ESCRITORES E INVESTIGADORES MELGACENSES (e
AFINS)
Joaquim A. Rocha
Edição de autor
Título:
Escritores e Investigadores Melgacenses (e afins)
Autor
– Joaquim Agostinho da Rocha
Capa
– desenho de Manuel Félix Igrejas
Contra
capa – desenho de Manuel Félix Igrejas
Fotografias
–
Execução
gráfica –
Tiragem
–
Depósito
legal –
ISBN
–
Data
de edição –
Correio
eletrónico: joaquim.a.rocha@sapo.pt
Blogue:
Melgaço, Minha Terra
Obras do autor
Obras a publicar
Poemas
do Vento
Sonetos
do Sol e da Lua
Quadras
ao deus dará
Escritos
Sobre Melgaço
Entre
Mortos e Feridos (romance)
Lembranças
Amargas (romance)
Gentes
do Concelho de Melgaço (biografias)
Dicionário
Enciclopédico de Melgaço
A
Minha Vida em Imagens
A
minha religião e outros escritos
Auto
da Palina
Melgaço:
Padres, Monges e Frades
Frágeis
Elos (2.ª edição)
Escritores
e Investigadores Melgacenses (e afins)
Conto
(O Fim de um Sonho)
Ferreira
da Silva
Sob
o Signo do Azar
Obras publicadas
Livros
Frágeis
Elos (uma história familiar)
1.ª edição
Dicionário
Enciclopédico de Melgaço (I e II volumes)
Lina
– Filha de Pã (romance)
Os
Meus Sonetos e os do frade
Os
Novos Lusíadas (de 1500 a 1974)
Melgacenses
na I Grande Guerra …
(em parceria com Valter Alves)
Separatas
A
Origem de Algumas Famílias Melgacenses
A
Febre Tifoide e os seus Protagonistas
Tomás
das Quingostas (200 anos do seu nascimento)
A
Provável Origem de Melgaço e Paderne
Prefácios nos seguintes livros de José A. Cerdeira
e do Dr. Augusto César Esteves:
Tomaz das Quingostas (JAC)
O Buraco da Serpe (JAC)
A Adversidade por Madrasta (JAC)
O Sonhador dos Montes da Aguieira (JAC)
Nas Páginas do Notícias de Melgaço (ACE)
Colaborações
No Boletim dos Serviços Sociais da CGD
No Boletim Cultural da Câmara Municipal de Melgaço
No jornal A Voz de Melgaço
No jornal Fronteira Notícias
Artigo sobre o santuário da Peneda no livro Lugares Sagrados
de Portugal I,
editado pelo Círculo de Leitores em 2016.
Apresentação
Quando comecei esta pesquisa não fazia a mínima ideia de quantos
escritores houve e há em Melgaço, concelho do Alto Minho. Uma coisa tinha como
certa: não seriam muitos, meia dúzia se tanto, mas enganei-me redondamente.
Felizmente são mais, e alguns deles, os que já morreram, deixaram obras com
muita qualidade. Quanto àqueles que ainda escrevem, vão-nos surpreendendo com
bons trabalhos de escrita. Apenas vou considerar aqueles escritores que têm
alguma notoriedade, editaram, ou alguém editou por eles, livros, quer na área
da ficção e da poesia, quer na área da investigação histórica, ou no ensaio. Abriria,
no entanto, uma exceção: a Dr.ª Ana Maria Fernandes, nascida em Melgaço no ano
de 1953, tem escrito, ao longo dos anos, poesia, sobretudo sonetos, com uma
mestria inexcedível. Contudo, até agora, nada publicou. É pena, porque a sua
escrita é do melhor que há. Não se explica a sua recusa em publicar aqueles
poemas maravilhosos. Esperemos que um dia vá a uma Tipografia e mande fazer uns
quantos exemplares dos seus belos sonetos, a fim de nós, leitores, termos
acesso a eles. Quererá ela imitar Fernando Pessoa, que guardava toda a sua obra
literária em uma arca? Façamos votos para que a escritora Ana Maria se decida
pela publicação e não pelo escondimento.
Os escritores vão ser colocados por ordem
cronológica de nascimento. Esta arrumação tem uma vantagem: sabemos que os
primeiros são os mais antigos, e à medida que formos folheando as páginas
encontraremos os mais novos. Tenho pena não dominar a cem por cento o latim; se tivesse esse
conhecimento traduziria para a língua portuguesa os textos de frei Francisco
Melgaço e de outros. O Professor Doutor José Marques levou anos à volta do
Cartulário do Mosteiro de Fiães, escrito em latim, mas, apesar de ter fixado o
texto, não o traduziu para português, o que todos devemos lamentar. Lembro que
há muitos anos, quando eu residia em Lisboa, pedi a dois ou três franciscanos,
mestres de latim, para me ajudarem a traduzir para a nossa língua os forais
dados a Melgaço pelos primeiros reis de Portugal. Quando se deu por finda essa
tarefa, publiquei-os em “A Voz de Melgaço”. É óbvio que muitos dos leitores
desse jornal não ligaram absolutamente nada a esse trabalho; provavelmente nem
atribuem grande significado a esses textos antigos, de uma grande importância
para a história de Melgaço. Costuma-se dizer que ninguém é santo na sua terra
natal. Os melgacenses em geral nunca gabaram muito os seus conterrâneos.
Fala-se em inveja, preguiça mental, desprendimento; seja o que for, aquele que
nasce em terras melgacenses não espere grande coisa dos seus conterrâneos.
Admiram mais os de fora. Podem eles não ter grande obra publicada, podem até
ser medíocres, mas vieram de outro sítio qualquer. Se virmos a toponímia,
ficamos todos de boca aberta: Rua Afonso Costa, Avenida Salgueiro Maia, Largo
Amadeu Abílio Lopes {embora natural de Melgaço passou quase toda a
sua vida no Brasil; que eu saiba, não se destacou em nada, apenas ajudou a
criar uma sociedade anónima, o que é, quanto a mim, vulgaríssimo; muito mais
fez pela nossa terra o comerciante José Cândido Gomes de Abreu (1825-1908) e tiraram-no do Largo da Calçada para lhe darem uma ruazinha com meia
dúzia de metros de comprimento}, Rua das Carvalhiças, etc.
Hermenegildo José Solheiro (1868-1931), apesar de ter
sido um grande político concelhio, não devia, quanto a mim, ter um Largo e uma
Rua com o seu nome. Ficaram esquecidas figuras como o grande escritor
melgacense Miguel Ângelo Barros Ferreira (1906-1996), Mestre Morais
(1890-1971), o escultor Acácio Dias (1935-2013), Manuel Félix Igrejas (1928-2019), Óscar Marinho
(1911-2001), Padre Bernardo Pintor (1911-1996), etc. Eu espero, com este humilde trabalho,
avivar a memória dos políticos concelhios para que prestem alguma justiça a
esses melgacenses de primeira categoria, que andam tão esquecidos.
ESCRITORES E
INVESTIGADORES MELGACENSES…
- Francisco Melgaço (Frei). Nasceu no
concelho de Melgaço no ano de …? (não descobri até
agora a data de seu nascimento). Foi religioso da Ordem de
São Bernardo. Escreveu várias obras, relacionadas com a doutrina cristã, as
quais não foram impressas. Os seus manuscritos (escritos em latim) conservam-se na livraria do Convento de Alcobaça, à espera de um
especialista que os analise e divulgue. // (ver Dicionário Histórico,
Biográfico, Bibliográfico, Heráldico, Corográfico, Numismático e Artístico.
João Romano Torres – Editor. Lisboa – 1903. Página 960).
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- Martinho de Melo e Castro (Dr.) Embora
conste que nasceu em Lisboa, monsenhor Almeida Silvano, na sua obra «As Águas de Melgaço», diz que ele nasceu
em Melgaço (ver Padre Júlio Apresenta Mário, página 146). Como não tenho em meu poder fotocópia do seu assento de batismo, nem
sequer do seu assento de óbito, limito-me a transcrever o texto seguinte,
inserido no Dicionário Histórico, Biográfico, Bibliográfico, Heráldico,
Corográfico, Numismático e Artístico. João Romano Torres, Editor. Lisboa, 1903:
{«Estadista e grande diplomata. Nasceu em Lisboa a 11/11/1716 e faleceu a
24/3/1795. Era filho de Francisco de Melo e Castro, descendente da família dos
Castro de Melgaço, tronco das casas dos condes de Resende e das Galveias.
Destinando-se à vida eclesiástica, cursou filosofia na Universidade de Évora,
pertencente à Companhia de Jesus, e obteve – ainda muito novo – o grau de
bacharel, distinguindo-se por se mostrar um fervoroso apologista da filosofia
peripatética, defendida pelos jesuítas contra os adversários, entre os quais
tinham o mais importante lugar os congregados do Oratório. Passou depois a
estudar Direito Pontifício, na Universidade de Coimbra, em que recebeu também o
grau de bacharel, e por influência da família foi provido – ainda em curta
idade – num canonicato da Sé Patriarcal. Mas a sua inteligência e vocação o
chamavam a outra carreira, porque a eclesiástica nada lhe sorria. Favorecido
pela proteção e amizade de el-rei D. José, encetou a carreira diplomática, indo
em 1751 representar Portugal como enviado junto aos estados gerais das
Províncias Unidas, sendo pouco depois, em 1754, transferido para a corte de
Londres, onde o rei Jorge II o tratou com a maior distinção. Sucedendo em
Lisboa o grande terramoto do primeiro de novembro de 1755, calamidade que
excitou a compaixão dos ingleses, Jorge II resolveu acudir com avultada
quantia, sob o pretexto de que Portugal ficaria colocado em sérios apuros
financeiros com tão lamentável desgraça. O ilustre diplomata, para não ser desagradável
ao soberano inglês, aceitou o donativo, e converteu-o a favor da sua terra,
comprando com ele um parque de artilharia que mandou a el-rei Dom José. Por
ocasião da guerra entre Espanha e Portugal, Martinho de Melo e Castro alcançou
pelo trato em que vivia com os principais membros do governo e com os chefes da
oposição, que segundo as letras dos tratados fossem mandados socorros de tropas
ao nosso país, apesar da malevolência de lorde Tyrawley, que tendo sido pouco
antes mandado a Portugal, informou o seu governo de que seria inútil qualquer
auxílio porque Portugal decerto não poderia resistir a três meses de campanha.
Foi ainda por intervenção de Martinho de Melo e Castro que se estipularam os
contratos com que vieram servir no nosso exército muitos oficiais dos que então
andavam a soldo de estrangeiros, e - segundo as próprias palavras do marquês de
Pombal - o nosso enviado executou habilíssima e zelosissimamente todas as
instruções durante a guerra de 1762. No ano de 1763 foi mandado a Paris para
tomar parte no congresso em que se negociou a paz entre Portugal, França,
Inglaterra e Espanha, e pretendendo o duque de Choiseul, então ministro dos
estrangeiros de Luís xv, manter a preeminência da sua nação na assinatura do
tratado, com tais razões sustentou o nosso representante o direito de Portugal,
que logrou afinal sair quanto possível airoso dessas pendências diplomáticas.
Diz-se que apenas terminou o congresso, el-rei Dom José mostrara desejos de
aproveitar o superior talento e o valioso critério de Martinho de Melo e Castro
para tomar parte no ministério, mas que o marquês de Pombal conseguira demorar
a entrada do distinto diplomata, alegando a grande falta que fazia na corte de
Londres um homem de tanta habilidade e competência, e Martinho de Melo e Castro
voltara para aquela missão diplomática, onde se conservou até 1770, ano em que
regressou ao reino, entrando então no ministério para dirigir a repartição do
ultramar, lugar que ficara vago pela morte de Francisco Xavier de Mendonça,
irmão do marquês de Pombal. Martinho de Melo e Castro era tido em alto conceito
no Paço, e era indicado pela opinião pública como um dos infalíveis sucessores
do marquês de Pombal, se o rei viesse a falecer, ou se por qualquer
circunstância o primeiro-ministro se demitisse do elevado cargo que exercia.
Martinho de Melo, apenas entrou na gerência dos negócios, não poupava as
censuras e sátiras ao sistema de governo seguido em Portugal e começou a
disputar a primazia e a minar a influência do marquês de Pombal, mas este em
breve o fez moderar e recolher ao silêncio, valendo talvez a Martinho de Melo e
Castro a sua incontestável habilidade própria e a amizade de el-rei Dom José,
para que o primeiro-ministro o não obrigasse a seguir o caminho do desterro,
para onde já enviara três dos seus colegas no ministério. Contudo, Martinho de
Melo e Castro, embora se julgasse superior à justa medida dos seus
merecimentos, era cuidadosamente aplicado aos negócios da sua secretaria, e
sobre os mais graves temas da administração e reforma das colónias, escrevia
memórias e projetos que eram justamente apreciados pelo exato conhecimento dos
assuntos e pela madureza dos alvitres. Quando faleceu el-rei D. José e se
desencadearam todos os ódios contra o marquês de Pombal, aproveitou a ocasião
para se vingar, sugerindo a ideia de que se instaurasse processo contra o
poderoso ministro, ideia que foi logo aceite. Foi ele quem se encarregou de
anunciar ao marquês de Pombal que estava demitido dos altos cargos que exercia.
No reinado de Dona Maria I continuou fazendo parte do ministério, e foi então
que empreendeu notáveis reformas, organizando o quadro dos oficiais da armada,
melhorando os estudos, aumentando o número de vasos da esquadra, mandando
construir o dique no arsenal, alargando extraordinariamente a Cordoaria, e reorganizando
o arsenal, podendo quase dizer-se que a todos os ramos de serviço naval levou a
sua inteligência e ousada iniciativa. Escreveu: «Memória sobre o projeto da companhia da Índia». São muito
interessantes os documentos seguintes, parte impressos, parte manuscritos, que
servem para o estudo da história do Brasil, e dão uma ideia da importância dos
serviços prestados por Martinho de Melo e Castro; «Memória sobre o melhoramento dos domínios de sua majestade no Brasil»;
«Instruções de …, a Luís de Vasconcelos e
Sousa acerca do governo do Brasil»; com a data de 27/1/1779, e saíram na
revista do Instituto Histórico, tomo xxv, de 1862, página 479. Escreveu
diversos avisos, em diferentes datas, dirigidos ao Brasil, que vêm mencionados
no volume XVII do Dicionário Bibliográfico, páginas 6 e 7. Escreveu também
várias memórias sobre o comércio da Ásia, o plano de uma companhia para o
negócio de Cabo Verde, etc.}
