domingo, 25 de fevereiro de 2024

POEMAS DO VENTO

Por Joaquim A. Rocha 


// continuação de 23/10/2023.

A VIDA

(II)

 

A vida é tristeza:

- não só!

É alegria:

- não só!

É dor,

é amor,

é ternura,

é angústia,

é lamento,

é tormento,

é paixão,

é ilusão,

 é compaixão,

é luta,

é gruta,

é princípio,

é fim,

 é tudo,

é nada,

é pensamento,

é deslumbramento,

é espera,

é procura,

é desespero,

é loucura,

é mágoa,

é visão,

é destruição,

é VIDA!

 

5/5/1975

  

50

 

CHE GUEVARA

 

Faz hoje muitos anos que morreste, caro Che!

Mas pela vida que levaste não mereces que

 digamos que morreste: tu viveste, tu vives, tu viverás eternamente. Dedicaste a tua vida à revolução, entregaste-te de alma e coração

 à luta pelos povos: pela justiça, pela paz,

pela igualdade, pela libertação dos

oprimidos.

Por isso foste um guerrilheiro, foste um

ministro, foste um indomável lutador.

Em 8 de Outubro de 1967 o teu corpo caiu

sob as balas assassinas dos

fascistas bolivianos; o teu espírito

 desprendeu-se do corpo e guia as nações

no caminho da revolução.

O teu exemplo será seguido. 

Saudamos-te, Che, e juramos

solenemente continuar contigo a luta.

 

8/10/1975

 

51

 

CAMINHANDO PARA A MORTE

 

Vivo num estranho mundo:

sem paixões, sem sonhos,

 sem ambições!

 

Passo a passo sigo

esta longa ou curta

caminhada para a morte.

 

Sei que um dia virá

e então tudo acabará…

restando apenas uma

estranha recordação

naqueles que me chorarem

na hora da partida.

 

Mas até essa lembrança

se tornará em breve vaga,

e como fumo se evaporará

na atmosfera do tempo!

 

52

 

Acordai o mundo…

 

acordai as gentes;

ide mesmo ao túmulo

soltar as correntes.

Agitai as massas,

fazendo-as vibrar;

andam sufocadas,

precisam gritar.

Agitai as massas,

fazendo-as tremer;

seu sangue está frio,

precisa aquecer.

Agitai as massas,

não podem morrer;

de amor são sedentas,

 dai-lhes de beber.

 

Acordai as massas,

desse sono eterno;

dizei-lhes: não existe

nem céu nem inferno!

Esse fatalismo,

essa crença fútil;

esse fanatismo,

tudo isso inútil!

Esse medo atroz,

que vexa e humilha, 

há de ser o algoz

da luz que já brilha?

 

53

 

Um dia chegou a morte…

 

vinha cansada e triste,

maldizia a sua sorte,

maldizia sua existência.

Dizia-me ela, aborrecida:

«Por que será que existe

entre os pobres mortais

um medo de mim tão grande?

Não sabem que sou sua amiga,

sou irmã, sou companheira?

Desencorajo a intriga,

imponho a reverência,  

dou-lhes descanso eterno!

Dou imensas fortunas aos

herdeiros de gente rica,

dou fama imortal a artistas,

aos maus dou o inferno.

Eu sou a morte prazenteira

 

 54

 

PERDIDA EM TEUS SONHOS

 

Aqui vieste um dia,

não sei se em romaria,

se perdida em teus sonhos;

em pesadelos medonhos

eu vivo o dia a dia.

 

Talvez seja fantasia…

talvez sejam sonhos meus;

mas se tiver de sofrer,

sofrerei nos braços teus

até ao dia em que morrer.

 

E se tiver de escolher,

escolherei livremente,

vá-se o passado, o presente,

venha o futuro infeliz:

sonho triste, a alma o diz!


// continua...

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