesse acontecido.
d)
A Indiferença das Instituições Régias:
Academias, Universidades, etc.
A Comissão Executiva propunha, no seu
programa, o seguinte: «O cortejo será
constituído pelos poderes do Estado, pelas corporações científicas e literárias
da nação, pelas diferentes classes e associações de Lisboa, pela marinha
portuguesa, (….), etc.»
a)
Uma grande banda nacional composta de
todas as bandas regimentais reunidas, tocando uma marcha consagrada a Camões;
b)
Os oficiais da Armada em grande uniforme
(…), com um carro triunfal a representar um galeão português do século XVI;
c)
…………………………………………………………………………………;
d)
O corpo docente da Universidade de
Coimbra;
e)
Os sócios da Academia Real das Ciências de
Lisboa, etc.
Quem
de facto fez parte do Cortejo Civil foram as associações operárias, de
mutualidade e de socorros, que seria exaustivo enumerar. O governo da monarquia
não quis colaborar e não permitiu que as instituições oficiais colaborassem.
Tiveram medo! Escreveu Ramalho Ortigão: «… em
vez de ser a festa da nação legalmente constituída, foi a festa do povo
espontaneamente organizado.» Claro que há um certo exagero nisto. Quem tudo
organizou foi a Comissão Executiva da Imprensa; só depois é que as associações
operárias tiveram um papel mais ativo. Houve, isso sim, sintonia entre a
intelectualidade progressista e o povo representado por essas associações. O
poder constituído ficou de fora, por medo e por despeito. Viu, apenas de
relance, passar o cortejo!
O
APROVEITAMENTO POLÍTICO
a)
O Advento do Republicanismo.
O Partido Republicano Português (PRP) fora
fundado a 25 de Março de 1876. A 3 de Abril desse ano constituiu-se um
diretório de trinta e três membros: Oliveira Marreca, Latino Coelho, Elias
Garcia, Consigliere Pedroso, etc. Mais tarde aderira Teófilo Braga, Magalhães
Lima, e outros. Escreveu Jorge Macedo (ver Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura):
«O republicanismo revelado no novo
Partido contava já com uma larga tradição dispersa por diversos institutos e
variadas consignas.»
Esta ideologia continha em si vários
vetores: o anticlericalismo, o regionalismo municipalista, etc… O que os unia
era todos estarem contra o regime monárquico. Alguns acontecimentos também os
favoreceram. Por exemplo: o estranho ultimato do governo inglês de 1890, e já
antes – 1889 – a passagem a República no Império do Brasil, deram ao
republicanismo uma força inesperada. Em 1880 foram sem dúvida os republicanos
(Teófilo Braga com a ideia das comemorações expressa logo em Janeiro desse ano)
que encabeçaram os festejos. O monárquico, visconde de Juromenha, acabou por
abandonar a Comissão Executiva. Porque é que republicanos promoveram os
referidos festejos? O que é que ganhavam com isso? Bem, em primeiro lugar
porque Camões, sendo o poeta da pátria por excelência, precisava de umas
comemorações dignas da sua obra, que o regime monárquico, desprestigiado e
apático, pesadão e decadente, não promoveria de certeza. O republicanismo, ao
chamar a si a liderança de tal ato nacional, engrandecer-se-ia, chamaria a
atenção para os ideais republicanos, tais como a liberdade, a democracia, a
tolerância, etc., e daria à nação o ensejo de exprimir o seu sentir profundo, o
seu amor à terra portuguesa, e àquele que a soube cantar como ninguém. Por
outro lado, o Partido Republicano surge aos olhos dos portugueses descrentes
como uma força alternativa, uma força capaz de reorganizar o país.
b)
O Mesmo Objetivo: a liberdade e a
independência nacional.
Camões, no seu poema imortal OS LUSÍADAS,
canta os portugueses, a liberdade e a independência de Portugal. Quando morre,
morrem também esses dois bens preciosos para um povo. De 1580 a 1640 Portugal
esteve sob o domínio de reis estrangeiros, de nacionalidade espanhola. Nesse
período os portugueses não esqueceram o poeta e a sua obra, mas é certo que o
amor à pátria ia-se a pouco, e pouco, esmorecendo. Muitos nobres deixaram
Portugal e quase não se distinguiam dos seus pares castelhanos: quer na fala (eram
bilingues), quer nos novos hábitos entretanto adquiridos. No entanto, no peito
de alguns (muitos), palpitava ainda a esperança de ver de novo a bandeira
portuguesa livre, soberana, esvoaçando ao vento português.
Em 1880, como em 1640, Camões é o símbolo
da independência de Portugal, da soberania de um povo secular. É por isso que
os homens de oitocentos: (Teófilo Braga, Latino Coelho, Eduardo Coelho, Ramalho
Ortigão, e tantos, tantos outros), palpitando de nacionalismo, vendo o seu país
vexado por tanto imobilismo doentio, uma monarquia já com teias de aranha a
cobri-la, a resvalar para o abismo, “levanta” o seu estandarte, que é Camões, e
dá-lhe a festa a que o seu nome tem direito – Camões confunde-se com Portugal.
c)
A Mobilização do Povo.
Não
é fácil mobilizar o povo, muito menos instrumentaliza-lo, a não ser por grandes
demagogos ou, então, que os acontecimentos o justifiquem. Neste caso, a
homenagem ao grande cantor dos feitos dos lusitanos, justificava plenamente a
sua adesão, o seu entusiasmo sincero – foi isso que de facto aconteceu. A ideia
dos festejos foi de Teófilo Braga como já se disse. O primeiro programa saiu
das suas mãos. O segundo – que se veio a cumprir realmente – elaborou-o também
ele, mas juntamente com Ramalho. Está eivado de influências populares. Por
exemplo: a marcha não estaria no espírito de nenhum deles certamente. O povo
imprime sempre a sua marca às coisas, aos eventos de que é protagonista.
Luís de Camões deixou, a partir de 1880,
de ser da aristocracia: passou a pertencer ao povo português, e também a outros
povos, como o brasileiro, etc. Desde então é o “poeta do povo e da pátria.” Naturalmente que o povo-povo não
conhecia a obra literária de Camões, pois a sua cultura não lhe permitiria ter
acesso a esse conhecimento. A imprensa, porém, encarregou-se de divulga-la,
fragmentariamente, é certo, mas publicando parte significativa.
O monumento a Camões, inaugurado em 1867,
tinha chamado já a atenção geral para a figura do poeta. Foi a bem dizer a
primeira homenagem de rua que se prestou a Camões. A pena de ouro, com a qual o
rei assinou o auto de colocação da pedra-símbolo, era uma oferta a António F.
de Castilho da colónia portuguesa de Porto Alegre. O povo, através das
associações de sapateiros, alfaiates, barbeiros, carpinteiros, pedreiros,
padeiros, etc., aderiu em massa e deu o seu colorido, a sua genuinidade, àquilo
que não passaria – sem ele, povo – de um ato formal, sem vida.
d)
O Alarmismo: a Contra Ofensiva.
A corte, as instituições governamentais, o
poder em suma, face à grande movimentação das associações operárias, de
mutualidade e de socorros em torno das festas consagradas a Camões, tremeu,
apavorou-se! A vida pacata que se vivia, alterou-se. As ideias, os diálogos,
apareciam aqui e ali. Os republicanos aproveitavam a ocasião para fazerem
críticas e propaganda. A nação acordava. O marasmo dava lugar à ação. Eis então
que surge, por parte do poder, a notícia de que a oposição preparava uma
revolução armada. Segundo essa falsa notícia já havia armas e homens para o
efeito. Só o medo justificava esse alarmismo. A monarquia não estava de pedra e
cal; contudo … ainda levaria muito tempo a cair. E só a sua inépcia, a sua
mediocridade, fizeram mais do que a própria oposição! A corrupção, como nos
dizem Ramalho e Oliveira Martins, grassava como epidemia nas fileiras dos
partidos monárquicos. A monarquia autodestruiu-se!
Camões serviu de bandeira aos
restauradores de 1640 para dar novamente a Portugal a sua perdida soberania;
não serviria, porém, de bandeira para derrubar reis portugueses. O partido de
Camões era Portugal inteiro – a sua pátria. Os republicanos sabiam isso. Não
iriam servir-se do épico, do prestígio que se encontra acima de quaisquer lutas
partidárias, para substituir um regime que, paulatinamente, cairia por si. Eles
saberiam esperar esse extraordinário dia. A monarquia poderia, caso tivesse
talento suficiente, aproveitar os grandes festejos para se reconciliar com a
nação. Não o fez!
TRASLADAÇÃO
DOS OSSOS DE LUÍS DE CAMÕES
a)
Antecedentes: o local exato onde o vate
foi sepultado. // Vou seguir, para este assunto, as indicações do padre
Sebastião de Almeida Viegas, por me parecerem dignas de crédito. Em 1580 Camões
terá sido enterrado na igreja de Santa Ana, em Lisboa; em 1595 D. Gonçalo
Coutinho ter-lhe-ia mandado fazer uma sepultura mais decorosa “mas tão rasa como as do mais povo”,
segundo nos informa Pedro Mariz. A campa tem o seguinte epitáfio: «Aqui jaz Luís de Camões, príncipe dos poetas
de seu tempo. Viveu pobre & miseravelmente, & assi morreu, ano de 1579.
Esta campa lhe mandou aqui pôr Dom Gonçalo Coutinho. Na qual se não enterrará
pessoa alguma.»
O mosteiro de Santa Ana foi edificado no
sítio onde já existia uma ermida com esse nome. O terreno foi cedido por Dom
Aleixo de Meneses, aio de el-rei Dom Sebastião. Os custos foram suportados pela
rainha Dona Catarina, viúva de Dom João III e filha do imperador Carlos V; por
contribuições dadas por pessoas devotas e também com os dotes das freiras que
entraram para o convento.
As freiras reuniram-se pela primeira vez
no dia da visitação de Santa Isabel, ano de 1562. Ficaram sob a obediência do
padre frei Francisco de Gamera, Geral da Ordem de São Francisco. O registo nos
livros dos óbitos, tiveram início a 14 de Outubro de 1588; e vão até 24 de
Abril de 1661. Mais uma vez Camões ficou de fora; bastava haver registos a
partir de 1579 para aí figurar o seu nome.
Em 1755, aquando do terramoto, o mosteiro
de Santa Ana foi parcialmente destruído. As freiras tiveram de abandoná-lo,
tendo porém regressado logo que isso foi possível. No entanto, só com a morte
do rei Dom José I e o afastamento do marquês de Pombal é que o mesmo foi
submetido a obras, isto aconteceu no ano de 1778.
Barbosa Machado dizia em 1752, na sua “Biblioteca
Lusitana”: «Foi sepultado na igreja que
juntamente era paróquia do convento de Santa Ana das religiosas franciscanas
desta Corte, em lugar humilde, de onde o transferiu no ano de 1595, dezasseis
anos depois da sua morte, Dom Gonçalo Coutinho (…) para parte mais decorosa,
qual foi o lado esquerdo da porta principal da dita igreja.» Contudo, pelos
registos obituários verifica-se que os lugares decorosos eram outros.
Contradições! Para se ser enterrado nesses lugares mais dignos pagava-se então
cinco mil réis pelo terreno e dois mil réis para os ladrilhos.
b)
O dia 8 de Junho de 1880: dia da
trasladação.
No
dia 8 de Junho foi levada de Santa Ana para Santa Maria de Belém uma urna com
uns ossos que a Comissão de 1854 tinha encontrado nas escavações mandadas
efetuar. Segundo o parecer dessa Comissão os ossos pertenciam ao poeta Luís de
Camões. De acordo com o testemunho do padre Viegas «toda a Corte, toda a nobreza, todas as classes tomaram parte naquele
cortejo fúnebre.» É interessante seguir, passo a passo, a procissão: «daí passou-se ao templo; e colocado o
caixão, coberto com a bandeira nacional, na singela eça que se tinha preparado
ao meio da nave, cantou a colegiada os responsórios; e feitas as absolvições
rituais, seguiu o caixão, com o seu séquito, até ao coche que o esperava à
saída da igreja. Era um dos mais ricos da Casa Real, ladeado de archeiros. A
este, que levou o caixão, seguia-se outro, não menos rico, onde ia o capelão do
convento, com a colegiada, também ladeado de archeiros; e iam logo depois, por
sua ordem, grandes, ministros, pares do reino, deputados, membros da Academia
Real das Ciências, comissões, e muitos funcionários, formando o mais brilhante
préstito que se tem visto em Lisboa. Tomou-se ao campo de Santa Ana, Largo do
Mastro, Socorro, rua Nova da Palma, Rocio, até ao Arsenal da Marinha, onde o
cortejo era esperado pela Guarda de honra de marinheiros militares. Na capela
do Arsenal erguia-se uma eça, na qual se poisou o caixão, e esperou-se, por
espaço de hora e meia, a chegada da corveta Mindelo, que havia de vir da margem
sul com os restos mortais do grande descobridor das Índias, Vasco da Gama.
Quando a corveta se achou em frente do Arsenal, foi logo o caixão
conduzido a seu bordo na galeota de quarenta remeiros construída em 1826 (…)
O desfilar do concorridíssimo préstito fluvial produziu maravilhoso
efeito. Era uma gloriosa e solene consagração, que fazia recordar velhas
glórias. Às quatro da tarde, galeotas, bergantins, escaleres, aportavam no cais
de Belém (…)
À porta do templo de Belém esperavam o préstito Sua Majestade el-rei, a
Rainha, el-rei Dom Fernando, o Ministério, a Corte, e todos acompanharam as
urnas, envoltas no estandarte das Quinas, até serem colocadas nas eças armadas
no cruzeiro. Findas as bênçãos foram conduzidas as urnas para a capela do
cruzeiro do lado da epístola, onde se acham os túmulos dos filhos de Dom João
III e de sua mulher, a rainha Dona Catarina, e ao topo o mausoléu que encerra
os ossos de el-rei Dom Sebastião, si vera est fama.»
Foi uma transcrição longa, mas necessária,
pois trata-se do relato de uma testemunha importante, como era o capelão de
Santa Ana, o qual viria a protagonizar um dos episódios mais polémicos sobre a
veracidade dos restos mortais de Luís de Camões.
Viegas, Sebastião de
Almeida. – A verdade acerca dos ossos de Luís de Camões. Lisboa, Typ. C.ª Nacional
Ed.ª 1893.
c)
A Verdade Acerca dos Ossos de Camões.
A
verdade na sua pureza acerca dos ossos de Camões ninguém ainda a pôde possuir.
Talvez tenham ido alguns desses ossos para Belém, talvez! Todos eles ficaram em
Santa Ana, quem sabe? Hoje, e apesar dos ossos do poeta possivelmente
continuarem no velho mosteiro, existem dois grandiosos túmulos a Luís de
Camões: um, em Belém, no mosteiro dos Jerónimos; outro, este completamente
vazio, no Panteão Nacional (Santa Engrácia). Os famosos versos de Garrett: «Nem o humilde lugar onde repoisam/As cinzas
de Camões, conhece o Luso…» dispensam comentários. O desleixo próprio dos
portugueses e o terramoto de 1755 fizeram com que o túmulo do grande poeta se
perdesse. Resta-nos a sua imensa, maravilhosa, obra.
Na carta que dirige ao cardeal patriarca
de Lisboa, em 1893, o padre Viegas diz: (carta inserida na obra citada, página
7). «Há perto de dezanove anos que sou
súbdito deste patriarcado. Nos primeiros anos fui capelão e confessor das
religiosas de Santa Ana, desta capital; nesse mosteiro colhi documentos e
provas positivas do paradeiro dos ossos do nosso compatriota Luís de Camões.»
O dito capelão não acreditou, por
conseguinte, que os ossos de Camões tenham ido para Belém. Esses ossos tinham
sido encontrados seguindo indicações de alguns escritores em detrimento de
outros indícios que revelam terem os ossos sido mudados para uma sepultura mais
condigna, ou já, para o meio da igreja. O padre Viegas, com base em documentos
“prova” que os ossos do vate ainda se encontravam em Santa Ana depois de 8 de
Junho de 1880. Antes dessa data o capelão enviou ao presidente da Comisão de
1880, A. C. Teixeira de Aragão, o seguinte telegrama: «capelão de Santa Ana encontrou no cartório das religiosas documentos,
que provam não serem aqueles ossos os verdadeiros de Camões.»
Porém, só a 10 – já depois da trasladação
– é que o senhor Teixeira de Aragão procurou o padre. Desculpou-se, dizendo-lhe
que nada poderia ter feito em virtude da trasladação já estar anunciada
oficialmente. // Não se podia estragar a festa.
d)
As dúvidas que nos restam.
O padre capelão expôs ao governo as suas
dúvidas acerca da veracidade dos ossos do épico, explicando documentalmente que
os que tinham ido para Belém no dia 8 de junho não eram de facto os de Camões.
Os ossos do poeta ainda se mantinham na igreja de Santa Ana. Então, o ministro
das Obras Públicas, Saraiva de Carvalho, colocou à disposição do padre Viegas
pessoal competente, sob a direção do engenheiro José de Oliveira Garção de
Carvalho Campelo de Andrade, diretor das Obras Públicas de Lisboa. Iniciaram-se
as pesquisas, seguindo as indicações de Faria e Sousa e do bibliógrafo José
Maria da Costa e Silva. Transcrevo: «… fez-se
proceder ao levantamento da campa situada na linha média da igreja, junto às
grades do coro, e da parte de fora da clausura d’este; n’uma sepultura que a
lousa cobria, formada de paredes de alvenaria, e com o fundo ladrilhado de
tijolo, se encontrou reunida uma ossada contida dentro de um cesto de vimes em
grau adiantado de putrefação, e dispersos e envolvidos em terra vários ossos.
Dentro n’uma urna, foram colocados todos os ossos que se descobriram, ficando
na parte superior postos sobre um pano preto, e separados dos restantes, os
ossos que se encontraram dispersos. Foi fechada a urna, lacrada, e selada com o
selo da Direção das Obras Públicas; foi em seguida entregue à madre abadessa,
que dela ficou depositária.» (obra
citada, páginas 13 e 14).
O padre Viegas pediu que fossem examinados
esses ossos por peritos. Isso veio mais tarde a acontecer, mas a conclusão não
foi brilhante. Esses médicos especialistas disseram que a ciência estava ainda
numa fase rudimentar para poder decidir concludentemente sobre assuntos tão
delicados.
O visconde de Juromenha, que pertencia à
Comissão encarregada de averiguar a verdade sobre os ditos ossos, sugeriu – em
uma carta interessantíssima – que se levassem para Belém todos os ossos
encontrados e se juntassem aos que já lá estavam, pois Camões amou o povo e não
se importaria que os seus ossos estivessem juntos com os desse mesmo povo. Deu
o exemplo de Cervantes que – segundo o marquês de Molins: «Todo el monasterio es su tumba; toda la comunidade sera siempre su
família.»
A 10 de Julho de 1881 os médicos
elaboraram um relatório, dando como concluído o exame aos ossos encontrados: «devemos declarar que dos caracteres por nós
observados em todos os ossos, nada se nos depara que nos permita supor haver
entre estes alguns pertencentes a Luís de Camões.»
O padre Viegas não põe em causa esse exame
aos ossos, porém, argumenta que o mesmo não provou absolutamente nada: «o mais que se pode dizer é não haver base
para cientificamente afirmar que ali se acham ossos de um indivíduo de alta
inteligência.» A seguir dá-nos uma lista de autores que se referiram ao
local onde se enterrou Camões: Estevem Lopes (Rythmas de Luís de Camões, 1595);
Pedro de Mariz (1613), Manuel Correia (1613); Manuel Severim de Faria (1624);
Manuel Faria Sousa (1639, 1685 e 1689); Diogo Mouro de Sousa (1638); Frei
Fernando da Soledade (Historia Seraphica, 1709); Diogo Barbosa Machado (1752);
Francisco Xavier Coelho (1779); Thomas José de Aguiar (1779, 1780 e 1815); frei
Cláudio da Conceição (1818); José Maria da Costa e Silva (Ensaio
bibliográfico-critico).
Documentado, e muito bem documentado,
estava, sem quaisquer dúvidas, o padre Viegas, mas, mesmo assim, os ossos
ficaram por identificar. Depois destas canseiras todas para nada, quase apetece
dizer: Ah Camões, pobre Camões! Não
tiveste sossego em vida; não te dão descanso na sepultura!
Em 1884, catorze de Junho, o capelão
Viegas dirigiu ao ministro do reino um ofício, no qual informava que a abadessa
tinha falecido a 4 de Maio desse ano. Era tempo de dar um destino aos ossos
encontrados. Perguntava: «Quem tomará
hoje a responsabilidade deste depósito?» Não se tem conhecimento da
resposta, se é que a houve. // Em 1928 perguntava Adolfo Faria de Castro
(Camões e a Epopeia Nacional. Funchal. Tipografia Diário de Notícias, página
18): «Onde param os ossos de Camões?»
EDIÇÕES
COMEMORATIVAS
Diz a Doutora Manuela de Azevedo no seu
artigo “O povo oitocentista celebrou Camões sob o signo do espírito
democrático”, inserido na obra coletiva “Estudos Sobre Camões”: «Historiadores e críticos lançam-se então no
estudo, na repescagem, na pesquisa exaltante, procurando no vácuo e no escuro o
culto que o tempo parecia ter devorado.» // Camões tinha sido editado,
comentado, apreciado, no século XVI, XVII e XVIII; mas, a sua obra,
encontrava-se em gabinetes atapetados, no silêncio pesado dos palácios e casas
senhoriais. O século XIX trouxe o poeta à rua, ao povo. A imprensa fez questão
em lembrar a todo o mundo que Camões pertencia a todos os portugueses e não
somente a alguns privilegiados. É também em 1880 que Carolina Michaelis inicia
os seus estudos sobre o nosso poeta maior e Oliveira Martins começa a rever o
seu Camões (Os Lusíadas e a Renascença em Portugal). Escreveu ele: «Anos depois, em 1880, já regresso à pátria,
e assistindo ao centenário de Camões, tornou-me o desejo de refazer a obra de
1872…» Vejamos algumas (mencioná-las todas seria extremamente difícil,
devido à sua quantidade) das edições surgidas no ano de 1880 que se debruçam
sobre a vida e a obra do poeta:
- OS LUSÍADAS de Luís de
Camões. Edição crítica-comemorativa do terceiro centenário da morte do grande
poeta. Publicada no Porto por Emílio Biel. Leipzig Typ. Giesecke &
Devrient, 1880.
- OS LUSÍADAS. Edição
consagrada a comemorar o terceiro centenário da morte do poeta da nacionalidade
portuguesa, pelo Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro. Revisão do
texto do poema e observações filológicas por Adolfo Coelho, prefácio crítico de
Ramalho Ortigão; notícia histórica do Gabinete Português de Leitura, de
Reinaldo Carlos Montoro. Ano de 1880. Lisboa, na oficina de Castro Irmão
Impressor.
- OS LUSÍADAS de Luís de
Camões. Edição consagrada ao terceiro centenário da morte do poeta. Porto,
Imprensa Portuguesa, 1880.
- OS LUSÍADAS, por Luís
de Camões. Edição popular gratuita da empresa do Diário de Notícias,
comemorando o tricentenário da morte do poeta, especialmente dedicada aos
assinantes e leitores habituais do mencionado diário. Trinta mil exemplares.
Reprodução crítica sob a direção de F. Adolfo Coelho, da 2.ª edição de 1572,
feita durante a vida do poeta. Lisboa, (Tipografia Universal de T. Q. Antunes)
1880.
- Parnaso de Luís de
Camões. Edição das poesias líricas consagradas à comemoração do centenário de
Camões (com introdução histórica sobre a história da recensão do texto lírico
por Teófilo Braga). Porto, Imprensa Internacional, 1880.
- Poesias Líricas de Luís
de Camões. Edição brasileira comemorativa do terceiro centenário. Rio de
Janeiro (1880?).
- Comédias de Luís de
Camões. 1.º El Rei Seleuco. 2.º Os Anfitriões. 3.º Filodemo. Lisboa. Editor A.
L. Leitão, 1880.
- Sonetos. Edição
especial do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco para comemorar o
terceiro centenário do grande épico em 10 de Junho de 1880. Porto, Imprensa
Portuguesa, 1880.
- Excertos das obras de
Luís de Camões. Publicados por subscrição promovida entre a classe académica de
Lisboa. Lisboa, Matos Moreira, 1880.
- A Fábula de Narciso,
por Luís de Camões. Porto, Imprensa Internacional, 1880 (a pérola do
centenário).
- Luís de Camões.
Sammtliche Gedichte. Zum ersten Male deutsch von Wilhelm Storck. (Obras
completas de Luís de Camões pela primeira vez publicadas em alemão por …)
Paderborn, F. Schoningh, 1880-1886
- Versão Francesa de Os
Lusíadas de Camões. Pelo Duque de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein, com o
texto original, antecedida de um preâmbulo do Professor Pereira Caldas… Porto,
Tipografia Central, 1880 (exemplar n.º 174).
- I Lusiadi di Luigi
Camoens. Colla vita dell’Autore. Traduzione com note di Adriano Bonaretti.
Livorno, 1880.
- ABREU, C. Vasconcelos.
Fragmentos de uma tentativa de estudo escoliástico (*) da epopeia portuguesa.
Lisboa, 1880. // (*) Escoliasta
ou escoliaste: aquele que faz escólios acerca de algum autor clássico;
comentador, explicador.
- Álbum Literário.
Comemorativo do tricentenário de Luís de Camões, com a colaboração dos
principais escritores nacionais e estrangeiros. Publicado por Francisco Xavier
Esteves. Porto, 1880.
- Luís de Camões,
marinheiro. Almeida d’Eça. Estudo. Lisboa, 1880.
- A Vida de Camões.
Thomás Joséph de Aquino. Seguida de outra notícia da sua existência por Manuel
de Faria e Sousa. Porto, 1880.
- Argumentos de OS
LUSÍADAS. Transcrição dos Autógrafos. Lisboa, 1880.
- A Luís de Camões.
Homenagem com notas curiosas e três inéditos do poeta. Évora, 1880.
- Lira Camoniana. Lisboa,
1880. Bastos Teixeira.
- Bibliografia Camoniana.
Coordenada pela Comissão Literária das festas. Porto. Palácio de Cristal,
1580-1880 (catálogo oficial da exposição camoniana do centenário, no Palácio de
Crista, Porto).
- Boletim do Centenário.
Revista de assuntos relativos à comemoração do 3.º centenário de Luís de
Camões. Edição da Empresa do Jornal de Viagens (números 1 e 2, Março de 1880)
Porto.
- Braga, Teófilo.
Bibliografia Camoniana, Lisboa, 1880. (exemplar n.º 314).
- Brandão, Álvaro de
Paiva de Faria. “A Luís de Camões”, 10 de Junho de 1880, Porto, 1880.
- C, J. G. Resumo
histórico da vida do grande poeta Luís de Camões, dedicado ao seu aniversário.
Lisboa, 1880.
- CAMÕES. Publicação
especial do Grémio Literário Faialense para comemorar o tricentenário do grande
épico português. Número único. Faial, 1880.
- CAMÕES. Publicação
consagrada ao tricentenário do imortal poeta, pela Biblioteca Progressista.
Número único. Lisboa, 1880.
- Gardon, Raffaele. “Luigi
di Camoens. 300 anni dopo la sua morte. Pisa, 1880.
- Castelo Branco, Camilo.
“Luís de Camões”. Notas biográficas. Prefácio da 7.ª edição de “Camões”, de
Almeida Garrett. Porto, 1880.
- Celso Junior, Afonso.
“Camões”. São Paulo, 1880 (edição comemorativa do centenário. Volume V da
Biblioteca UTIL).
- Coelho Junior, Eduardo.
Preleção no Instituto Poliglota de Paris, 1880.
- Cordeiro, Luciano. O
Centenário de Camões. Lisboa, 1880.
- Corona poética y
literaria dedicada a Luiz de Camões en la comemoracion de su muerte, por la
literatura y artes de España. Lisboa, 1880.
- Dantas, Manuel Emílio.
Paralelo entre Virgílio e Camões. Conferência pronunciada em sessão solene da
Sociedade Nova Euterpe, a 13/6/1880. Lisboa, 1880.
- Deus, João de. “Os
Lusíadas e a Conversação Preambular. Carta a Avelino de Sousa.” Lisboa,
1880.
- Ficalho, Conde de.
“Flora de OS LUSÍADAS”. Lisboa, 1880.
- Gomes Leal. “A Fome de
Camões”. Poema em quatro cantos. Porto, 1880.
- Goyri, Nicolas de.
“Estudio Critico-Analitico Sobre las Versiones Españolas de OS LUSÍADAS”.
Lisboa, 1880.
- Homenagem a Luís de
Camões. Sessão Solene da Associação Tipográfica Lisbonense para comemorar o
tricentenário. Lisboa, I. Nacional, 1880.
- Hugo, Vítor. “A
Camões”. Carta ao senhor J. Carrilho Videira, Lisboa, 1880.
- Jardim, Cipriano.
“Camões”. Drama histórico em cinco atos. Porto, 1880.
- Landelle, G. de la. “A
Velhice de Camões”. Tradução de J. L. Rodrigues Trigueiros. Segunda edição.
Lisboa, 1880.
- Latino Coelho, J. M.
“Luís de Camões” (galeria dos varões ilustres). Lisboa, 1880.
- Latino Coelho, J. M.
“Panegírico de Luís de Camões”. Lido na sessão solene da Academia Real das
Ciências de Lisboa a 9/6/1880.
- Lemos, Miguel. “Luis de
Camoens”. Paris, 1880.
- Mazoni, Pedro. “Luiz de
Camões”. No tricentenário do poeta, Porto, 1880.
- Mesnier, Pedro Gastão.
“A Odisseia Camoniana”. Conferência preliminar da celebração do tricentenário
do poeta a 16/5/1880.
- Navery, Raoul. “Les
voyages de Camoens”. Paris, 1880.
- Ortigão, Ramalho. “Louis
de Camões – La renaissance et les Lusiades”. Tradução du portugais par F. F.
Steenackers. Lisbonne, 1880.
- Pinheiro Chagas. “O
Centenário de Camões”. Breve explicação da comemoração nacional de 1880. //
Lisboa, 1880.
- Pussich, Antonia.
“Homenagem a Luís de Camões”. Lisboa, 1880.
- Revista Brasileira.
“Homenagem a Luiz de Camões”. Rio de Janeiro, 1880.
- Rocha, Augusto.
“Origens e Caracter da Epopeia Portuguesa”. Conferência proferida em a noite de
10 de Junho do ano corrente. Coimbra, 1880.
- Romeo Junior, Soares. “Homenagem
a Camões por ocasião do seu tricentenário a 10 de Junho de 1880”. Lisboa, 1880.
- Samodães, Conde de.
“Discurso inaugural proferido na Sociedade Nacional Camoniana”. Porto, 1880.
- Santos, Miguel Teotónio
dos. “Os grandes festejos ao tricentenário de Camões”. Lisboa, 1880.
- Teixeira Bastos. “Luís
de Camões e a nacionalidade portuguesa”. Comemoração do tricentenário, Lisboa,
1880.
- Vasconcelos, José Leite
de. “A Consciência dos Séculos”. Poema. No terceiro centenário de Camões.
Porto, 1880.
- Victor, Margarida.
“Camões e as mulheres portuguesas”. Conferência preliminar das festas do
centenário, realizada na sala da Sociedade de Geografia na noite de 6 de Junho
de 1880. Lisboa, 1880.
CONCLUSÃO
O século XIX viu nascer a camonologia,
mais precisamente a partir das comemorações do tricentenário da morte do genial
poeta. Se mais não se fizera, já se poderia considerar bastante. Contudo,
fez-se mais: ergueu-se bem alto o nome de Camões, em Portugal e no estrangeiro,
e através dele, da sua obra, levantou-se a moral dos portugueses. Acordou-se o
antigo orgulho nacional, tirou-se do letargo profundo os espíritos acomodados.
O republicanismo nascente precisava de uma voz autorizada, de um português de
têmpera como fora Camões, a fim de dar à Ideia Republicana autoridade e
prestígio. O regime monárquico sofria da doença do sono, os partidos afetos ao
regime, alternando no poder, na governação, digladiavam-se, acusavam-se
mutuamente de corrupção. Homens de prestígio, como Alexandre Herculano, tinham
abandonado a corte e toda a cambada de parasitas áulicos; Oliveira Martins
criticava – antes de ser chamado ao poder – severamente os corruptos ministros
e afins. Posteriormente viria ele próprio a ser acusado! Teófilo Braga diz que
é preciso fundar a nova ordem. Ramalho Ortigão vergastava impiedosamente os
governantes. Portugal necessitava urgentemente de renascer. A burguesia e a
classe trabalhadora precisavam de ter um papel mais ativo na sociedade, na tomada
de decisões, até na governação. Era inconcebível que o seu papel fosse tão
apagado, tão secundarizado.
A imprensa teve, nas comemorações, um
protagonismo indesmentível. Foi através de artigos publicados em diversos
jornais que se lançou a ideia dos festejos em honra do épico nacional e se
divulgou o programa dos mesmos. Sugestões foram surgindo e finalmente
concretizou-se a grande Festa nos dias 8, 9 e 10 de Junho. Os jornais fizeram
apelo ao rei Dom Luís e ao governo, às Academias, às Universidades, a fim de
participarem. Queriam que fosse uma homenagem de todos os portugueses e não de
um grupo, de uma classe, de um partido. Conseguiu-se isso, embora com
limitações e constrangimentos. O visconde de Juromenha, por exemplo, que
presidia à Comissão de Salvação Pública desistiu. O rei e o governo
participaram contra vontade, ou melhor, sem grande entusiasmo: apreciariam mais
uma festa da qual o povo estivesse arredado, uma festa menos ruidosa. Algumas
entidades, como por exemplo a Comissão Nacional do Primeiro de Dezembro, ainda
tentaram impor o seu ponto de vista sobre a maneira como deviam ser feitas
esses festejos – não o conseguiram, obviamente.
E o milagre aconteceu! A vontade de fazer,
de elaborar coisas surgiu: fundação do Ateneu Comercial de Lisboa pela
Associação dos Empregados do Comércio e Indústria, o qual teria como objetivo
um ensino de tipo novo, plenamente livre, criativo; em Cascais nasceu uma
Estação de Socorros a Náufragos, pela Associação Comercial de Lisboa;
inaugura-se em Lisboa o bairro Camões; edificam-se teatros em Belém e Santarém
como o nome glorioso de Luís de Camões; funda-se no Porto a Sociedade Nacional
Camoniana; etc.
O tricentenário é também o grito da
intelectualidade portuguesa clamando no deserto da indiferença e da
incompreensão. O poder instituído dormia suavemente sobre um passado grandioso,
esquecendo-se de que os tempos mudam, em princípio tudo evolui: as
mentalidades, o comportamento, até as necessidades. Vivemos sob o signo da
mudança, como nos lembrou Camões. O virar as costas, o fazer de conta que não
se vê, é um sinal de fraqueza. O rei e os seus apaniguados negavam-se a ver as
novas realidades, as solicitações de um povo que não queria estar em último
lugar em uma Europa em progresso.
Camões, se pudesse, teria agradecido as
homenagens que lhe foram prestadas por ocasião do tricentenário da sua morte.
Porém, para um escritor, o mais importante é que leiam aquilo que ele escreveu,
a sua obra. Esse apelo foi feito. Se o ouviram, não sei. Os que leem Camões
sentirão certamente, como eu sinto orgulho no seu Poeta.
No Panteão Nacional, Santa Engrácia,
existe um túmulo a Camões que não contém os ossos do poeta – é apenas um
símbolo! Os seus ossos, reduzidos com toda a probabilidade a pó, encontram-se
algures na cidade de Lisboa: Belém? Santa Ana? Mas que interessa a parte física
daquele que nos legou uma obra imorredoura, «uma literatura inteira», segundo um seu estudioso e grande
admirador.
A pátria não o esqueceu, a nação
orgulha-se dele e chama-lhe Príncipe dos Poetas. Os governantes, pressionados
pelos intelectuais, pelo povo em geral, têm vindo a prestar-lhe as honras
merecidas e devidas. O seu nome e a sua obra têm vindo sempre a agigantar-se,
quer em Portugal, quer por esse mundo fora. A sua obra, sobretudo OS LUSÍADAS,
está traduzida em quase todas as línguas importantes do planeta. É comparado a
Homero, Virgílio, Cervantes, Dante, e a tantos outros que deram à humanidade
monumentos de grande valor espiritual que vão ao longo dos séculos contribuindo
para formar o homem novo.
BIBLIOGRAFIA
- Belchior, Maria de
Lourdes. “Problemática Religiosas na Lírica de Camões” (in Revista da Faculdade
de Letras; número especial, Dezembro de 1983), páginas 85 a 98.
- Braga, Teófilo.
“História da Literatura Portuguesa. Renascença.” Volume II, Imprensa Nacional,
Casa da Moeda, 1984.
- Buescu, Maria Leonor
Carvalhão. “Ensaios de Literatura Portuguesa”. Primeira edição. Editora
Presença, 1986, páginas 14 a 35.
- Cabral, Alexandre.
“Notas Oitocentistas”, I e II – 1.ª edição. Livros Horizonte, Lisboa, 1980.
- Cabral, Alexandre. “As
provocações da reação aos centenários camonianos“ (artigo inserido na Revista
Camões). Editora Caminho, Lisboa, Julho/Agosto de 1980, páginas 22 a 26.
- Cadernos de Literatura,
n.º 5. “Homenagem a Camões”. INIC, Coimbra, 1980.
- Câmara Municipal de
Lisboa. Pelouro da Cultura. Monumento a Luís de Camões. Brochura. Lisboa, 1991.
- Cidade, Hernâni.
“Prefácio e Notas às Obras Completas de Luís de Camões”. Sá da Costa Editora.
5.ª edição. Lisboa, 1985.
- Cidade, Hernâni. “Vida
e Obra de Luís de Camões”. Editora Presença. 4.ª edição. 1986.
- Coelho, Jacinto do Prado. “Celebrar Camões”
(in Colóquio Letras n.º 55, Maio de 1980, páginas 5 e 6).
- Coimbra, Leonardo.
“Dispersos”. I Poesia Portuguesa. Editorial Verbo, 1.ª edição, páginas 195 a
224.
- Dias, J. S. da Silva.
“Camões no Portugal de Quinhentos”. Biblioteca Breve, ICLP, 1.ª edição, Lisboa,
1981.
- Enciclopédia Luso
Brasileira de Cultura. Lisboa, Editorial Verbo. “Camões”. Volume IV, páginas
657 a 665.
- Exposição Camoniana.
Brochura do Ministério da Educação e Cultura. Biblioteca Nacional, sem data.
- Freitas, Jordão de.
“Dom Bento de Camões e o Príncipe dos Poetas Lusitanos” (edição correta e muito
ampliada de um artigo publicado no Diário de Notícias). Sociedade Tipográfica
Editora. Lisboa, 1917.
- Grande Enciclopédia
Portuguesa e Brasileira. Lisboa – Rio de Janeiro. Editorial Enciclopédia, Lda.
“Camões”. Páginas 614 a 627.
- Junior, Soares Romeo.
“Homenagem a Camões por ocasião do seu tricentenário a 10 de Junho de 1880”.
Lisboa, Tipografia Nova Minerva, 1880.
- Mariz, Pedro de. “Vida
de Camões” (reprodução da portada e biografia de Luís de Camões; edição de Os
Lusíadas de 1613). Lisboa, IN/CM, 1980.
- Martins, Oliveira.
“Camões, Os Lusíadas e a Renascença em Portugal”. Guimarães Editora. 4.ª
edição, Lisboa, 1986.
- Mendes, João.
“Literatura Portuguesa”, I. 2.ª edição. Editorial Verbo. Lisboa, 1981, páginas
231 a 366.
- Pimpão, Álvaro Júlio da
Costa. “Os Lusíadas de Luís de Camões” (excelente prefácio do grande
camonólogo). ICLP, 2.ª edição. Lisboa, 1989.
- Pires, Maria Lucília
Gonçalves. “A crítica camoniana no século XVII”. Biblioteca Breve. ICLP. 1.ª
edição. Lisboa, 1982.
- Ramalho, Américo da
Costa. “Recensão crítica à vida ignorada de Camões”, de José Hermano Saraiva.
Separata de HVMANITAS XXIX-XXX.
- Rocha, Andrée. “A
epopeia da hora e a epopeia de sempre” (in Colóquio Letras n.º 58. Novembro de
1980).
- Saraiva, António José.
“Para a História da Cultura em Portugal”. I e II. 5.ª edição. Livraria
Bertrand, 1980, volume I, páginas 81-161; volume II, páginas 15-145.
- Saraiva, António José e
Lopes, Óscar. “História da Literatura Portuguesa”. Nona edição. Porto Editora,
1976; páginas 329-374.
- Sena, Jorge de. “Os
sonetos de Camões e o soneto quinhentista peninsular”. 2.ª edição. Edições 70,
1981.
- Sérgio, António.
“Ensaios”. Tomo IV. 2.ª edição. Guimarães Editora. Lisboa, 1959.
- Trigueiros, Luís
Forjaz. “Visão sócio-política dos séculos XV e XVI na Europa. Comissão
Executiva do IV centenário da publicação de OS LUSÍADAS. Lisboa, 1972.
- Vários. “Estudos Sobre
Camões” (páginas do Diário de Notícias, dedicadas ao poeta no 4.º centenário da
sua morte). Coedição IN/CM e Editorial Notícias. Lisboa, 1981.
- Vários. “Camões e a
Identidade Nacional” (edição sob os auspícios da Comissão Organizadora das
Comemorações do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas).
IN/CM. 1.ª edição. Lisboa, 1980 (ou 1981).
- Vasconcelos, Carolina
Michaelis de. I “O Cancioneiro Fernandes Tomás”. II “O Cancioneiro do Padre
Pedro Ribeiro”. IN/CM. Lisboa, 1980.
- Vasconcelos, Carolina
Michaelis de. “Pedro de Andrade Caminha” (subsídios para o estudo da sua vida e
obra). INIC. Lisboa, 1982; páginas 49 a 52. Caminha e Camões.
- Viegas, Sebastião de
Almeida. “A verdade acerca dos ossos de Luiz de Camões. Lisboa, Tipografia da
Companhia Nacional Editora, 1893.