quarta-feira, 9 de setembro de 2026

ESCRITORES E INVESTIGADORES MELGACENSES

Por Joaquim A. Rocha 


continuação...


- António Augusto Durães (Dr.) Filho do Dr. António Joaquim Durães, natural de Paços, e de Beatriz Augusta Ribeiro Lima, proprietária, natural da Vila de Melgaço. Neto paterno de João Manuel Durães e de Francisca Caetana Pires, do lugar de Sá, freguesia de Paços, proprietários; neto materno de Carlos João Ribeiro [Lima] e de Ludovina Rosa dos Santos Lima, proprietários, da Vila. Nasceu no Campo da Feira de Fora às 13 horas de 24/7/1891, e foi batizado a 5 de Setembro desse ano. Padrinhos: os seus avós maternos. // Em 1908 concluiu os preparatórios num liceu do Porto (Jornal de Melgaço n.º 742). // A 18/7/1910, na Faculdade de Direito, fez ato das instituições de direito romano e de português. // A 20/6/1912 fez exame, com distinção, da 18.ª cadeira, medicina legal, e dias depois fez exame da 19.ª cadeira, direito internacional, 5.º ano; em Julho desse ano fez exame da 15.ª cadeira, 4.º ano, ficando distinto; também fez exame da 16.ª cadeira, 5.º ano, sendo aprovado com quinze valores (Correio de Melgaço n.º 8, de 28/7/1912), e direito colonial, 13.ª cadeira, 4.º ano (Correio de Melgaço n.º 10). // Formou-se em Ciências Jurídicas, na Universidade de Coimbra, a 13/8/1912. // A seguir abriu escritório em Melgaço, em cujo foro se estreou, a 12/11/1912, na defesa do padre José Joaquim Pinheiro, ex-pároco da Vila, conseguindo a sua absolvição; o padre fora acusado por Duarte de Magalhães de lhe ter recusado a comunhão na quaresma de 1902, praticando, por conseguinte, abuso de funções religiosas; o advogado de acusação era o Dr. Anselmo Ribeiro de Castro, advogado em Viana do Castelo. // Ainda nesse ano de 1912 foi nomeado subdelegado do Procurador da República em Melgaço (Correio de Melgaço n.º 30, de 29/12/1912), mas foi exonerado no ano seguinte (Correio de Melgaço n.º 59, de 27/7/1913). // Era um político ativo; aderira, depois de Outubro de 1910, ao Partido Republicano Português, e foi chefe, em Melgaço, do Partido Democrático, cujo presidente, ou secretário nacional, era o Dr. Afonso Costa. // Foi administrador do concelho de Melgaço, tomando posse a 24 de fevereiro de 1913, e esteve nesse cargo até maio do ano seguinte, interessando-se pelo prolongamento do caminho-de-ferro até Melgaço, mas os seus esforços foram em vão, devido em parte à falta de recursos financeiros por parte do Estado. Também lutou pela estrada para Castro Laboreiro, mas o dinheiro era escasso nessa altura. Quis para Melgaço a luz elétrica, água canalizada, etc., mas nada disso se tornou realidade durante a sua permanência no concelho. Foi ainda diretor do “Correio de Melgaço”, a partir do número 74, de 9/11/1913, mas devido a divergências com Hermenegildo José Solheiro, proprietário do jornal, afastou-se em 1915; o seu nome só aparece como diretor e editor até ao número 142, de 23/3/1915; a partir daí já figura como editor Adriano Augusto da Costa. // Suponho que em 1913 foi candidato a deputado pelo círculo de Melgaço (ver Correio de Melgaço n.º 57, de 13/7/1913). // A 28/11/1913, pelas 18 horas e 30 minutos, na Portela de Chaviães, quando vinha de moto de São Gregório para a Vila, foi de encontro a umas pedras que alguém, propositadamente, colocara na estrada; ficou ferido numa perna e num braço, e a motorizada ficou estragada (Correio de Melgaço n.º 77, de 30/11/1913). // Em sessão de 28/11/1913 o tribunal da Relação do Porto deu provimento ao agravo interposto por ele, Dr. Durães, do despacho do juiz de direito de Melgaço, que o inibia de advogar em polícia correcional de parte, com o fundamento de que ele era administrador do concelho (Correio de Melgaço n.º 77). // Em 1914 solicitou uma licença à Câmara Municipal para mandar fazer uns consertos no prédio que possuía na Rua Teófilo Braga, Vila, e para colocar umas pedras nessa rua, de maneira a não impedir o trânsito público, a qual lhe foi concedida (Correio de Melgaço n.º 97, de 26/4/1914). // Ainda em 1914 pediu a exoneração de administrador do concelho, pedido que foi aceite pelo Governador Civil do distrito (Correio de Melgaço n.º 98, de 3/5/1914). // Tudo lhe acontecia: pelas 23 horas de 2/5/1914, numa casa do lugar de Alcobaça, Lamas de Mouro, foi vítima de um acidente; estava encostado a uma varanda e esta cedeu, caindo sobre um pátio que se encontrava a quatro metros da varanda; foi socorrido por Jaime de Almeida, Macker Pinto, e por várias pessoas ali presentes. Felizmente o ferimento não era de grande gravidade; no dia seguinte regressou à Vila, onde foi analisado pelo Dr. Vitoriano (Correio de Melgaço n.º 99, de 10/5/1914). // A 7/9/1914, ele e mais três amigos, estiveram em perigo de vida em Vila Praia de Âncora, em virtude de se terem afastado da praia; foram socorridos pelos pescadores e banheiros, que os salvaram com imensa dificuldade (Correio de Melgaço n.º 115, de 8/9/1914). // Por despacho de 19/8/1915 foi nomeado notário interino da comarca de Monção, substituindo o Dr. Augusto César Esteves, que, a seu pedido, fora exonerado. Em Outubro ou Novembro desse ano foram-lhe concedidos trinta dias de licença (Correio de Melgaço n.º 174, de 14/11/1915). // Em 1916 foi-lhe oferecido de novo o cargo de administrador de Melgaço, mas recusou-o; aceitou, contudo, juntamente com o major reformado, Albino Pinto da Cunha, do Convento, Carvalhiças, o lugar de censor (Correio de Melgaço n.º 195, de 16/4/1916). Portugal entrara na I Guerra e a censura foi imposta aos meios de comunicação social. // Nesse ano de 1916 foi exonerado de notário interino em Monção (Correio de Melgaço n.º 199, de 14/5//1916). // Por causa de um artigo publicado no “Jornal de Melgaço” andou à tareia no dia 13/7/1916, quinta-feira, com o Dr. António Francisco de Sousa Araújo, no “Café Melgacense”; terminou com a intervenção de alguns amigos (Correio de Melgaço n.º 207, de 16/7/1916). // Foi advogado de defesa de “Amélia” Rodrigues, acusada de ofender a moral pública, a qual respondeu a 17/7/1916, ficando absolvida (Correio de Melgaço n.º 208, de 23/7/1916). // Casou na igreja de SMP em 1916 (o casamento civil decorrera na residência da noiva, Rua Mouzinho de Albuquerque, Valença, a 20/2/1916) com Maria Esménia, de dezoito anos de idade, de Santa Maria dos Anjos, Valença, filha de Francisco Antunes da Silva Guimarães, secretário de Finanças em São Tomé, e de Maria das Dores (ver Correio de Melgaço n.º 184, de 30/1/1916). // Em 1917 concorreu às eleições para a Câmara Municipal, em uma lista presidida pelo padre Francisco Leandro Álvares de Magalhães. // Em Janeiro de 1919 tomou posse do lugar de notário na Vila de Caminha (JM 1234). Não sei quanto tempo ali permaneceu, pois o casal partiu para África, São Tomé, nos primeiros dias de Agosto desse ano de 1919, onde ele iria desempenhar o cargo de administrador de concelho (JM 1257, de 10/8/1919); dali embarca para Angola, onde ele esteve ao serviço do general Norton de Matos. // Em 1929 foi nomeado Governador de Benguela (NM 27, de 25/8/1929). // De vez, em quando, vinha à sua terra natal, mais a mulher, pois filhos não tiveram, trazendo com eles os empregados, fixando-se um deles, o Joaquim, em Melgaço, onde arranjou emprego e casou. // Passava, no Cine Pelicano, alguns filmes que trazia de África, películas que mostravam a vida quotidiana dos naturais de Angola. // Em Julho de 1934 esteve em Melgaço; vinha de Benguela, onde era advogado; as coisas não lhe deviam estar a correr muito bem, pois tencionava fixar residência em Viana do Castelo (NM 238, de 8/7/1934). Em Outubro desse ano já exercia advocacia nessa cidade (NM 248, de 14/10/1934). Não deve ter tido o êxito que esperava, pois voltou para África. // Antes da independência da ex-colónia o casal regressa a Melgaço, onde possuía uma boa casa na Rua do Rio do Porto e uma ótima Quinta. // Depois de Abril de 1974 foi presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Melgaço, até às eleições. Tomou posse a 4/11/1974. Foi a primeira Comissão Administrativa a tomar posse no distrito de Viana. Colaboraram com ele: o Engenheiro Artur José Rodrigues, professor do ensino liceal em Monção (vogal); Albertino Domingues, comerciante (vogal); António Fernandes, industrial (vogal); Manuel da Cruz Dias, ourives (vogal). Era então Governador do distrito o capitão-tenente Joaquim Teixeira (NM 1843, de 10/11/1974). // Quis criar, na sua Quinta da Pigarra, uma Escola Agrícola, mas o Ministério da Educação não se interessou pelo projeto; assim, ofereceu-a aos BVM e à SCMM. // Em maio de 1976 publicou um livro “ANGOLA E O GENERAL NORTON DE MATOS – Subsídios para a História e para uma Biografia.” // O casal faleceu na Vila de Melgaço: ela a 26/9/1974 e ele a 24/10/1976. // Na sede do concelho existe uma rua com o seu nome. (Ler a entrevista que ele concedeu ao Correio de Melgaço n.º 219, de 8/10/1916; nessa altura encabeçava a lista do concelho que disputava a liderança da Câmara Municipal de Melgaço, cujo presidente era João Pires Teixeira; ver também “A Voz de Melgaço” n.º 379, de 15 de Junho de 1967).


 

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     Eurico Crispim (Eurico António Crispim da Silva). Filho de Francisco Crispim, carpinteiro, natural de Rouças, e de Maria Teresa Trancoso [da Silva], lavradeira, natural de Paços, moradores no lugar de Merelhe. Neto paterno de João Manuel Crispim e de Maria Rodrigues; neto materno de Francisco Trancoso e de Francisca Afonso. Nasceu em Paços a 18/9/1898 e foi batizado na igreja paroquial a 22 desse mês e ano. Padrinhos: António Trancoso da Silva, negociante, residente no Rio de Janeiro, Brasil, representado por Luís Martins, casado, lavrador, do lugar de Sá, Paços, e Alexandrina Gonçalves Torres, solteira, camponesa, moradora no lugar da Granja. // Ainda novo, embarcou para o Brasil, onde se tornou famoso.

     Vejamos o que se diz na Internet sobre ele: «Dois anos depois de chegar ao Brasil, em 1919, e a viver no Rio de Janeiro com amigos portugueses, iniciou a carreira de ator ao estrear-se na Companhia Eduardo Pereira com a peça “O Mártir do Calvário”, de Eduardo Garrido, apresentada no Teatro Carlos Gomes. Nos seguintes anos percorreu várias cidades brasileiras com diferentes companhias e peças teatrais, enquanto aprendia a arte do seu ofício e ganhava nome no meio artístico. Nos seus tempos livres escrevia histórias e peças teatrais, sem no entanto as publicar ou encenar. Anos mais tarde, em 1932, apresentou a primeira das quinze peças que escreveu até então: “Um Caso de Polícia”, estreando-se como dramaturgo na Companhia de Procópio Ferreira, notório ator e produtor, filho de pais portugueses, ainda hoje considerado um dos grandes nomes do teatro brasileiro. Com a mesma Companhia percorreu as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, apresentou as peças “Delicadeza”, 1933, “Pense Alto”, 1933, “Divorciados”, 1934, “Um Homem”, 1936, e “Frederico II”, 1936, todas da sua autoria, e traduziu outras nove obras, a pedido do próprio Procópio Ferreira. // No ramo das adaptações, durante a década de trinta e quarenta, realizou a tradução de várias peças do francês, italiano ou espanhol, muitas vezes em parceria com Djalma Betencourt, futuro administrador da Revista de Teatro da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Os autores que escolhia geralmente eram comediógrafos espanhóis ou da América Latina, como Enrique Suarez de Deza, Pedro Muñoz Seca, Perez Fernandes, ou ainda ingleses, como Harry Paulton e Oscar Wilde. // Em 1937 Eurico Silva fundou e dirigiu a Companhia Teatral Cazarré-Elza Delorges, continuando a actuar, escrever e encenar inúmeras peças. Nos seguintes anos iniciou uma nova fase na sua vida: estreou-se na rádio, atuando no programa “Teatro em Casa”, 1939, da Rádio Nacional, como ator e produtor, e no cinema, ajudando Luís de Barros com a adaptação do seu roteiro em “O Samba da Vida”, 1937, escrevendo os diálogos dos filmes “Asas do Brasil”, 1940, “Céu Azul”, 1941, que contava com a participação de Chianca de Garcia, e “Não Adianta Chorar”, 1945, com o comediante Oscarito e o compositor de samba português J. Rui, sendo o argumento inteiramente da sua autoria   

      «Entre 1947 e 1950 foi roteirista do programa “Poemas e Canções”, que teve continuação com “Poemas Sonoros”, da Rádio Nacional, e desde então como produtor tornou-se responsável por vários programas famosos à época, como “Versos e Melodias”, “Paisagens de Portugal”, “Casa da Sogra”, “Neguinho e Juraci”. Foi ainda autor de radionovelas, como “Boa Noite”, “Saudade”, 1962. “A Noite do Meu Destino”, 1957, além de ter traduzido outras, como “O Direito de Nascer”, 1951, de Félix Caignet, transmitida em 273 capítulos, tornando-se no caso de maior sucesso do género já registado no país. // Durante a década de cinquenta estreou-se na televisão, adaptando a peça de sua autoria “O Grande Marido”, para um episódio da série televisiva Grande Teatro Tupi, sendo novamente adaptado para o cinema como “Um Marido Barra-Limpa”, 1957, que marcou a estreia do ator comediante Ronald Golias (embora o seu lançamento tenha ocorrido dez anos depois). Mais tarde, em 1965, escreveu as novelas “Olhos Que Amei”, para a Rede Tupi, e “E a Primavera Chegou”, para a TV Rio. // No total escreveu trinta e três peças de teatro, mais de quarenta radionovelas, duas telenovelas, três filmes, traduziu trinta e quatro peças estrangeiras, actuou e encenou dezenas de peças, produziu inúmeros programas de rádio e ainda dirigiu alguns filmes


      «Português de nascimento, EACS nasceu na Vila de Melgaço a 16/9/1900 (!). Autor de radionovelas durante a era do rádio, mudou-se para o Brasil em 1916 e em 1919 iniciou a carreira de ator com a peça O Mártir do Calvário, de Eduardo Garrido, apresentada no Teatro Carlos Gomes. A mudança para o Rio de Janeiro dera-se por ter ali alguns amigos padeiros, mas logo Eurico Silva se interessa pelo meio artístico. A primeira das quinze peças que escreveu, estreou em 1932, pela Companhia de Procópio Ferreira, para quem traduziu outras tantas. Em 1939 transferiu-se para o rádio, atuando no programa “Teatro em Casa” da Rádio Nacional, como ator e produtor. Dois anos mais tarde voltou para o teatro e em 1945 voltou à emissora. Como produtor tornou-se responsável por vários programas famosos à época, como “Versos e Melodias”, “Casa da Sogra”, “Neguinho e Juraci”, e foi autor de vinte e oito radionovelas, além de ter traduzido outras, como o “Direito de Nascer”, de Félix Caignet, transmitida em 1951 em 273 capítulos, e que veio a ser o maior sucesso do género já registado no país. Com a estreia da televisão, é um dos redatores das novelas da Rede Tupi, onde escreveu “Olhos Que Amei”, em 1965…”»

 

     «E.A.C.S. nasceu em Portugal no dia 18/9/1900 (!). Aos dezasseis anos veio para o Brasil e três anos depois estreava como ator da Companhia Eduardo Pereira, no antigo Teatro Carlos Gomes, na peça “O Mártir do Calvário”. Em 1939 a Rádio Nacional o contratou como ator e produtor de peças para o saudoso e histórico Teatro em Casa. Em 1941 voltou ao teatro para em 1945 reingressar na PRE-8, dessa vez como ator, ensaiador e produtor. Redigiu, entre 1941 e 1959, cerca de 28 novelas e produziu inúmeros programas, entre os quais “Versos e Melodias”, “Casa da Sogra”, “Neguinho e Juraci”, “Tabuleiro da Baiana”, “Poemas Sonoros”, e “Você Faz o Programa”

 

continua...

 

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