Escritores e Investigadores Melgacenses
Por Joaquim A. Rocha
- Miguel Ângelo de Barros Ferreira (Dr.) Filho de Miguel Augusto Ferreira, natural da Vila de Monção,
escrivão-notário, e da sua 2.ª esposa, Alice da Conceição de Barros, doméstica,
natural de Melgaço. Neto paterno de Justino Augusto Ferreira e de Francisca
Maria Teixeira Queiroz, de Merufe, Monção; neto materno de Agostinho Fernandes
de Barros e de Filomena Rosa de Sousa, de Melgaço. Nasceu na Rua do Espírito
Santo, Vila, à meia hora do dia 7/9/1906, e foi batizado a 27 desse mês pelo
presbítero Anacleto António Ferreira, pároco de São Tomé de Aguião, Arcos de
Valdevez. Padrinhos: José Fernandes de Barros, casado, negociante, e Júlia
Ferreira Santos de Barros, casada, negociante. // No verão de 1915 fez exame do
1.º grau, obtendo um «ótimo» (Correio de Melgaço n.º 157, de 18/7/1915). // No exame do 2.º grau, realizado a 6/8/1918, ficou
aprovado com distinção. // Foi jornalista e escritor de relevo. Começou a
colaborar no jornal “Melgacense” n.º 7, em 1926, com o artigo “Pôr-do-Sol”. No
n.º 9 aparece outro artigo seu, designado “O Lirismo”. No n.º 17, de 20/6/1926,
escreve “Decadência do Século XIX”. Colaborava igualmente em “O Comércio do
Porto”. // Como escritor, tem trinta e quatro obras publicadas. A partir do seu
livro “Maria dos Tojos”, publicado em 1935 (ou 1938,
pela Editora Educação Nacional, Porto) Carlos
Miranda realizou o filme “Serra Brava”, agora na Cinemateca, bastante
danificado, à espera que um mecenas o recupere (parece
que já está recuperado – confirmar). //
Estudou no Porto, na Escola Raul Dória, e em 1922 embarcou para o Brasil, para
ir trabalhar com um tio, que estava na Amazónia. Nesse dito ano regressa e só
volta em 1924, agora para se dedicar ao jornalismo. Em 1933 desembarca em
Portugal (ver NM 256, de 23/12/1934), onde se manterá até 1939; nesse ano parte com a família,
com receio da guerra, que destruiu parte da Europa. Penso que só voltou a Portugal
em 1973, visitando a sua mãe e irmãs, Armanda e Maria Alice, residentes em
Carvalhos, Porto. Seguiu depois para as colónias portuguesas, a convite do
governo brasileiro. // Em 1980 esteve em Melgaço e ofereceu exemplares à
Biblioteca Municipal de quatro dos seus livros: Serra Brava (reedição brasileira de Maria dos Tojos, 1951), Flauta Mágica (estes
dois relacionados com a terra melgacense),
Rainha do Meio Dia, e Amazónia Arrasada. Fez-se acompanhar por Alfredo Lourenço
do Paço e pelo motorista Fernando da Rocha. // Acerca dele, escreveu-se no
“Notícias de Melgaço” n.º 1854, de 20/2/1976: «Por esse mundo de Cristo topamos sempre com um português. Não é o caso
de hoje, com a paragem brasileira, onde nesse imenso território mourejam e
trabalham ainda milhares de nossos compatriotas. Particularmente, durante anos
e anos, a nossa emigração incidia sobretudo para as terras de lá do Atlântico,
o Brasil. E os minhotos, atraídos pela fama de ganhar dinheiro (e juntando-se a
outros familiares), deixavam as pobres terras minhotas – terras de fome – para
se aventurarem por uma vida melhor, (…), porque o torrão onde nasceram era-lhes
madrasto. Ao compulsarmos uma enciclopédia dedicada ao Brasil encontramos o
nome de um melgacense, que talvez seja conhecido de todos vós, leitores.
Trata-se do Dr. Miguel Ângelo Barros Ferreira, que aí nasceu a 7/9/1906. Partiu
para o Brasil em 1925, tendo-se fixado e permanecido dez anos, retornando
depois ao nosso país, para de novo ali voltar, na firme disposição de se
radicar em definitivo. Licenciado em Filosofia, abraçou o jornalismo, profissão
mais de seu gosto, que exerceu, nomeadamente, nos periódicos “Diário Nacional”,
“Correio Paulista”, “Diário de São Paulo” (um dos mais importantes e modernos
jornais brasileiros), “A Gazeta”, e o “Diário da Noite”. Mais tarde ingressou
nos “Diários Associados”, (…) e ainda no “Diário Popular”. Nas horas livres (…)
tem-se dedicado à literatura. Entre os diversos géneros que tem cultivado, avulta
o romance. Salientamos entre a sua obra em livro: “Maria dos Tojos” (publicado em
Portugal em 1938), “Terra sem Mulheres”, “Cadeia Eterna”, “Barba de Bode”,
“O Castelo dos Mistérios”, “Emília Ribas”, “O Vencedor da Peste”, “Fernão Dias
Pais”, “O Governador das Esmeraldas”, “A Cidade do Deus Amarelo”, “Lendas da
Península”, “Semeadores de Virtudes”, “O Filho do Trovão”, “Filhos de Adão”,
“Borba Gato”, “A Herança”, “A Rainha do Meio Dia”, “Cinzas da Esperança”, “O
Romance da Madeira Mamoré”, “Os Lobos”, “Verdades e Mistérios da Amazónia”.
Eis, em traços rápidos, o que respigamos e lemos da pequena biografia de Miguel
Ângelo Barros Ferreira que no Brasil continua a honrar o bom nome das letras e da
cultura lusíadas.» (L.O.) // Casou com Maria da
Conceição Concheta, de quem ficou viúvo. // Casou em segundas núpcias,
civilmente, em São Paulo, Brasil, com Maria da Conceição Jesus da Costa Ferreira
(Assento n.º 59-A/1992). // Foi membro da Academia Paulista de Letras, Academia de
Letras Lusíadas, Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, e Academia de
Jornalismo. // Morreu na sua casa de São Paulo, Brasil, a 16/12/1996. // Pai de
Alda, de Alice, do Dr. Eduardo, de Maria Helena, de Miguel Augusto, e de
Octávio Armando. // {Mais informação in “Padre Júlio Vaz apresenta Mário” (páginas 257 a 263); em A Voz de Melgaço n.º 1064, de 1 e 15/1/1997}.
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- Henrique Gregório Pereira (Dr.) Filho de Sebastião Pereira, natural de Albergaria, Ceivães (ou freguesia de São João de Sá), Monção, e de Deolinda da Encarnação Fernandes de Barros, natural de Paços, Melgaço, ambos professores do ensino primário na escola de Paços, moradores no lugar do Outeiro. Neto paterno de Gregório Pereira e de Maria Tavares; neto materno de Jerónimo Fernandes de Barros e de Isabel Maria Gonçalves. Nasceu em Paços, Melgaço, a 24/7/1909, e foi batizado na igreja paroquial a 31 desse mês e ano. Padrinhos: a sua avó materna e o padre Francisco António Gonçalves, pároco da freguesia de Prado. // Em julho de 1929 transitava para o 3.º ano de medicina; concluído o curso, sem ter perdido nenhum ano, foi colocado como médico escolar em Bragança. // Casou a 10/8/1932 na casa dos pais da noiva, sita no lugar do Sobreiro, Ceivães, Monção, com Maria Augusta, de vinte e sete anos de idade, filha de Augusto Abreu da Rocha e Sá e de Maria dos Prazeres Vieira, esta filha do escritor valenciano, autor do “Minho Pitoresco”. Foi médico no hospital Magalhães Lemos, sito no Porto, e por algum tempo dirigiu superiormente o Centro Psiquiátrico da Zona Norte. // Enviuvou a 14/2/1989. // Morreu a 20 de janeiro de 1990. // Escreveu sobretudo artigos científicos, tais como «Subsídios para a construção do Hospital Magalhães Lemos…» e «A Lição de Cabo Verde»
continua...
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