domingo, 26 de maio de 2019

GENTES DO CONCELHO DE MELGAÇO
 
Freguesia de Alvaredo 
 
Por Joaquim A. Rocha
 
 
 



 
 
continuação
 
 
 
ABREU

    

ABREU, Albertina. Filha de Aureliano de Abreu, natural de Paderne, e de Augusta Esteves, natural de Alvaredo, viúva, tecedeira, residente no Maninho. Neta paterna de Caetano Manuel de Abreu e de Ana de Castro, lavradores, residentes em Ferreiros; neta materna de Rosa Esteves, solteira. Nasceu em Alvaredo a 10/9/1894 e foi batizada no dia seguinte. Padrinhos: José de Abreu e Maria de Abreu, solteiros, lavradores, do lugar de Ferreiros.

 

ABREU, Albina de Jesus. Filha de José Joaquim de Abreu, de Paderne, e de Clara Alves Sanches, de Alvaredo, lavradores, residentes no lugar de Canda. N.p. de António Manuel de Abreu e de Maria José Besteiro; n.m. de Joana Domingues, solteira. Nasceu em Alvaredo a 9/7/1888 e foi batizada a 16 desse mês e ano. Padrinhos: Ponciano de Abreu e sua irmã, Maria Júlia de Abreu, solteiros, de Paderne. // Faleceu a 25/7/1888, com apenas dezasseis dias de idade, e foi sepultada na igreja paroquial. 

 

ABREU, Ana. // Faleceu em Ferreiros a 16/1/1859. // Era solteira. 

 

ABREU, Ana. Filha de Luís Abreu, natural de Alvaredo, e de Benta Domingues, natural de Penso. // Faleceu a 13/7/1873 na casa dos pais, sita no lugar de Ferreiros. // Era solteira, lavradora, do dito lugar. // Tinha 30 anos de idade. // Não deixou testamento.

 

ABREU, Angelina Anésia. Filha de José de Abreu e de Esmeralda Mendes, moradores no lugar da Fonte. N.p. de José de Abreu e de Elísia Domingues; n.m. de Angelina Mendes. Nasceu a 11/5/1939. // Agricultora. // Casou na igreja de Alvaredo a 4/2/1967 com Aurélio Alves. // Morou no lugar do Maninho. // Com geração.    

 

ABREU, António. Filho de Francisco de Abreu e de Francisca Pires, moradores no lugar do Souto. N.p. de Lourenço José Abreu e de Francisca Mendes, do Pereiro; n.m. de João Pires e de Ana Besteiro. Nasceu 18/5/1833 e foi batizado a 21 desse mês e ano. Padrinhos: António de Abreu e Luísa de Abreu, tios do bebé. // Casou com Maria Rodrigues. // Faleceu a 22/3/1898, na sua casa do lugar do Barbeito, com todos os sacramentos, viúvo, sem testamento, sem filhos, e no dia seguinte foi sepultado na igreja paroquial.   

 

ABREU, António. Filho de Manuel António de Abreu, natural de Alvaredo, e de Faustina Rodrigues, natural de Penso, residentes no lugar do Coto. Neto paterno de Lourenço José de Abreu e de Francisca Mendes, do lugar do Pereiro; neto materno de João Manuel Rodrigues Vilarinho e de Maria Joana Esteves, naturais de Penso. Nasceu em Alvaredo a 2/5/1840 e foi batizado na igreja a 4 desse mês e ano. Padrinhos: Francisco Gomes e Luísa de Abreu. // (Gémeo de Francisco, falecido a 8/3/1846). // Tinha 34 anos de idade, era solteiro, lavrador, morava no lugar do Coto, quando casou na igreja de Penso, a 7/4/1875, com Maria Teresa, de 26 anos de idade, solteira, camponesa, residente em Paradela, filha de João Francisco Rodrigues e de Mariana de Araújo, naturais de Penso. Testemunhas: Domingos Esteves Cordeiro, rural, morador em Rabosa, e José Joaquim Rodrigues de Azevedo, rural, morador em Barro Grande. // Pai de Joaquina, casada com Ilídio de Castro, natural de Paderne, e de Manuel. 

 

ABREU, António. Filho de Bento Abreu e de Deolinda Martins. N.p. de Manuel Timóteo Abreu e de Joaquina Ferreira; n.m. de António Luís Martins e de Clara Fernandes, todos os avós falecidos antes do seu nascimento. Nasceu em Bouças a 5/9/1914. // Casou a 3/12/1949 com Doroteia da Luz Rodrigues. // Em 1955 teve problemas com a justiça; a GNR enviara um auto ao tribunal por ele ter agredido (mais José Bento Fernandes e José Carpinteiro, de São Paio) António Pires, natural de Chaviães. // Enviuvou a 27/12/1991 e faleceu a 5/9/2002. // Era tio de António Abreu, dono do restaurante Pomba, sito no lugar da Sobreira.

 

ABREU, António. Filho de Albino de Abreu e de Rosa Eufémia Castro, residentes em Bouças. Nasceu por volta de 1947. // Casou com Maria Elvira Domingues. // É proprietário do conhecido Restaurante Pomba, da Charneca. Devido a um serviço de razoável qualidade, ganhou fama no país e na Galiza. Ali serve-se o arroz de lampreia, além de outros pratos. À mesa servem duas senhoras: uma delas, filha dos donos. // Em 2007 justificou, no Cartório Notarial de Melgaço, um prédio rústico “Outeiros”, adquirido em 1986 por doação de seus pais. 

 

ABREU, António. Filho de -------- Abreu e de ----------- Rodrigues. Nasceu em ------------, a --/--/19--. // Casou com Virgínia Fernandes. // Em 1979 adquiriram um prédio rústico por doação de Manuel Abreu e mulher Isolina Fernandes, moradores em Bouças, onde eles também residiam em 2001.

 

ABREU, Augusta. Filha de ----------- Abreu e de ----------- Esteves. Nasceu em -----------, a --/--/1---. // A 17/8/1934, três horas da manhã, manifestou-se um incêndio na sua casa «que se não fosse a prontidão com que lhe acudiram os vizinhos teria ficado em penúria extrema» (NM 243, de 2/9/1934).

 

ABREU, Benigno. Filho de Mário de Abreu e de Delfina Mendes, moradores no lugar do Maninho. Neto paterno de José de Abreu e de Elisa Pires; neto materno de Manuel Mendes e de Maria de Sousa. Nasceu em Alvaredo a 16/1/1930. // Casou na igreja da sua freguesia a 24/5/1949 com Isaura Gonçalves.  

 

ABREU, Bento. Filho de Manuel Timóteo Abreu e de Joaquina Ferreira, solteiros, lavradores, moradores em Bouças. Neto paterno de João Abreu e de Joana Rosa Besteiro Santos; neto materno de Bento Manuel Ferreira e de Luísa Gonçalves, de Bouças. Nasceu no dito lugar a 12/3/1860 e foi batizado na igreja a 19 (já fora batizado em casa, por correr risco de vida, por Luísa Gonçalves, ficando esta sua madrinha). // Casou a 11/11/1901 com Deolinda Martins. // Faleceu no lugar das Bouças a --/--/1934 (NM 225, de 11/3/1934). // Com geração.  

 

ABREU, Caetano Manuel. Filho de Manuel António Abreu e de Faustina Maria Rodrigues, residentes no lugar do Coto. Neto paterno de Lourenço de Abreu e de Francisca Mendes, do Pereiro; neto materno de João Manuel Rodrigues (Marinho ou Vilarinho) e de Maria Joana Esteves, de Penso. Nasceu a 8/7/1843 e foi batizado a 16 desse mês e ano. Padrinhos: Caetano Manuel Alves de Magalhães e Vitória Ventura Castro de Sousa, de Penso. // Casou na igreja de Paderne a 17/5/1865, exibindo licença do Juízo Orfanológico, com Ana, de trinta anos de idade, solteira, padernense, filha de António Luís de Castro e de Maria Joaquina Soares, do lugar do Paço, moradores no lugar de Crastos, Paderne. Testemunhas: António Manuel de Abreu, solteiro, lavrador, irmão do noivo, e António Fernandes, solteiro, rural, do lugar de Penelas. // A 8/4/1870 nasceu-lhes o filho Aureliano, o qual morreu em 1894. // Caetano Manuel morreu no lugar de Ferreiros, Alvaredo, a --/--/1914.

 

ABREU, Delfina. Filha de José de Abreu e de Elisa Pires, lavradores, residentes no lugar do Maninho. Neta paterna de Caetano Manuel de Abreu e de Ana de Castro; neta materna de Manuel Joaquim Pires e de Domingas Camanho de Carvalho. Nasceu em Alvaredo a 11/7/1897 e foi batizada no dia seguinte. Padrinhos: António José de Sousa Lobato e sua mulher, Maria Angélica de Fontes, rurais, do Maninho. // Casou a 30/12/1918, na CRCM, com Manuel Gonçalves, de dezanove anos de idade, seu conterrâneo, filho de Teresa Gonçalves. // Ambos faleceram em Alvaredo: o seu marido a 11/4/1977 e ela a 30/6/1986.     

 

ABREU, Emília. Filha de Bento de Abreu e de Deolinda Martins, lavradores, residentes no lugar de Bouças. Neta paterna de Manuel Timóteo de Abreu e de Joaquina Ferreira; neta materna de António Luís Martins e de Clara Fernandes. Nasceu em Alvaredo a 7/11/1903 e foi batizada a 9 desse mês e ano. Padrinhos: Albino Martins e Emília Pires, alvaredenses. // Casou a 13/6/1925, na Conservatória do Registo Civil de Melgaço, com Eduardo José Fernandes. // Ambos os cônjuges falecerem em Alvaredo: o marido a 10/10/1971 e ela a 13/1/1982.   

 

ABREU, Fernando. Filho de António de Abreu e de Doroteia da Luz Rodrigues. Nasceu em Alvaredo a --/--/1950. // Casou a --/--/1973 com Maria Teresa Fernandes. // Morou no Maninho. // Faleceu na Vila de Melgaço a 11/1/1998 e foi sepultado no cemitério de Alvaredo.

 

ABREU, Iracema. Filha de Julieta de Abreu. Nasceu em Alvaredo a --/--/1939.

 

ABREU, Joaquim José. Filho de João de Abreu e de Joana Rosa Besteiro, residentes em Bouças. Neto paterno de Ventura de Abreu e de Maria Besteiro; neto materno de Manuel Besteiro dos Santos e de Francisca Gomes. Nasceu a 17/10/1826 e foi batizado a 19 desse mês e ano. Padrinhos: Manuel Luís Abreu, do lugar de Barreto (tocou na pia batismal, com procuração do mesmo, Manuel António Lourenço, do Souto), e Maria Abreu, de Barreto.

 

ABREU, Joaquina. Filha de Francisco José de Abreu e de Maria Engrácia, lavradores, residentes no lugar da Charneca. // Faleceu a 25/7/1865 na sua casa, sita no dito lugar, com 75 anos de idade. // Era casada. // Sem geração.           

 

ABREU, Joaquina. Filha de Luís de Abreu e de Maria da Lage. Nasceu em Alvaredo por volta de 1817. // Casou com Luís Manuel Fernandes. // Lavradeira. // Faleceu na sua casa do lugar do Barreto a 10/10/1897, repentinamente, com 80 anos de idade, viúva, com testamento, com filhos, e no dia seguinte foi sepultada na igreja paroquial.  

 

ABREU, Joaquina. Filha de António de Abreu e de Maria Teresa Rodrigues, lavradores, residentes no lugar do Coto. Neta paterna de Manuel António de Abreu e de Faustina Rodrigues; neta materna de João Francisco Rodrigues e de Mariana de Araújo. Nasceu na freguesia de Alvaredo a 25/4/1888 e foi batizada no dia seguinte. Padrinhos: Matias da Rocha e esposa, Benta Joaquina Rodrigues, lavradores, de Penso. // Casou a 17/8/1911 com Ilídio (7/6/1888-8/10/1933), natural de Paderne, filho de Eduardo Manuel de Castro e de Maria Amália Esteves. // Faleceu no lugar do Coto a 24/11/1963 e foi sepultada no cemitério de Alvaredo, na mesma campa de seu marido. // Com geração. 

 

ABREU, José. Filho de Maria de Jesus Abreu, da Charneca. Neto materno de Ana Luísa de Abreu, de Penso, moradora em Alvaredo. Nasceu no dito lugar a 11/5/1857 e foi batizado a 13 desse mês e ano. Padrinhos: José Joaquim Domingues e Maria de Sousa Gama, solteira, ambos do referido lugar.

 

ABREU, José. Filho de ---------- Abreu e de -------------------------------. Nasceu a --/--/1---. // Ver Notícias de Melgaço n.º 868, de 15/8/1948. // No Notícias de Melgaço lê-se: «a 5/1/1949, pelas 11 horas, à porta do tribunal, se há-de proceder à arrematação em hasta pública pelo maior preço oferecido acima do valor matricial do prédio denominado “Chadeiro”, sito no lugar da Torre… e vai à praça por 12.023$20, por haver falta de acordo entre os interessados na sua adjudicação, na acção de divisão de coisa comum que José Abreu, solteiro, maior, de Fonte, move contra José Pires e mulher Isabel Andrade, João Pires Carvalho e mulher Genoveva Canes, Delfina Abreu e marido Manuel Gonçalves, Mário Abreu e mulher Delfina Mendes, todos de Alvaredo, e ainda Manuel Abreu, viúvo, de Penso. Por este são citados os credores e comproprietários incertos para assistirem à praça. Melgaço, 6/12/1948

 

ABREU, José. Filho de José de Abreu e de Elísia Pires, rurais, moradores no Maninho. Neto paterno de Caetano Manuel de Abreu e de Ana de Castro; neto materno de Manuel Joaquim Pires e de Domingas Camanho de Carvalho. Nasceu a 9/7/1907 e foi batizado pelo padre Francisco Leandro Álvares de Magalhães a 16 desse mês e ano. Padrinhos: José Barbosa Martins, negociante, e Emília Martins, lavradeira, ambos solteiros. // Morreu a 5/4/1984 (na sepultura ficou registado o dia seis). // Na mesma campa foi sepultada sua esposa, Esmeralda Mendes (21/3/1907-10/10/1989). // Com geração. 

 

ABREU, Luís. // Deve ter nascido ainda no século XVIII. // Casou com Maria Luísa da Laje. // Ele morreu primeiro; ela, sua viúva, faleceu a 12/10/1859. // Pais de Joaquina, casada com Luís Manuel Fernandes da Costa, e avós de Manuel Abreu Fernandes da Costa, nascido a 15/1/1841, entre outros.

 

ABREU, Luís Manuel. Filho de Manuel José Abreu e de Luísa Rodrigues Leite, moradores no lugar de Ferreiros. // Faleceu a 30/8/1876, na sua casa, sita no dito lugar, no estado de viúvo de Maria Benta Domingues, com 63, ou 73 anos de idade. // Era lavrador. // Fez testamento. 

 

ABREU, Luís Manuel. Filho de ----------- Abreu e de ---------------------------------. Nasceu a --/--/19--. // A 16/7/1918 fez exame do 1.º grau e obteve um «bom».

 

ABREU, Luísa. Filha de Lourenço José de Abreu e de Francisca Mendes, da Parreira. // Faleceu na sua casa de Ferreiros a 26/1/1876, com 92 anos de idade, no estado de viúva de Francisco Gomes. // Fez testamento. // Com geração.

 

ABREU, Manuel. Filho de António de Abreu e de Maria Teresa Rodrigues, lavradores, residentes no lugar do Coto. Neto paterno de Manuel António de Abreu e de Faustina Rodrigues; neto materno de João Rodrigues e de Maria Ana de Araújo, de Paradela, Penso. Nasceu a 21/2/1876 e foi batizado no dia 23 desse mês e ano. Padrinhos: padre Manuel António de Sousa Lobato, do lugar de Vilar, e Carolina Rodrigues, do lugar do Pinheiro. // Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 981, de 10/6/1951: «No passado dia 3 faleceu em sua casa de residência, no lugar da Granja, freguesia de Alvaredo, o nosso amigo, senhor Manuel de Abreu, de 76 anos de idade, esposo querido da senhora D. Constança Augusta de Sousa Lobato e pai amantíssimo do nosso estimado amigo e assinante senhor Luís Abreu, probo comerciante no Peso. O seu funeral, realizado no dia seguinte, foi muito concorrido, tendo-se celebrado missa e ofícios de corpo presente com muita concorrência de fiéis. À família enlutada, especialmente àquele nosso amigo, envia Notícias de Melgaço o seu cartão de sentidas condolências    

 

ABREU, Manuel. Filho de António de Abreu e de Maria Rodrigues, lavradores, residentes no lugar do Barbeito. N.p. de Francisco de Abreu e de Francisca Pires; n.m. de José Rodrigues e de Maria Luísa Esteves. Nasceu a 14/2/1882 e foi batizado a 16 desse mês e ano. Padrinhos: padre Manuel António de Sousa Lobato e Ana de Sousa Lobato, solteira. // Faleceu a 7/8/1882.

 

ABREU, Manuel. Filho de António de Abreu e de Maria Rodrigues, lavradores, residentes no lugar do Barbeito. N.p. de Francisco de Abreu e de Francisca Pires; n.m. de José Rodrigues e de Maria Luísa Esteves. Nasceu a 30/6/1885 e foi batizado a 2 de Julho desse ano. Padrinhos: padre Manuel António de Sousa Lobato e Benta Domingues Caldas, casada. // Faleceu a 6/9/1892 e foi sepultado na igreja de Paderne.

 

ABREU, Manuel. Filho de Bento Manuel de Abreu e de Deolinda Martins. Nasceu em Alvaredo a --/--/1918. // Casou em 1946 com Isolina Fernandes. // Morou em Bouças. // Faleceu a 9/8/1998. 

 

ABREU, Manuel António. Filho de Lourenço José de Abreu e de Francisca Mendes. N.p. de José de Abreu, solteiro, e de Joana Rodrigues, solteira; n.m. de Manuel Mendes e de Joana Rodrigues! Nasceu por volta de 1782. // Casou com Faustina Rodrigues [Vilarinho], natural de Penso. // Lavrador. // Faleceu na sua casa, sita no lugar do Coto, com 78 anos de idade, a 22/2/1860. // Deixou três filhos. // A sua viúva, Faustina, faleceu com 65 anos de idade, a 8/9/1872.

 

ABREU, Manuel Joaquim. Filho de Manuel António de Abreu, natural de Alvaredo, e de Faustina Rodrigues [Vilarinho], natural de Penso, lavradores, residentes no lugar do Coto. N.p. de Lourenço José de Abreu e de Francisca Mendes; n.m. de João Manuel Rodrigues Vilarinho e de Maria Joana Esteves, de Lages, Penso. Nasceu em Alvaredo a 14/9/1837 e foi batizado na igreja no dia seguinte. Padrinhos: Manuel José Rodrigues e Maria Joana Esteves, de Lages, Penso. // Tinha 27 anos de idade, era solteiro, rural, morava no lugar do Coto, Alvaredo, quando casou na igreja de Penso a 11/5/1865, com Maria José, de 18 anos de idade, filha de Domingos José Esteves de Abreu e de Maria Rosa de Araújo, pensenses. Testemunhas: Manuel António de Abreu, solteiro, rural, do Coto, Alvaredo, e José Joaquim Rodrigues, solteiro, camponês, de Mós, Penso. // Morreu em Cortinhas a 10/12/1879, com 41 anos de idade, casado com a sobredita Maria José, e foi sepultado na igreja de Penso. // Deixou filhos.

 

ABREU, Manuel José. Filho de Lourenço José Abreu, solteiro, do Pereiro, Alvaredo, e de Caetana (?) Rocha, solteira, do lugar de Felgueiras, Penso. N.p. de José de Abreu, solteiro, e de Joana Rodrigues, solteira; n.m. de Cipriano da Rocha e de Francisca Gonçalves. // Casou com Maria Luísa Rodrigues. // Faleceu na sua casa do lugar de Ferreiros, com 80 anos de idade, a 13/5/1861, no estado de viúvo. // Deixou um filho.

 

ABREU, Manuel Luís. Filho de Luís de Abreu e de Maria Luísa da Laje, lavradores, de Alvaredo. Nasceu em Alvaredo por volta de 1801. // Tinha setenta anos de idade, era viúvo de Maria Teresa da Rocha, morava na Casa da Bastida, Penso, quando voltou a casar, na igreja de Penso, a 18/8/1871, com Maria Teresa, de 44 anos de idade, solteira, moradora no lugar de Mós, filha de António de Sousa e de Maria Benta Esteves Reguengo, de Penso. Testemunhas presentes: o padre Manuel José Domingues e o padre IJGT. // Morreu em sua casa da Bastida, lugar de Laranjeira, a 22/7/1873, com 72 anos de idade, casado com Maria Teresa de Sousa, e foi sepultado na igreja de Penso. // Fizera testamento. // Não deixou filhos.   

 

ABREU, Manuel Timóteo. Filho de João de Abreu e de Joana Rosa Besteiro dos Santos. // Casou com Joaquina, filha de Bento Manuel Ferreira e de Luísa Gonçalves, nascida a 10/3/1828. // Morou em Bouças. // Faleceu nesse lugar a 5/9/1895, com todos os sacramentos, sem testamento, e foi sepultado na igreja. // A sua viúva finou-se a 9/1/1908. // Com geração.

 

ABREU, Marcelina. Filha de José de Abreu e de Esmeralda Mendes. Nasceu na freguesia de Alvaredo a --/--/1933 (NM 300, de 1/10/1933). // Faleceu no lugar de Fonte a --/--/1935, com apenas dezoito meses de idade (NM 264, de 10/3/1935).

 

ABREU, Maria. Filha de Luís Manuel de Abreu e de Maria Luísa da Lage. // Casou com Joaquim Gonçalves. // Faleceu na sua casa do Barbeito (?), no estado de viúva, com 70 anos de idade, a 7/7/1879. // Fez testamento. // Sem geração.      

 

ABREU, Maria. Filha de João de Abreu e de Joana Rosa Besteiro dos Santos, residentes no lugar de Bouças. N.p. de Ventura de Abreu e de Maria Besteiro; n.m. de Manuel Besteiro dos Santos e de Francisca Luísa Gomes de Abreu, de Bouças. // Lavradeira. // Faleceu na sua casa do Maninho, com quarenta e quatro anos de idade, no estado de casada com Severino António de Sousa e Castro, a 23/4/1860. // Deixou três filhos. // O seu viúvo morreu a 14/2/1886.  

 

ABREU, Maria. Filha de Bento de Abreu e de Deolinda Martins, lavradores, residentes no lugar de Bouças. N.p. de Manuel Timóteo de Abreu e de Joaquina Ferreira; n.m. de António Joaquim Martins e de Clara Fernandes. Nasceu em Alvaredo a 28/9/1909 e foi batizada a 3 de Outubro desse ano. Padrinhos: Albino Martins e Emília Pires, casados, lavradores, do lugar de Bouças. // Faleceu a 21/12/1909, no dito lugar de Bouças, com apenas três meses de idade, e no dia seguinte foi sepultada no cemitério local.

 

ABREU, Maria. Filha de José de Abreu e de Elisa Pires, lavradores, residentes no lugar do Maninho. N.p. de Caetano de Abreu e de Ana de Castro; n.m. de Manuel Joaquim Pires e de Domingas Camanho de Carvalho. Nasceu em Alvaredo a 27/3/1910 e foi batizada a 30 desse mês e ano. Padrinhos: José Barbosa Martins, solteiro, negociante, e Emília Martins, solteira, camponesa.

 

ABREU, Maria Adelina. Filha de ----------- Abreu e de -------------------------------. Nasceu em -----------, a --/--/19--. // Em 1979 era solteira e residia no Maninho.

 

ABREU, Maria José. Filha de Manuel Timóteo de Abreu e de Joaquina Ferreira, lavradores, residentes em Bouças. N.p. de João de Abreu e de Joana Rosa Besteiro dos Santos; n.m. de Bento Manuel Ferreira e de Luísa Gonçalves, todos do referido lugar. Nasceu a 29/7/1864 e foi batizado a 31 desse mês e ano. Padrinhos: Vitorino Manuel de Abreu, casado, lavrador, e Maria José Pires, casada, lavradeira, ambos de Bouças. // Lavradeira. // Morou no lugar de Bouças. // Faleceu a 16/2/1892, no estado de solteira, com todos os sacramentos, sem testamento, sem filhos, e foi sepultada na igreja. 

 

ABREU, Maria José. Filha de ------------ Abreu e de --------------- Fernandes. Nasceu em ------------, a --/--/19--. // A partir das eleições autárquicas de 9/10/2005 assumiu o cargo de secretário na Junta de Freguesia.

 

ABREU, Maria Luísa. Filha de Francisco José Esteves de Abreu e de Maria Joaquina Vaz, residentes no lugar de Barbeito. N.p. de Manuel Esteves de Abreu e de Teresa de Sousa; n.m. de Matias Vaz e de Maria Antónia Pires, do lugar de Pinheira, freguesia de São João de Barcela, Galiza. Nasceu a 23/4/1834 e foi batizada a 25 desse mês e ano. Padrinhos: padre Lourenço Esteves de Abreu, do lugar do Barbeito, e Maria Joaquina, do lugar do Coto.

 

ABREU, Maria Rosa. Filha de ------------ Abreu e de --------------------------------. Nasceu na Charneca a --/--/1---. // Em 1955 foi autuada pela GNR por apascentar gado em terreno alheio. // Na reunião da Câmara Municipal de Melgaço de 20/5/1957 foi lido um requerimento seu, no qual solicitava internamento num hospital do Porto. Deferido. // (Parece ser a mãe de Julieta, casada com Adelino Lourenço Alves).

 

ABREU, Maria Rosa. Filha de Aureliano de Abreu, solteiro, de Paderne, e de Augusta Esteves, solteira (*), tecedeira, de Alvaredo, moradora no lugar do Maninho. N.p. de Caetano Manuel de Abreu e de Ana de Castro; n.m. de Rosa Esteves, solteira. Nasceu em Alvaredo a 14/11/1892 e foi batizada no dia seguinte. Padrinhos: Francisco Martins, casado, e Rosa Martins, solteira, lavradores. // Casou na CRCM a 3/6/1926 com Daniel Gonçalves. // O seu marido morreu a 21/2/1947. // Ela faleceu em Alvaredo a 23/1/1969. /// (*) À margem do assento de batismo da filha ficou escrito: «legitimada por subsequente matrimónio por Aureliano de Abreu.» // Ver Albertina de Abreu.

 

ABREU, Mário. Filho de José de Abreu e de Elisa Pires. Nasceu em Alvaredo a --/--/1902. // Casou com Delfina Mendes. // A GNR passou-lhe uma multa por ter violado o parágrafo único do artigo 118.º do Código das Posturas Municipais (deixou pastar o seu gado em terreno alheiover NM 846, de 18/1/1948). // Foi autuado pela GNR, em 1956, por possuir um canídeo sem o devido registo. // Pai de Benigno de Abreu...   

 

ABREU, Rosa. Filha de Mário de Abreu e de Delfina Mendes. Nasceu na freguesia de Alvaredo a --/--/1939.

 

ABREU, Rosa Maria. Filha de ---------- Abreu e de ------------------------------------. Nasceu em -----------, a --/--/19--. // Casou com Paulo Fernandes, funcionário da Empresa de Transportes “Gama”, do Porto. // Mãe de Joana Filipa, nascida na década de 80 do século XX. // (A Voz de Melgaço n.º 952).

 

ABREU, Virgínia. Filha de Bento de Abreu e de Deolinda Martins, residentes no lugar de Bouças. N.p. de Manuel Timóteo de Abreu e de Joaquina Ferreira; n.m. de António Luís Martins e de Clara Fernandes. Nasceu 18/6/1911. // Faleceu em Bouças em 1916, ainda não tinha cinco anos de idade.

 

ABREU, Vítor. Filho de José de Abreu e de Esmeralda Mendes, ambos de Alvaredo, residentes no lugar de Fonte. N.p. de José de Abreu e de Elísia Pires; n.m. de Angelina Mendes. Nasceu em Alvaredo a 16/7/1931. // Casou na igreja da sua freguesia natal a 9/11/1952 com Adélia de Jesus dos Santos.   

 

ABREU, Vitorino Manuel. Filho de João de Abreu e de Joana Rosa Besteiro. Nasceu em Alvaredo por volta de 1822. // Casou com Maria José Pires (1824-1904). // Morou no Maninho. // Foi eleito “juiz” para o biénio 1872-1873, tendo como substitutos José Joaquim Martins e José Bento Domingues Freitas, ambos de Fonte. // Faleceu a 13/1/1897, com setenta e cinco anos de idade, no dito lugar do Maninho, sem sacramentos, por não poder recebê-los, com testamento, sem filhos, e no dia seguinte foi sepultado na igreja. 
 
NOTA: não esquecer que a freguesia de Alvaredo só pertence ao concelho de Melgaço a partir de Outubro de 1855; antes pertencia ao concelho de Valadares.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO

Por Joaquim A. Rocha





ZARAGATAS

CASTRO, Salvador. Filho de António Abreu de Castro, de Alvaredo, e de Maria Teresa Rodrigues, de Penso, lavradores, residentes no lugar do Coto. Neto paterno de Manuel António de Abreu de Castro e de Faustina Rodrigues Vilarinho; neto materno de João Francisco Rodrigues e de Mariana de Araújo. Nasceu em Alvaredo a 8/8/1890 e foi batizado no dia seguinte. Madrinha: Carolina Maria Rodrigues, casada, de Paderne, que “batizara” a criança em casa por ser fraquinha. // Casou na CRCM a 31/3/1924 com Delfina Rosa Durães, nascida no lugar da Carreira, São Paio, a 22/1/1892, filha de José Maria Durães e de Maria de Jesus Durães, a qual faleceu em Alvaredo a 8/6/1950. // Irmão de Maria. // Acerca deles narra-nos o correspondente do Jornal de Melgaço o seguinte: «Em audiência correccional respondeu o nosso amigo e correligionário Salvador Abreu e Castro e sua mana Maria, do Coto, ficando esta absolvida, e aquele condenado, pelo “nefando” crime de se defender de três cunhados e uma irmã que foram insultá-lo em sua própria casa. Tal condenação causou má impressão no povo desta freguesia, visto que o Salvador é um belo carácter, sendo por isso estimado de todos, menos daquela irmã e cunhado. Não queremos com isto censurar os actos do Juiz de Direito desta comarca, pois sabemos que nas suas sentenças tem sido inteiramente justo; o que, porém, não deixaremos de censurar é a lei que não permite que nos defendamos quando alguém nos insulta ou ataca – dura lex // Ele morreu em Alvaredo a 19/1/1967. // Pai de António Durães de Castro, casado com Amabélia de Fátima Gomes. 
 


 
(1916) - FERNANDES, Frederico. Filho de -------------- Fernandes e de ------------------ de Castro. Nasceu a --/--/18--. // Foi negociante na freguesia de Prado. // Em 1912 encontrava-se gravemente doente (Correio de Melgaço n.º 11, de 18/8/1912). // Em 1916 Álvaro José da Cunha acusava-o de transacionar bens que pertenciam a sua tia, Corina Cândida da Cunha (ver Correio de Melgaço n.º 180, de 2/1/1916). // Passado pouco tempo Frederico tentou arrombar a porta de uma casa sobre a qual alegava direitos; porém, o Álvaro José tentou impedi-lo, mas o arrombador, irritado, deu-lhe uma grande tareia, indo parar à cadeia pelo crime de ofensas corporais (ver Correio de Melgaço n.º 189, de 6/3/1916). 


*
 

(1916) - MELO, Sofia de Jesus. Filha de José Joaquim Alves de Melo e de Delmira Rosa Sanches, jornaleiros, de SMP. Neta paterna de Francisco Maria de Melo e de Teresa Joaquina Alves; neta materna de Manuel Joaquim Sanches e de Maria Rosa Sarandão. Nasceu nas Carvalhiças a 30/9/1888, e foi batizada a 7 de Outubro desse ano. Padrinhos: Vitorino Joaquim Lourenço, casado, taberneiro, e Maria das Dores Lopes, solteira, «empregada no governo de sua casa.» // Foi peixeira. O “Correio de Melgaço” n.º 70, de 12/10/1913, veicula a notícia de que ela (mais a Maria da Conceição Rodrigues e Lúcia Cândida) foi multada pelo oficial da Câmara, Severino Gomes, por ter lavado sardinhas no rego público da Feira Nova, multa que não chegou a pagar, porque as autoridades camarárias tiveram em conta o seu desconhecimento da lei, prometendo elas não voltarem a fazer a mesma coisa. // Constava que fora amante do António “Ferrador”, de quem teve duas filhas: Maria de Lurdes e Francisca da Glória (Chiquita). É possível que o texto que a seguir transcrevo, extraído do “Correio de Melgaço” n.º 198, de 7/5/1916, tenha a ver com esse galã: «Na taberna da Emília da Adelina houve, na quarta-feira, pelas nove horas da noite, luta renhida entre três mulheres (…): Sofia de Melo, Maria Lourenço (*) e Elvira da Glória, as quais – penteando-se mutuamente (pobres madeixas) – disputam a primazia sobre o amante comum. Não há dúvida que esta última obteve vitória (mas só na luta corpo a corpo, bem entendido) pois obrigou as antagonistas a gritar: - ó da guarda! Aparece neste comenos o digno secretário da Administração (**) para fazer entrar na cadeia, com armas e troféus, a triunfante Elvira. Mau negócio e pouca sorte!» // A Sofia, além das duas raparigas, ainda deu à luz um rapaz; sobreviveu apenas a primeira, nascida em 1908. // Sofia de Jesus faleceu em Fevereiro de 1923. /// (*) Deve tratar-se de Maria José Lourenço, que no ano transato dera à luz um filho, a quem pôs o nome de João António, cujo pai se ignora. /// (**) Trata-se de Maker Luís Teixeira Pinto.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

GENTES DO CONCELHO DE MELGAÇO
Freguesia da Vila - Santa Maria da Porta
 
Por Joaquim A. Rocha



desenho de Manuel F. Igrejas
MAIS UM CONTERRÂNEO E AMIGO QUE NOS DEIXA
 
       É verdade. Aos 91 anos de idade Manuel Igrejas, o grande artista melgacense, diz-nos adeus para sempre. Legou-nos a sua obra, o seu exemplo de vida. Faço votos para que não o esqueçam, tal como fizeram a outros talentos da nossa linda terra. 


IGREJAS, Manuel Félix. Filho de Francisco Augusto Igrejas e de Deolinda Augusta Fernandes. Neto paterno de Félix Igrejas e de Conceição Costas; neto materno de Manuel Joaquim Fernandes e de Suzana Azevedo. Nasceu na vila de Melgaço a 25/11/1928 e foi batizado a 25 de Dezembro desse ano. Padrinhos: Manuel Sabariz e Conceição Costas. // Na terra, foi aprendiz de alfaiate. // Aos catorze anos apanhou uma doença, chamada tifo. // Como tinha uma letra bonita (calígrafo), foi auxiliar do solicitador Alvim. // Fez cartazes para o Cine Pelicano, etc. // Antes da tropa esteve tuberculoso; apesar disso, depois da inspeção militar apresentou-se no Regimento da Escola Prática de Cavalaria, em Torres Novas. O médico Dr. Esteves passara-lhe um atestado, no qual dizia: «sofre de tuberculose estacionária.» Não ligaram! // Embarcou para o Brasil no ano de 1952, cuja carta de chamada lhe enviara seu tio, José Augusto Igrejas. O “Notícias de Melgaço” n.º 1036, de 10/8/1952, dá a notícia: «É com grande pesar que vemos partir para o Brasil este nosso amigo e conterrâneo, que nesta terra granjeou muitas simpatias. Conhecemos desde criança Manuel Félix, rapaz inteligente, bondoso, de fino trato, cuja alma de artista não se adaptava a esta vida de província e portanto vai procurar, cheio de esperanças, em terras de Santa Cruz, entre estranhos, a compreensão que nem sempre encontrou entre os seus compatriotas. De pequenino, o Manuel, como por todos era conhecido, entusiasmou-se pela pintura, começando por desenhar paisagens com tal gosto artístico que fazia admiração a todos que com ele conviviam. Com o tempo foi-se revelando nele uma grande vocação para a pintura. Com trabalho e perseverança chegou a ponto que – sem nunca ter conhecido um mestre, ou receber uma simples explicação sobre tão grande arte, - conseguiu tirar a lápis e crayon retratos, com uma perfeição que rivalizavam com os tirados por aqueles que frequentaram escolas e receberam os ensinamentos dos mestres. Por todos foi muito admirada a exposição de desenhos a aguarelas que se encontrava no “Café Melgacense”. Pena é que estas vocações não sejam aproveitadas, porque se assim fosse o Manuel seria um dos contemplados com a ajuda necessária para bem poder desenvolver as suas aptidões mas, como assim não é, lá vemos partir o grande amigo que busca no Rio de Janeiro, para onde embarca, o carinho e amparo de que é digno, para assim poder vencer na vida. Daqui lhe endereçamos um saudoso abraço de despedida.» // Nesse país casou, a 18/12/1954, com a conterrânea Margarida das Dores, nascida a 2/9/1930, filha de Umberto Amadeu de Melo e de Urbana Augusta Costas, também ela emigrante. // Arranjou de início um emprego de despachante, mas logo verificou que não era essa a sua vocação; depois tornou-se artista plástico, na área da azulejaria, ao empregar-se numa oficina «de decoração de louças e pintura de azulejos.» Desenha, faz caricaturas, pinta, escreve contos, poemas, e colabora no jornal “A Voz de Melgaço” desde o seu aparecimento em 1946, e no “Melgaço Hoje”. // Parece que só veio visitar Melgaço duas vezes: uma em 1969 e outra em 2001. // No livro «Padre Júlio Vaz apresenta “Mário”, paginas 276 a 280, traça-se a sua biografia. // Ver também A Voz de Melgaço n.º 964, VM 999, VM 1008, VM 1089, VM 1198, VM 1249, de 15/6/2005, página 8, e o livro “Frágeis Elos”, páginas 51 e 52. // Morreu a 13 de Maio de 2019. // Pai de Regina da Paz e de Deise Lúcia. // Avô de Maria Clara, Ana Cristina, Carolina Maria e Caio Filipe.     
 

 
 
 
desenho de Manuel F. Igrejas
 

desenho de Manuel F. Igrejas
 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

LINA - FILHA DE PÃ
(romance)
 
Por Joaquim A. Rocha



desenho de Luís Filipe G. Pinto Rodrigues 


10.º Capítulo

 

     E a Lina? – perguntarão os pacientes leitores. Por algum lado ela deve andar. Teremos de ir à sua procura. Deixámo-la em Monção. Despedia-se do legionário, o tal que estava loucamente apaixonado por ela. Dali dirigiu-se a casa do senhor Acúrsio a fim de receber o seu salário e recolher as suas coisas. Tinha de abandonar Monção. Não gostava muito daquela gente, sobretudo do lado feminino, das amazonas monçanenses. Apesar de tudo, arranjara alguns amigos e amigas. Algumas mulheres, malcriadas e alcoviteiras, gostavam muito de se meter na sua vida, faziam perguntas embaraçosas, difíceis de responder. Conseguia dar-lhes a volta, mas eram demasiado curiosas para o seu gosto. À ceia disse ao patrão:  

  

- Senhor Acúrsio: peço-lhe imensa desculpa, mas tenho de ir embora. Depressa arranjará quem me substitua. Já falei com a Glória do Meledas e ela disse-me que não se importava de vir para aqui; você amanhã vá ter com ela e logo vê se está interessado.

- Ai mulher; já estava acostumado à tua companhia, agora vai-me custar habituar-me a outra. Cozinhas bem, és desembaraçada, eficiente e honesta. Contigo estava eu descansado.

- Ó senhor Acúrsio, sejamos francos: mesmo que eu fosse ladra, o senhor não tem nada para roubar!

- Isso é verdade: o que possuo mal dá para o dia-a-dia. Nunca fui de ajuntar. Há muita criatura para aí que só pensa em riqueza – eu sou o contrário deles.

- O senhor pensa só na sua alma; quando morrer vai direitinho para o céu!

- Assim o espero, para encontrar a minha Zenilda. Tenho tantas saudades dela.

- Esta noite ainda durmo cá. De manhã cedo vou-me embora. Espero que lhe corra tudo bem.

- Há-de correr, Lina, há-de correr. Deus e a alma de minha esposa protegem-me. Vai em paz. 

 

    Despediu-se do seu patrão, foi arrumar a cozinha e depois deitou-se. Nessa noite sonhou com o legionário: ele batia-lhe com força, arrastava-a pelos cabelos, chamava-lhe comunista, traidora à pátria, e queria deitá-la ao rio Minho. Ela defendia-se como podia, gritava por socorro, mas ninguém lhe acudia. De repente, por artes mágicas, libertou-se dele e fugiu. Ouvia os seus gritos, de maluco, mas já não o via. Provavelmente atirara-se ao rio e a corrente forte levara-o para longe.

 

     Levantou-se cedo. Dirigiu-se à cozinha, comeu qualquer coisa, pegou nas suas tralhas e saiu de casa. Esperou um pouco e de repente surge um carro. Dentro estava um homem, o qual lhe abriu a porta sem grandes cortesias.

 

- Entra. Hoje ainda tenho de trabalhar muito.

- Eu sei. O dinheiro não se ganha estando nós parados. O senhor tem fama de rico, e proveito, digo eu, mas toda a gente sabe quanto tem esgalhado no duro: tanto no estrangeiro como em Portugal.

- Pois fica sabendo que emigrei com catorze anos para o Brasil. E sabes onde fui parar? Não sabes? A Cuba!

- Não sei onde isso fica, mas suponho que é longe.

- Podes crer. É quase no fim do mundo. Nas Américas. Eu ia clandestinamente no barco, protegido por um indivíduo conhecido dos meus pais, um tal Ricardo, mas o dono do navio descobriu-me. Tive de trabalhar de borla para ele, sofri maus tratos, passei carradas de fome, mas um belo dia, quando estávamos em terra fugi. Estivera lá cinco miseráveis anos. Não ganhei praticamente nada, nem uma perra: apenas aprendi a falar espanhol. Dali arranjei maneira de ir para o Brasil. Ali sim, ganhei dinheiro, mas dei-lhe no duro muito tempo.

- As pessoas aqui pensam que é só abanar a árvore das patacas!

- Pois pensam, mas erradamente. É necessário trabalhar muito e bem. Enquanto se trabalha para os outros, pouco dinheiro se consegue; mas quando começamos a negociar por conta própria, minha amiga, é só amealhar. Mas atenção: tens de arranjar guarda-costas, se não limpam-te o sebo!

- É assim tão perigoso? – pergunta a Lina, convencida de que nesse país tudo era fácil.

- Perigosíssimo! Mata-se com a maior das facilidades. Em certos sítios do Brasil não há a bem dizer lei; todos andam armados e obedecem apenas ao seu chefe. Se ele mandar matar fulano ou sicrano eles não hesitam: cortam-lhe as goelas! Não te esqueças de uma coisa: a população do Brasil é constituída por brancos, negros, amarelos, índios de cor avermelhada, e a mistura dessas raças!

- E os assassinos não são presos? – pergunta a sua companheira de viagem, imaginando-se lá, onde poderia cometer todos os crimes que quisesse, sem ser molestada pela GNR.

- Por quem?!!! O Brasil é quase do tamanho da Europa, e é constituído por Estados; e cada Estado tem a sua própria lei, e esta é violada constantemente, até por aqueles que a deviam cumprir escrupulosamente, compreendes?

 

     Ela acenou com a cabeça, afirmativamente, mas não compreendera quase nada do que ele lhe dissera. Chegaram finalmente ao seu destino: Lamas Santas, freguesia de Melcarte, lá no alto. Diz o cavalheiro:      

 

- Chegamos. Vou apresentar-te à minha mulher. Ela está um pouco adoentada, por isso é que lhe arranjei uma criada. Trata bem dela, que nós te recompensaremos. Eu tenho alturas que me ausento por uns tempos; a minha mulher trata da loja e tu tratas da casa – já me informaram que és uma ótima empregada, uma boa cozinheira.

- Faço por isso. Até agora ninguém se lastimou.


desenho de Luís Filipe G. Pinto Rodrigues
 
     A esposa do seu novo patrão chamava-se Emília, mas todos a tratavam por D. Emilinha. Pouco mais teria do que quarenta anos de idade. Nascera no Brasil, embora de pais portugueses, de Trás-os-Montes, e viera com o marido para Portugal há uns anos atrás, porque já tinham um pé-de-meia, uns contos de réis, e nesse país, sobretudo em algumas cidades, era demasiado perigoso viver, mesmo com proteção armada.

     Nas freguesias de Melcarte não havia, que constasse, muitos ladrões, muito menos assassinos. A prisão estava quase vazia – os presos que lá estavam era por terem cometido pequenos furtos, umas querelas por causa da água de rega, emigração clandestina, e pouco mais. Crimes de sangue eram raríssimos: acontecia um de vinte em vinte anos.  

    Dona Emília engordara nos últimos anos, perdera aquela frescura de outros tempos, e por essa razão o marido, Filipe, de vez em quando dava a sua facada no matrimónio. Dizia-se que tinha uma amante no Porto, onde ia constantemente buscar mercadoria, e outra na Galiza. Ao contrário da esposa, ele estava muito bem fisicamente, até dava a impressão que os anos lhe passavam sorrateiramente ao lado. Nunca tivera nenhuma doença grave, fumar só em festas, era regrado a beber. Agora os ares da serra purificavam-lhe os pulmões. A alimentação era boa, nada faltava naquela casa.

 

- A estrada para Castro da Serra foi uma bênção de Deus, Emília; estamos na montanha e é como estivéssemos na cidade – temos tudo aquilo de que precisamos.

- Eu sinto saudades do Brasil, é a minha terra, mas aqui também estou bem; estes ares puros fazem-me muito bem, o pior é o inverno – o maldito frio dá cabo de mim.

- Não se pode querer tudo, esposa; queres sol na eira e chuva no nabal, mas não pode ser – a natureza é sábia, reparte tudo equitativamente. Ah! Já me esquecia de te perguntar: estás satisfeita com a empregada?

- De certo modo sim; é solícita, arrumada, organiza bem o cardápio, está atenta às minhas preocupações – parece que acertaste. Contudo, preferia ter saúde bastante para ser eu a tratar das coisas, não gosto de estranhos em minha casa.

 

**

 

     Leitor: é óbvio que ele conhecia, por ter ouvido falar, algumas das aventuras da Lina, mas nada dizia à esposa, para esta não a mandar embora. Queria-a em casa, não só por estar a fazer um bom trabalho doméstico, mas também porque a começava a desejar. Não lhe seria difícil conquistá-la: umas boas prendas, umas palavras carinhosas, e ela acabava por lhe cair nos braços. Já conquistara muita fêmea, umas mais novas, outras mais velhas, bonitas e feias, e não era esta que lhe escaparia.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

OS NOVOS LUSÍADAS




26

 Escorbuto, malária, mil doenças,

Atingem nossos nautas ferozmente…


Rezam-se missas, reforçam-se crenças,

Mas cada dia falece mais gente...

Os que restam já sonham gordas tenças.

O rei, no seu trono, está contente... 

E antes que a parca a todos mate

Tocam os grandes sinos a rebate.

27

 

Perderam-se cem naus, muitas caravelas,

Os marinheiros que as pilotavam;

Por sua alma queimam-se tantas velas!

Choram-se as pessoas que se amavam...

Crentes oram nas igrejas… capelas,

Viúvas de dor e raiva gritavam.

O astro-luz do ar desaparece…

O povo lança-se ao chão numa prece.

 

28

 

E assim o bei ganhou eterna fama

À custa dessas vidas por cumprir;

Morreram no alto mar, longe da cama,

Em sofrimento atroz… a bramir.

E quantos tombaram na suja lama,

Para o anjo da morte bem nutrir.

Os deuses assistiram à matança,

Mas ficaram em paz, em segurança.

 

29

 

Gaspar Real topou a Terra Nova,

 João da Nova, Ascensão e Helena.

Aqui e ali levavam dura sova,

A tripulação ficava mais pequena.

O mar profundo era a sua cova,

Todos choram aquela triste cena.

Só resta àquela gente a ilusão,

Forte ânimo, o braço do capitão.

30

 

Pra provar a redondeza da Terra

Magalhães fez uma longa viagem.

Não quis saber de lutas ou de guerra,

Ocupou-se mais do tempo, da aragem.

Mas destino, que tudo em si encerra,

Despojou-lhe a vida, pô-lo à margem!

Pereceu cangado pelo sucesso,

Não permitindo assim o seu regresso.


// continua…





rosa natural
 

quarta-feira, 15 de maio de 2019

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO
 
Por Joaquim A. Rocha



desenho de Rui Nunes



                                                        AFOGAMENTOS


     // FERNANDES, Erminda da Glória. // A 27/8/1901, às sete horas da manhã, apareceu afogada. Tinha apenas treze anos de idade. // Não se sabe o local onde se afogou e as razões da morte. Suicídio? Descuido? Crime?

     // CASTRO, António José. Filho de Maria Cristina, do lugar de Estelha, freguesia de São Lourenço da Pena, bispado de Ourense. Nasceu na Galiza por volta de 1845 ou 1849. // Lavrador. // Morava na Assadura, Melgaço, tinha 25 anos de idade, era solteiro, quando casou na igreja de SMP a 7/9/1874 com Maria Alexandrina Marinho, de 23 anos de idade, solteira, filha de José Marinho e de Brandina Marinho, caseiros na Quinta do Louridal. Testemunhas: Carlos José Ribeiro e mulher, Ludovina Correia dos Santos Lima, proprietários, moradores no Campo da Feira, SMP. (Padre José Joaquim Pires). // Faleceu nos limites da freguesia de SMP, no estado de casado, a 16/3/1902, às seis horas da tarde, com 57 anos de idade (!), por afogamento no rio Minho, na pesqueira chamada a Sardinheira, junto das Galgas, devido a ter caído ao rio, e foi sepultado no cemitério municipal. // Com geração.   
 




     // LOBATO, José. Filho de António Joaquim de Sousa Lobato e de Maria Joaquina Alves, moradores no lugar de Covelo. Neto paterno de Jerónimo José de Sousa Lobato e de Florinda Rodrigues, do Pinheiro; neto materno de António Francisco Alves e de Clara Rosa Carvalho, de Covelo, todos lavradores. Nasceu em Paderne a 27/1/1883 e foi batizado a 29 desse mês e ano. Padrinhos: Manuel Joaquim Alves e sua irmã, Rosa Alves, solteiros, tios maternos do batizando. // Rural. // Morreu por afogamento; apareceu na margem do rio Minho a 24/6/1902, e foi sepultado no adro da igreja paroquial 



     // GONÇALVES, Firmino. Filho de João José Gonçalves e de Pulquéria Sousa Castro, lavradores, residentes no lugar dos Esteves. Neto paterno de Manuel Gonçalves e de Rosa Maria Alves; neto materno de João Manuel Sousa Castro e de Teresa Mendes Lobato. Nasceu em Alvaredo a 31/5/1886 e foi batizado na igreja a 3 de Junho desse mesmo ano. Padrinhos: António Gonçalves e Carolina Ledo, solteiros. // Lavrador. // Morreu afogado no rio Minho a 8/9/1903; o seu corpo apareceu nos limites da freguesia de Alvaredo e foi sepultado no cemitério local às cinco horas da tarde desse mesmo dia.