sábado, 16 de janeiro de 2016

SONETOS

Por Joaquim A. Rocha


desenho de Rui Nunes

AUSÊNCIA




Quando me dirijo a ti, titubeio,
Não sei se ficarás triste ou alegre,
Se entrarás no meu sombrio casebre,
Fundida no sonho em que me enleio.

Sei bem que não sou bonito nem feio,
Nem consigo que outrem a mim se agregue;
Nem monge que somente a mim pregue,
Ou alma que colha o que eu semeio.

Sou corpo que se arrasta em lodaçais,
Semente que jamais germinará;
Terreno impróprio para semear.

Nasci só para te ver, nada mais…
Ares, minhas entranhas queimará
No fogo que se ateia no teu olhar.

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