segunda-feira, 18 de novembro de 2019

GENTES DO CONCELHO DE MELGAÇO
(Freguesia de Alvaredo)
 
Por Joaquim A. Rocha





// continuação...

ALVES, Maria do Carmo. Filha de Bernardo Alves e de Rosaria Freijanes, galegos. Nasceu em Caveiras, Galiza. // Casou com João Manuel Alves. // Faleceu na sua casa do lugar do Padreiro, Alvaredo, a 9/1/1894, sem sacramentos, por ter morte repentina, no estado de viúva, sem testamento, com filhos, e no dia onze foi sepultada na igreja de Alvaredo.  

 

ALVES (*), Maria Cristina. Filha de Maria de Jesus. Neta materna de Justino Lopes Pinto e de Maria de Jesus. Nasceu em Oliveira de Frades, Viseu, a 2/9/1927. // Trabalhou em Lisboa, onde conheceu o marido, Manuel Joaquim Alves, de Sante, São Paio de Melgaço; casaram a 28/8/1975 na igreja de Alvaredo. Mandaram construir uma casa em Carvalheira, Alvaredo, onde ela residiu. // Enviuvou a 26/11/1986. // Faleceu em Alvaredo a 20/9/2012. // É mãe de Fernando, casado, que tomou de trespasse o restaurante de Henrique Dias (Zorro), no Largo da Matriz, Vila de Melgaço. // É avó de uma jovem de 26 anos (2006, s.e.), casada, a trabalhar no restaurante do pai, e bisavó de um rapazinho de dois anos. /// (*) O apelido Alves pertence ao marido; foi adquirido aquando do casamento.

 

ALVES, Maria de Fátima. Filha de Armando Francisco Alves e de Idalina Mendes. Neta paterna de Luís Alves e de Virgínia do Rosário Cortes; neta materna de António Mendes e de Justina Rodrigues (?). Nasceu a 20/6/1956. // Casou em primeiras núpcias com José Augusto Oliveira, nascido em SMP a 9/3/1949 e falecido em Alvaredo a 10/11/1975 – deste matrimónio nasceu José Augusto. // Matrimoniou-se em segundas núpcias com o seu cunhado, António Oliveira, nascido em SMP a 3/7/1944, construtor civil; deste segundo casamento nasceu, a 11/7/1981, Paula Cristina. // É avó de uma menina. // Possui alguns terrenos agrícolas, os quais, salvo erro, confrontam com os de Alberto José Meleiro, Rosa Vieira Domingues, Ricardo de Magalhães e Cordália de Castro (ver «Jornal de Melgaço» n.º 207, de 6/3/2008).      

 

ALVES, Maria José. Filha de António Alves e de Maria Rosa Gonçalves, lavradores. Nasceu por volta de 1804. // Casou com Fernando António Domingues, de Alvaredo. // Faleceu no Maninho a 19/1/1882, com 78 anos de idade, viúva. // Fez testamento. // Com geração.

 

ALVES, Maria José. Filha de João Manuel Alves e de Maria Pires, rurais, moradores no lugar do Padreiro. N.p. de Romão Alves e de Rosa Pires; n.m. de Manuel Pires e de Maria Manuela Esteves, do Maninho. Nasceu a 25/3/1841 e foi batizada no dia 26 do mesmo mês e ano. Padrinhos: Manuel António Martins e Maria José Alves, do Maninho. // Casou na igreja de Alvaredo a 23/4/1883 com José Maria, de 23 anos de idade, solteiro, lavrador, natural da freguesia de São Cristóval de Mourentão, concelho de Caniça, morador no lugar da Granja (Alvaredo-Paderne), filho de João Salvador Vieites e de Benita Pires. Testemunhas: António José de Castro, lavrador, residente no lugar da Granja, e José Albano Lopes, rural, morador no lugar do Padreiro. // Faleceu na sua casa do lugar do Pinheiro a 2/7/1885, com todos os sacramentos, sem testamento, sem descendência, e foi sepultada no adro da igreja matriz de Alvaredo. // O seu viúvo casou a 5/4/1886 com Adelaide da Pureza Exposta.    

 

ALVES, Maria Leonor. Filha de Armando Francisco Alves e de Idalina Mendes. Nasceu na freguesia de -------------------, na década de cinquenta ou sessenta do século XX. // Casou com Jacinto…

 

ALVES, Maria da Pureza. Filha de Benta Alves, solteira, lavradora, residente em Padreiro. Neta materna de João Manuel Alves e de Maria do Carmo Alves. Nasceu em Alvaredo a 6/8/1884 e foi batizada a 8 desse mês e ano. Padrinhos: Luís Manuel Mendes, lavrador. // Casou na igreja de Alvaredo a 10/10/1910, com António, de 24 anos de idade, natural de Penso, filho de Manuel Luís Gomes e de Maria Joaquina Gonçalves. // Enviuvou a 12/4/1921. // Faleceu a 25/12/1970 e foi sepultada no cemitério de Alvaredo. // Na mesma campa repousam os restos mortais de Manuel Alexandre de Castro Araújo (1965-1993). 

 

ALVES, Maria Teresa. Filha de Pedro Alves e de Luísa Custódia, lavradores. Nasceu por volta de 1809. // Casou com António de Sousa, natural de Alvaredo. // Faleceu na sua casa de Bouças a 13/11/1879, com 70 anos de idade. // Com geração. 

 

ALVES, Maria Teresa. Filha de Fernando António e de Maria José Alves, do lugar do Maninho. Neta paterna de Domingos António e de Maria Antónia, de Bouças; neta materna de António Alves e de Maria Rosa Gonçalves. Nasceu a 10/2/1834 e foi batizada a 13 desse mês e ano. Padrinhos: Manuel António Martins e sua mulher Maria José Alves.  

 

ALVES, Maria Teresa. Filha de Luís Manuel Alves e de Ana de Sousa Lobato, lavradores, residentes no lugar de Vilar. Nasceu em 1889. // Faleceu a 30 de Agosto desse mesmo ano, com apenas quinze dias de idade, e foi sepultada na igreja paroquial.

 

ALVES, Matildes. // Do lugar do Maninho. // Faleceu a 29/1/1859.

 

ALVES, Miquelina. Filha de Maria do Carmo Alves, solteira, camponesa, moradora no lugar do Padreiro. Neta materna de João Alves e de Maria do Carmo Alves. Nasceu em Alvaredo a 23/3/1898 e foi batizada a 25 desse mês e ano. Padrinhos: Caetano de Abreu, casado, e Rosa de Abreu, solteira, lavradores, do lugar de Ferreiros, Alvaredo. 

 

ALVES, Olegário (ou Libório). Filho de Luís António Alves e de Ana Esteves, lavradores, residentes no lugar do Carvalhal. Neto paterno de José Joaquim Alves e de Claudina Pires, lavradores, residentes no lugar do Regueiro, Penso; neto materno de António Manuel Esteves e de Perpétua Domingues Caldas, lavradores, residentes no lugar do Carvalhal. Nasceu em Alvaredo a 20/12/1877 e foi batizado na igreja paroquial a 23 desse mês e ano. Padrinhos: Manuel José da Rocha, casado, lavrador, e Maria Luísa da Rocha, solteira, lavradora, ambos moradores no lugar de Paradela, Penso. // Casou na igreja de Prado a 9/8/1901 com Maria Cândida Gonçalves, nascida em Prado a 10/8/1875, filha de João Caetano Gonçalves e de Teresa de Jesus Dias. Testemunhas presentes: Francisco Rodrigues e Clara Lourenço, solteiros, camponeses. // Em 1913 residia no lugar do Souto, Prado; nesse ano, aquando do recenseamento eleitoral, foi excluído, não podendo votar, devido a não saber ler nem escrever (Correio de Melgaço n.º 68, de 28/9/1913). // Em 1915 estava doente; na Páscoa desse ano recebeu uma pequena esmola, enviada do Brasil por Constantino Manuel Monteiro, da Barronda, Prado (Correio de Melgaço n.º 145, de 18/4/1915). // Morreu na freguesia de Paços a 1/6/1924. // Pai de Ricardo Alves, nascido em Prado a 24/7/1902, de Ricardina, nascida em Prado a 23/11/1903, de António Augusto Alves, nascido em Prado em 1905, e de Carlos de Jesus Alves, nascido em Prado em 1915.

 

ALVES, Palmira da Glória. Filha de Luís Alves e de Virgínia do Rosário Cortes. Neta paterna de Manuel Joaquim Alves e de Maria Angelina Alves; neta materna de Francisco Cortes e de Ana Durães. Nasceu em Alvaredo a --/--/1930. // Em 2007 morava na Granja com a irmã, Maria. // Solteira, sem geração.

 

ALVES, Plácido. Filho de Pedro Alves e de Domingas Esteves. Nasceu por volta de 1783. // Faleceu na sua casa de Bouças a 2/6/1873, com noventa anos de idade. // Era solteiro, lavrador. // Fizera testamento.

 

ALVES, Romão. // Viúvo, do lugar do Padreiro. // Faleceu a 14/4/1856.

 

ALVES, Rosa. Filha de Manuel Alves e de Francisca Lourenço. Nasceu por volta de 1801. // Casou com João Gonçalves. // Faleceu na sua casa, sita no lugar dos Esteves, já viúva, a 22/6/1871, com setenta anos de idade. // Com geração.

 

ALVES, Rosa. Filha de João Manuel Alves e de Maria Pires, moradores no lugar do Padreiro. Neta paterna de Romão Alves e de Rosa Pires; neta materna de Manuel Pires e de Maria Manuela Esteves. Nasceu a 14/12/1842 e foi batizada a 18 desse mês e ano. Padrinhos: padre Miguel Rodrigues Torres e sua irmã, Maria Manuela Rodrigues Torres, de Sante, Paderne. // Casou com José Albano Lopes. // Faleceu no lugar do Padreiro a 13/12/1915.   

 

ALVES, Rosa. Filha de Manuel Joaquim Alves e de Maria Angelina de Araújo, lavradores, residentes no lugar da Granja. Nasceu por volta de 1890. // Faleceu no sobredito lugar a 18/11/1893, menor de três anos de idade, e foi sepultada na igreja paroquial de Alvaredo.

 

ALVES, Rosa. Filha de Maria Alves, solteira, camponesa, moradora no lugar do Padreiro. Neta materna de João Alves e de Maria do Carmo Alves. Nasceu em Alvaredo a 5/9/1896 e foi batizada na igreja a vinte desse mês e ano. Padrinhos: José de Abreu e Rosa de Abreu, solteiros, lavradores, do lugar de Ferreiros. // (ver, em Alvaredo, Salvador de Jesus).    

 

ALVES, Teresa. Filha de João Manuel Alves e de Maria do Carmo Alves, moradores no lugar do Padreiro. Neta paterna de Romão Alves e de Rosa Pires; neta materna de Bernardo Alves e de Rosaria Freijones (!), galegos. Nasceu a 24/10/1857 e foi batizada no dia 25 desse mês e ano. Padrinhos: Manuel José Lama e Maria Teresa Martins, do lugar da Carrasqueira. 

 

ALVES, Valeriano. Filho de Adelino Alves, do lugar de Felgueiras, Penso, e de Amélia Rodrigues de Castro, do lugar de Fonte, Alvaredo. Neto paterno de Manuel Joaquim Alves e de Maria Ludovina Fernandes; neto materno de Vitorino Rodrigues Castro e de Francisca Esteves. Nasceu no lugar de Fonte a 6/11/1913. // Faleceu no mesmo lugar a 6/11/1919. 

 

ALVES, Vicência Rosa. Filha de Pedro Alves e de Rosa Teresa, residente no lugar da Granja. N.p. de José Gonçalves (!) e de Joana Gonçalves, de Sainde, Paderne; n.m. de Manuel Luís Rodrigues e de Francisca Luísa Alves, da Granja. Nasceu a 3/4/1826 e foi batizada na igreja a 4 do dito mês e ano. Padrinhos: Manuel Besteiro e Marcelina Alves, tios da neófita.

 

AMARELO

 

“AMARELO”, Manuel. // O Amarelo, como era conhecido, talvez por ter cara de doente, nascera na freguesia de Alvaredo. // Em 1935, moço de padeiro, solteiro, quando tomava banho com outros camaradas no rio Minho, no Poço da Rocha, ou Poço do Barco, morreu afogado. // O seu cadáver foi encontrado dias depois na margem espanhola, tendo sido sepultado no cemitério de Barcela, Galiza (Notícias de Melgaço n.º 277, de 14/7/1935).  

 

AMARO

    

AMARO, Maria L. // Filha de ----------- Amaro e de -------------- Mendes. Nasceu a --/--/19--. // Em 2006 morava na Carrasqueira.

 

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ÂNGELA DA LUZ – Filha de Adelaide da Pureza (Exposta). Nasceu no lugar da Charneca a 7/6/1879 e foi batizada pelo padre Manuel António de Sousa Lobato a nove desse mês e ano. Padrinhos: José Joaquim Domingues, casado, lavrador, e Ângela da Luz, casada, residente no lugar de Apião, freguesia de Paderne. // Faleceu em casa da mãe, no lugar do Maninho, a 27/12/1879, com apenas seis meses de vida. 

 

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     Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 824, de 13/7/1947, página 1: «Nas imediações de São Martinho de Alvaredo, deste concelho de Melgaço, há um demente perigoso, conhecido por Aníbal, que dá maus tratos inqualificáveis à mãe, destrói as louças da cozinha, apedreja os telhados, etc. // Mas o caso toma um aspeto da maior gravidade! Sai de casa nu, completamente nu, e persegue assim as crianças da escola, que fogem espavoridas diante do monstro! // É em nome dos pais dessas crianças inocentes, de almas imaculadas, que vimos, na pequenez da nossa estatura, mas na grandeza do sentimento e da moral cristã, reclamar alto, e bem alto, providências, providências inadiáveis, para que o doido escandaloso seja internado num manicómio ou recluso, de qualquer forma. // De passagem por esta localidade, presenciamos o espetáculo repelente, com todos os requintes de obscenidade, e perguntamos se as autoridades, a quem compete, haviam tido interferência no caso. Foi-nos respondido que a mãe foi apresentada a essas autoridades na sede do concelho, mas que lhe foi respondido “não haver dinheiro para o internato no manicómio.” // Ex.mo Sr. Ministro da Educação Nacional: é para o espírito altamente culto e ponderável de V. Ex.ª que apelamos, certos de que será removido, de qualquer forma, este perigo escandaloso e criminoso, que põe manchas de lama na corola imaculada daquelas crianças, que Cristo chamava para si, dizendo no Evangelho: - vale mais pôr ao pescoço uma mó de pedra e deitar-se ao fundo do mar, aquele que escandalizar estas crianças! // É muito humilde e respeitoso, que o Notícias de Melgaço vem depor nas mãos de V. Ex.ª esta reclamação justa e sagrada.» - Melgaço, 5/7/1947.   

 

 

ANTUNES

 

ANTUNES, Francisco Nuno. Filho de Maria Alves, de Alvaredo. Nasceu a --/--/19--. // Enfermeiro e diácono do Patriarcado de Lisboa (VM 1006, de 1/5/1994).

 

ARAÚJO

 

ARAÚJO, Adelinda do Carmo. Filha de Benta Araújo. Neta materna de Francisco Manuel Araújo e de Maria José Gonçalves. Nasceu em Ferreiros de Baixo a 30/8/1917. // Casou a 13/6/1953, na igreja de Alvaredo, com José António Esteves Vaz, natural de Paderne. // O marido morreu em Alvaredo a 23/1/1983. // Ela faleceu a 26/1/1993.

 

ARAÚJO, Albina Clara. Filha de Jacinto José Araújo e de Maria José Gonçalves, lavradores, de Messegães. Nasceu por volta de 1841. // Casou com Manuel António Vasques, de Messegães, Monção. // Faleceu nos Esteves, Alvaredo, viúva, com 40 anos de idade, a 16/10/1881. // Com geração.

 

ARAÚJO, Alexandre. Filho de ------------- Araújo e de ----------- Matos. Nasceu por volta de 1936 em Sá, Ponte de Lima. // Casou com Maria Leopoldina Gomes de Castro. // Foi emigrante. // Quando regressou à terra da mulher dedicou-se à produção de alvarinho. // Após as eleições autárquicas de 9/10/2005 passou a fazer parte da Assembleia de Freguesia, como independente. // Pai de Maria Fernanda, nascida em Melgaço. // Morou em Corredouras. // Possuíam propriedades em Padreiro, Presa, etc. 

 

ARAÚJO, Álvaro. Filho de Manuel Francisco Rodrigues de Magalhães Araújo e de Maria de Jesus Sousa Afonso, lavradores, residentes na Sobreira. N.p. de Manuel Francisco Rodrigues de Araújo e de Maria Margarida Alves de Magalhães, de Vila França, São João de Sá, Monção; n.m. de José de Sousa Afonso e de Rosa Maria Rodrigues, do Pinheiro, Alvaredo. Nasceu a 1/10/1875 e foi batizado a 3 desse mês e ano. Padrinhos: José Narciso Alves de Magalhães, proprietário, e Claudina Domingues Basto, casados, de Cristelo, Troviscoso. // Casou na igreja de Alvaredo a 13/4/1904 com Maria, de 37 anos de idade, sua conterrânea, filha de José Bento Domingues de Freitas e de Rosa Mística Gonçalves. Testemunhas: padre Claudino Joaquim Rodrigues e Avelino Domingues de Freitas, solteiro, comerciante. // A esposa faleceu em Alvaredo a 9/1/1942. // Ele terminou os seus dias na mesma freguesia a 24/6/1959.

 

ARAÚJO, Anaim. Filha de Benta de Araújo, solteira, jornaleira, moradora no lugar de Ferreiros. N.m. de Francisco Manuel de Araújo e de Maria José Gonçalves. Nasceu em Alvaredo a 13/3/1909 e foi batizada no dia seguinte. Padrinhos: Luís Domingues e Maria Domingues, solteiros, lavradores, da freguesia de Remoães. // Casou a 23/12/1933, na CRCM, com Valeriano, de 22 anos de idade, natural da freguesia de Paderne, filho de José Vieites e de Maria Teresa Pires. // Faleceu em Paderne a 26/12/1988. 

 

ARAÚJO, Aníbal Augusto. Filho de Manuel de Jesus Araújo, soldado da Guarda-Fiscal, natural de Prado, Melgaço, e de Maria de Sousa Lobato, lavradeira, da Granja, lugar meeiro de Alvaredo e Paderne. Neto paterno de Manuel Bernardo Araújo e de Maria Cândida de Sousa Araújo; neto materno de António de Sousa Lobato e de Vitória Fernandes. Nasceu em Alvaredo a 24/3/1902 e foi batizado pelo padre Francisco Leandro Álvares de Magalhães a 27 desse mês e ano. Padrinhos: Cândido Caldas e Maria Esteves, solteiros, lavradores. // Fez exame do 1.º grau, em 1915, obtendo um suficiente. // Nota: no assento do seu batismo só consta o nome Aníbal. 

 

ARAÚJO, Antónia. Filha de Bento José Domingues de Araújo e de Maria Joana Pereira Bacelar. Nasceu em Alvaredo por volta de 1818. // Casou com Joaquim Manuel Veloso. // Faleceu a 10/6/1894, na sua casa do lugar do Maninho, com todos os sacramentos, com 76 anos de idade, viúva, sem testamento, sem filhos, e no dia 12 foi sepultada na igreja paroquial.   

 

ARAÚJO, António. Filho de Bento José Domingues de Araújo e de Maria Joana Pereira Bacelar. Nasceu a --/--/18--. // Foi escrivão do juiz de paz. // Faleceu na sua casa do lugar do Maninho a 21/9/1900, solteiro, sem sacramentos, sem testamento, e foi sepultado na igreja a 23 desse mês e ano.

 

ARAÚJO, António. Filho de Bento José Domingues de Araújo e de Joana Domingues de Araújo Agoada e Cavia, do Maninho. N.p. de Bento José Domingues de Araújo e de Maria Joana Pereira Bacelar; n.m. de Manuel Domingues de Araújo e de Ventura Agoada e Cavia, da Vila de Ribadávia, bispado de Tui. Nasceu a 21/5/1846 e foi batizado a 24 desse mês e ano. Padrinhos: António Augusto de Castro, da Quinta do Peso, Paderne, e Marcelina Domingues de Araújo, do Maninho, tia do bebé. 

 

ARAÚJO, António. Filho de Sara de Araújo. Neto materno de Manuel de Jesus Araújo e de Maria de Sousa Lobato. Nasceu no lugar da Granja, Alvaredo, a 13/6/1925 (*). // Casou a 19/10/1952, na igreja da freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Sé, Lourenço Marques, com Maria Sofia de Jesus Lopes, natural de Lisboa. // Faleceu na freguesia da Venteira, concelho da Amadora, a 13/2/2000. // Tinha irmãos. // Está sepultado no cemitério de Alvaredo. // Na mesma campa estão sepultados sua mãe, Sara de Araújo, e Gregório Ferreira. // Todos com geração. /// (*) Na campa está registado 13/5/1925.

 

ARAÚJO, António. Filho de ----------- Araújo e de ------------- Rodrigues. Nasceu a --/--/19--. // Em 2006 morava na Carrasqueira.

 

ARAÚJO, Arlinda da Conceição. Filha de António Braz de Araújo, lavrador, natural do lugar de Golães, freguesia de Paderne, e de Maria Rosa de Castro, do lugar do Maninho, freguesia de Alvaredo. // Morreu a 12/1/1931, com apenas dois anos de idade, e foi sepultada no cemitério de São Martinho de Alvaredo.

 

ARAÚJO, Armando. Filho de --------- Araújo e de -------------------------------------. Nasceu a --/--/19--. // Soldado da Guarda Nacional Republicana. // Em 1950 prestava serviço em Coimbra. Nesse ano gozou alguns dias de licença em Alvaredo.

 

ARAÚJO, Benta (Braz). Filha de Francisco Manuel Araújo e de Maria José Gonçalves, lavradores, residentes no lugar de Ferreiros. N.p. de José Maria Araújo e de Caetana Luísa Gomes, de Golães, Paderne; n.m. de Manuel Joaquim Gonçalves e de Teresa Afonso, do lugar de Ferreiros, Alvaredo. Nasceu a 29/4/1874 e foi batizada a 1 de Maio desse ano. Padrinhos: José Bento Domingues, solteiro, lavrador, do Coto, e Benta Domingues Caldas, solteira, lavradora, do Barbeito. // Faleceu em Ferreiros a 23 ou 24/11/1951. // Mãe de Adelinda do Carmo de Araújo e de Maria de Araújo.  

 

ARAÚJO, Claudino. Filho de Manuel Francisco Rodrigues Araújo e de Maria de Jesus Sousa Afonso, proprietários, moradores na Sobreira. N.p. de Manuel Francisco Rodrigues Araújo e de Maria Margarida Alves Magalhães, de Vila França, São João de Sá; n.m. de José de Sousa Afonso e de Rosa Maria Rodrigues, do Pinheiro. Nasceu a 4/12/1873 e foi batizado a 8 desse mês e ano. Padrinhos: José Narciso Alves de Magalhães, casado, proprietário, e Claudina Domingues Basto, casada, proprietária, de Cristelo, Troviscoso. // Faleceu a 5 de Maio (?) de 1946.

 

ARAÚJO, Emídio. Filho de Manuel Francisco Rodrigues Magalhães de Araújo e de Maria de Jesus de Sousa Afonso, lavradores, residentes no lugar da Sobreira. Neto paterno de Manuel Francisco Rodrigues Araújo e de Maria Alves Magalhães, lavradores, residentes em São João de Sá, Monção; neto materno de José Sousa Afonso e de Rosa Maria Rodrigues, de Alvaredo. Nasceu a 25/12/1878 e foi batizado a 29 desse mês e ano. Padrinhos: José Narciso Rodrigues, solteiro, proprietário, morador em São João de Sá. // A esposa faleceu em Alvaredo a 8/8/1953 e ele a 7/11/1954.

 

ARAÚJO, Fernanda. Filha de António Braz Araújo e de Maria Rosa de Castro. Nasceu em Alvaredo a --/--/1931. // Em 2006 morava na Charneca. 

 

ARAÚJO, Fernando. Filho de Benta de Araújo, solteira, camponesa, moradora no lugar de Ferreiros. N.m. de Francisco Manuel de Araújo e de Maria José Gonçalves. Nasceu em Alvaredo a 17/12/1905 e foi batizado a 23 desse mês e ano. Padrinhos: Luís Domingues e Maria Domingues, solteiros, lavradores, da freguesia de Remoães.

 

ARAÚJO, Florinda Teresa. Filha de Bento José Domingues de Araújo e de Maria Joana Pereira Bacelar. Nasceu em Alvaredo por volta de 1826. // Lavradeira. // Faleceu a 4/3/1900 na sua casa de Bouças, com 74 anos de idade, com todos os sacramentos, sem testamento, casada com João António Fernandes, e foi sepultada na igreja. // Deixou filhos.

 

ARAÚJO, Francisco Manuel. Filho de José Maria de Araújo e de Caetana Luísa Gomes, de Golães, Paderne. Nasceu por volta de 1829. // Lavrador. // Casou com Maria José Gonçalves. // Faleceu a 28/10/1891, com 62 anos de idade, na sua casa de residência do lugar de Ferreiros, com todos os sacramentos, viúvo, sem testamento, com filhos, e foi sepultado na igreja.

 

ARAÚJO, Jerónimo. Filho de Alexandre Matos de Araújo, pedreiro, natural de Sá, Ponte de Lima, e de Maria Leopoldina Gomes de Castro, natural do Padreiro, Alvaredo, Melgaço. Neto paterno de Laurindo José Araújo e de Gracinda Angelina Matos; neto materno de Maria Gomes de Castro. Nasceu no referido lugar de Padreiro a 22 de Novembro de 1966. // Faleceu a 13 de Abril de 1995, de desastre de viação, ocorrido em França. // Irmão de Manuel Alexandre Araújo.

 

ARAÚJO, José. Filho de ----------- de Araújo e de -------------------------------------. Nasceu em ------------, a --/--/19--. // Em 1998 estava viúvo e morava na Torre.

    

ARAÚJO, José. Filho de António Brás Araújo e de Maria Rosa de Castro. Nasceu em Alvaredo a --/--/1933 (NM 206, de 27/8/1933). // Nota: deve ser o senhor que morreu a 13/2/2014; estava aposentado; fora soldado da Guarda Nacional Republicana.

 

ARAÚJO, Manuel Alexandre. Filho de Alexandre Matos Araújo e de Leopoldina Gomes de Castro. Nasceu a 22/11/1965. // Faleceu a 22/10/1993. // Apareceu morto a 11/11/1993, num pequeno bosque, no local designado Baluartes, sito em Alvaredo. Era solteiro e tinha apenas 28 anos de idade. Desaparecera de casa havia três semanas! O seu corpo foi dali retirado pelos BVM. // Irmão de Jerónimo. // Foi sepultado na mesma campa de Maria Pureza Alves, que tinha falecido a 25/12/1970. 

 

ARAÚJO, Manuel de Jesus. Filho de Manuel Bernardo Araújo e de Maria Cândida de Sousa Araújo. Foi soldado da Guarda-Fiscal. // Casou no lugar da Granja com ---------- Martins. Pai de Sara e de Manuel, residentes em São Gregório, freguesia de Cristóval. 

 

ARAÚJO, Marcelina. Filha de Bento José Domingues de Araújo e de Maria Joana Pereira Bacelar. Nasceu em Alvaredo por volta de 1820. // Lavradeira. // Casou com Manuel José da Lama. // Faleceu no Maninho a 15/4/1899, no estado de viúva, com os sacramentos da igreja católica, sem testamento, e foi sepultada na igreja no dia seguinte. // Deixou filhos.  

 

ARAÚJO, Maria. Filha de Francisco Manuel Araújo e de Maria José Gonçalves, lavradores, residentes em Ferreiros. N.p. de José Maria Araújo e de Caetana Luísa Gomes, de Golães, Paderne; n.m. de Manuel Joaquim Gonçalves e de Teresa Afonso, de Ferreiros, Alvaredo. Nasceu a 3/7/1871 e foi batizada a 9 desse mês e ano. Padrinhos: José Joaquim de Araújo, solteiro, lavrador, das Carvalhiças, SMP, e Violante Gaia Torres, viúva, lavradeira, de Ferreiros. // Casou na igreja da sua terra natal a 5/12/1900 com António Manuel de Carvalho, de 26 anos de idade, solteiro, lavrador, natural de Paderne. // Mãe de Jaime de Carvalho (ver em Alvaredo).

 

ARAÚJO, Maria (ou Maria Gracinda). Filha de Benta de Araújo, solteira, camponesa, moradora no lugar de Ferreiros. N.m. de Francisco Manuel de Araújo e de Maria José Gonçalves. Nasceu em Alvaredo a 6/5/1899 e foi batizada no dia seguinte. Padrinhos: Lourenço Besteiro, casado, lavrador, e Maria de Araújo, solteira, camponesa. // Faleceu em Paderne a 3/1/1938.   

 

ARAÚJO, Maria Alzira. Filha de Sara de Jesus Araújo. Nasceu em 1936. // Foi colocada em comissão, na freguesia de Alvaredo, como regente escolar do quadro de agregadas (ano letivo de 1955/6). // Em 1956/7 continuou a dar aulas na escola de Alvaredo. // Em 1957, em virtude do posto onde lecionava ter sido suspenso, foi colocada no posto misto da Vila «… recentemente criado». // No jornal diz-se que «foi colocado em comissão na escola masculina de Alvaredo o regente escolar José Paula».

 

ARAÚJO, Maria Joana. Filha de Bento José Domingues de Araújo e de Maria Joana Pereira Bacelar, naturais de Alvaredo. Nasceu nesta freguesia por volta de 1807. // Proprietária. // Casou com Manuel António Esteves Lira. // Faleceu no lugar de Esteves a 22/5/1902, com noventa e cinco (95) anos de idade, com todos os sacramentos, viúva, com testamento, e foi sepultada «tumultuariamente» na igreja de Alvaredo. // Deixou filhos.

 

ARAÚJO, Maria Joaquina. Filha de Caetano José Araújo, natural de Penso, e de Maria Joana Lama, do lugar da Granja, lavradores. // Faleceu na Granja a 3/4/1880, com 66 anos de idade, solteira. // Sem geração.

 

ARAÚJO, Maria Leonor. Filha de Sara de Jesus Araújo. Nasceu em Alvaredo a --/--/1935 (NM 269, de 28/4/1935).

 

ARAÚJO, Rosa. Filha de António Domingues Araújo e de Rita Castro, lavradores, residentes em Canda. Neta paterna de Ana Domingues Araújo, solteira, lavradora, residente em Canda; neta materna de António Severino de Castro e de Maria Abreu, lavradores, residentes no Maninho. Nasceu a 16/12/1878 e foi batizada a 20. Padrinhos: José Albano Lopes e Rosa Alves, casados, lavradores, residentes no Padreiro.

 

ARAÚJO, Sara. Filha de Manuel de Jesus de Araújo e de Maria de Sousa Lobato. Nasceu a --/--/1---. // Faleceu a --/--/19--. // Foi sepultada no cemitério de Alvaredo, na mesma campa de Gregório (ou Gregório Nazianzeno) Ferreira, que deve ser seu marido (ver na freguesia da Vila de Melgaço). // Deixou filhos, noras e netos. // Ao lado da sua campa está enterrado o corpo de seu filho, António de Araújo (1925-2000).  ---------------------------------------------------.    

 

AZEVEDO

 

AZEVEDO, Manuel de Araújo Caldas (Padre). // Nasceu no século XVIII. // Era natural do lugar do Maninho, freguesia de Alvaredo. // Gerou em Brites Maria de Araújo, solteira, de Ribeiro de Carse, bispado de Ourense, uma menina, Maria Araújo Azevedo Caldas, que viria a casar com Belchior, filho do boticário Luís de Araújo Fernandes Lobarinhas. Uma bisneta do padre, Maria Engrácia de Araújo Lira de Abendanho, casou com Francisco José de Abreu Lima e Castro, natural de Paderne, passando o casal a morar no Maninho, Alvaredo, mudando depois para São Gregório, onde ela morreu a 13/1/1850. // (ver “O Meu Livro das Gerações Melgacenses”, vol. I., p.p. 602/3).  

 

BACELAR

 

BACELAR, Joaquim José Caldas. // Casou com Mariana Gomes do Souto, filha do capitão Sebastião Gomes do Souto e de Jerónima Araújo Magalhães, da Casa da Barqueira (Século XIX).

 

BACELAR, Joaquina. Filha de Joaquim da Rocha Caldas Bacelar e de Maria Gomes Araújo, moradores na Quinta da Barqueira. Neta paterna de João Caldas Bacelar e de Ângela Francisca Abreu, de Penso; neta materna de Sebastião Abreu Magalhães e de Jerónima Gomes Araújo, de Chaviães. // Lavradora. // Solteira. // Faleceu em sua casa da Quinta da Barqueira, com 60 anos de idade, a 8/4/1860. // Deixou testamento.

 

BACELAR, Teresa Aniceta. Filha de Joaquim da Rocha Caldas Bacelar e de Maria Gomes Araújo. // Casou com o Dr. João Manuel, de Bouças, filho de João Caetano Durães e de Angélica Maria Lopes (Século XIX).

 

BAPTISTA

 

BAPTISTA, António. Filho de ---------- Batista e de -----------------------------------. Nasceu a --/--/1---. // A 13/10/1968 foi publicado o anúncio: «Vende-se em Alvaredo casa de morada, nova, com todos os requisitos modernos e terrenos anexos, com latadas em ferro e arame. Falar com o proprietário, António Baptista

// continua...

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

UM HOMEM DE CARÁTER
(Um perfeito cavalheiro)

Por Joaquim A. Rocha





SOLHEIRO, Hermenegildo José. Filho de Hermenegildo Solheiro e de Adelaide Joaquina Alves. Neto paterno de António Bernardo Solheiro e de Maria Joaquina Ribeiro; neto materno de Domingos José Alves, ferreiro, e de Maria Caetana Gaioso, moradores na Calçada. Nasceu na Vila a 19/4/1868 e foi batizado a 26 desse mês e ano. Padrinhos: Manuel José Esteves “Melgaço”, casado, do lugar de Eiró, Rouças, e tocou por madrinha José Manuel Nunes de Almeida, solteiro, morador na Vila. // Aos catorze anos de idade (1882) embarcou para o Brasil, para junto de seu pai, negociante nessa parte do planeta. Nunca esqueceu Melgaço. Logo que podia visitava a sua terra natal. A 22/4/1900 cá estava ele. Regressou ao Brasil, mas em 1907 voltava, em companhia de Artur Pires Teixeira. Numa dessas visitas conheceu a sua futura esposa. // Morava em Prado, era solteiro, proprietário, quando casou na igreja de SMP a 17/9/1906 com Maria Leonor, de vinte e dois anos de idade, nascida em Miragaia, Porto, a 17/9/1884, filha de Manuel José da Mota, industrial portuense, e de Maria das Dores Gonçalves, neta materna de Manuel Caetano Gonçalves e de Marcelina da Glória da Rocha, e irmã de Julieta La Salete da Mota, casada com o Dr. Henrique Pinto Albuquerque Stockler. // A 9/6/1912, juntamente com seu cunhado, António Francisco de Oliveira, e outros, fundou o jornal «Correio de Melgaço», que termina no número 251, de 27/5/1917, e do qual foi proprietário e diretor. // Em 1913, aquando do recenseamento eleitoral, foi excluído, não podendo votar, devido a uma reclamação feita por António Evangelista Pereira. O visado recorreu para o tribunal superior, o qual considerou ter havido lapso, considerando-o apto a votar (Correio de Melgaço n.º 68, de 28/9/1913). Logo a seguir encabeça a lista de candidatos à Câmara (Correio de Melgaço n.º 76, de 23/11/1913). // A 6/2/1914 embarca no vapor Hilary com destino a Pará (Correio de Melgaço n.º 85, de 1/2/1914). // Nesse ano de 1914 foi eleito, por grande maioria dos votos, para o Conselho Fiscal da Companhia de Seguros Lloyd Paraense (Correio de Melgaço n.º 104, de 23/6/1914). // Em 1915 pertencia ao Conselho Fiscal da firma B. Antunes & C.ª - Companhia Aviadora da Amazónia (Correio de Melgaço n.º 175, de 21/11/1915). // Chegou a Lisboa, vindo de Pará, a 30/4/1916. // Entre os anos de 1915 e 1919 mandou erguer, nos Esparizes, Galvão, uma linda vivenda, mais tarde conhecida por “Vila Solheiro”, que ainda no século XXI se pode admirar. // Deu um salto a Portugal em Abril de 1916 (CM 196, de 23/4/1916); chegou à Barronda, Prado, a 20/5/1916, sábado; de Lisboa vinha acompanhado pela mãe, pela esposa, e filhos – Marieta e Hermenegildo. Parte novamente para Belém de Pará a 17 de Julho desse ano; chega ao Brasil com a esposa e filhos a 3/8/1916 (ver CM 207, de 16/7/1916, e CM 210). Logo a seguir toma conta da gerência do “Lloyd Paraense”; e por impedimento de António Alves da Silva é ele nomeado diretor do Banco de Crédito Popular (Correio de Melgaço n.º 220, de 15/10/1916). // Em 1922 estava em Melgaço, pois nesse ano, a 20 de Janeiro, foi padrinho de Maria de Lurdes Silva, nascida em Galvão de Baixo a 12/10/1921. // A 21/2/1926, com Ernesto Viriato Ferreira da Silva, Dr. José Joaquim Durães e professor Abel Nogueira Dantas, lançou o semanário político e noticioso «Melgacense». Ferreira da Silva era o diretor, Nogueira Dantas o editor, ele o redator. Durou até 1929 (surgindo nesse ano o «Notícias de Melgaço» - 2.ª versão). // Foi provedor da SCMM a partir de 1927 (nesse ano fez aprovar os seus estatutos, os quais vigoraram até 1981!) // Foi administrador do concelho e presidente da Comissão Administrativa (equivalente a presidente da Câmara) entre 1926 e 1931. Nesse período construiu-se o Mercado Municipal, o edifício dos Paços do Concelho, repavimentaram-se as Ruas da Calçada e do Rio do Porto, deu-se início à eletrificação da Vila. Tentou concretizar o projeto da construção da Avenida (Alameda Inês Negra) mas a vida não lhe deu mais tempo. Lutou pela vinda do comboio até Melgaço, mas nada conseguiu. // Não era pessoa de meias medidas: em 1929, juntamente com os outros membros da Comissão Administrativa da CMM, padre Artur da Ascensão Almeida, Hilário Alves Gonçalves e José Caetano Gomes, obrigou o editor do “Notícias de Melgaço” a divulgar o autor de um artigo, designado «Por Melgaço», publicado nesse jornal a 21/4/1929, o qual punha em causa, segundo a Comissão, algumas medidas tomadas por esta. O autor da “local” era o médico Dr. António Cândido Esteves, irmão do Dr. Augusto César Esteves, republicanos convictos. O clínico deu a cara, declarando que não era sua intenção melindrar ninguém, apenas quis chamar a atenção dos leitores para alguns atos da administração, sobretudo aqueles que diziam respeito a gastos com viagens dos membros da dita Comissão, concretamente a Sevilha, cuja Exposição nada tinha a ver com os interesses de Melgaço. A resposta tem a data de 27/5/1929. Não sei como as coisas ficaram, só sei que o médico Dr. Esteves fez parte da lista negra do designado Estado Novo, embora a sua hostilidade fosse pacífica. // Hermenegildo José Solheiro morreu em Galvão a 21/8/1931, sexta-feira; os seus restos mortais jazem no cemitério municipal de Melgaço. // Alguém escreveu depois da sua morte: «era, como se costuma dizer, o homem certo no lugar certo; era, sobretudo, um sólido carácter e o expoente máximo da correcção e honestidade

 

     Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 122, de 23/8/1931: «Morreu Hermenegildo Solheiro. Embora soubéssemos que há oito dias as parcas andavam dançando em torno dos fios da sua existência e que sob o seu nome no livro dos vivos jazia uma esponja sempre pronta para o apagar, longe de nós esvoaçava o pensamento do seu tão rápido desenlace. // A triste notícia, correndo veloz às primeiras horas de sexta-feira, deixou-nos surpreso, dolorosamente emocionado. Ainda na véspera o tínhamos visto a caminho dos Paços do Concelho, sorridente, sonhando, talvez, com um Melgaço maior, passeou nas ruas da nossa Vila e ninguém viu nele o homem, cansado pelos anos ou abatido pelos desgostos, que andasse dizendo o eterno adeus à sua terra ou dirigindo as últimas saudações aos seus amigos. // O seu ânimo viril enganou-o, decerto, quando mediu as suas forças físicas, porque não meteu (*) em linha de conta as energias desbaratadas em uma tenaz luta pela existência na cidade do Pará, e o seu arcaboiço rijo ludribiou também os nossos olhos, porque ninguém se lembrou que os fortes baqueiam, como os fracos, quando a morte surge. // H.S. morreu! Perante o seu falecimento curvem-se os melgacenses, agora, porque perante a majestade da morte a ninguém fica mal manifestar respeito. // Provedor da SCMM, Administrador e Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Melgaço durante o último período político (**), H.S. deixa uma obra que a História há-de classificar serena e imparcialmente (***). Mas seja qual for o veredictum do futuro, o concelho deve reconhecer H.S. como um melgacense que dedicou os últimos anos da sua vida ao engrandecimento da sua [e nossa] terra. // É cedo, sem dúvida, para se fazer a história política dos últimos anos, porque as paixões ainda se entrechocam e os ódios refervem (****); mas quando aquelas acalmarem e estes arrefecerem, quando a paz voltar aos espíritos e o bom senso de novo os iluminar, talvez todos reconheçamos que H.S. combateu por um Melgaço maior, sacrificando-se pelo seu engrandecimento e, quiçá, por causa deste abreviou os últimos dias da sua vida. // Conforme tinha sido marcado, chegou às dez horas o Excelentíssimo Senhor Governador Civil do distrito, acompanhado dos Excelentíssimos Senhores major António Ramos e capitão Licínio Presa. À entrada na câmara funerária havia olhos marejados de lágrimas na vasta assistência e aos ilustres recém-chegados, comovidos, viu-se-lhes borbulhar nos olhos as lágrimas sentidas da perda irreparável. De seguida organizou-se o funeral, com um acompanhamento numerosíssimo, dia pardo e de neblina – que, como crepes, rodeava a Vila enlutada, e uma chuva miudinha caía, chorando por ele, e representando-nos a todos. Até a atmosfera estava triste, pesada – bem a par de todos os corações a repercutir-se toda no sentimento geral. Agora, na carreta dos nossos bombeiros, que o acompanharam na sua máxima força, segue o cortejo fúnebre ao som de uma marcha que contagia e faz vibrar tristemente a sensibilidade. A chave da urna é conduzida por Sua Excelência, o Senhor Governador Civil. Foram organizados, até à igreja matriz da Vila, os seguintes turnos: 1.º - major Dr. António Ramos, capitão Licínio Presa, capitão Luís Augusto de Carvalho, alferes Manuel Joaquim. // 2.º - Conselheiro Dr. Manuel Fernandes Pinto, Dr. Augusto César Ribeiro Lima, Dr. Sérgio Saavedra, Frederico Augusto dos Santos Lima, João Pires Teixeira, João Barros Durães. // 3.º - Dr. José Joaquim da Rocha, João Eugénio da Costa Lucena, José Caetano Gomes, José Luís Lopes, António José de Barros, Bento Fernandes Pinto. // 4.º - Francisco A. Guimarães, António Joaquim de Sousa, Mário Ranhada, Gaspar de Figueiredo, Raul Vilarinho, António Rocha. // E da igreja para o cemitério: 1.º - capitão Augusto de Carvalho, alferes Manuel Joaquim, João Lucena, Luís Manuel de Vasconcelos. // 2.º - Sargento Eleutério P. Mendonça, Cândido Augusto Esteves, Hilário Alves Gonçalves, José Maria Pereira. // 3.º - Angel Valverde, Jesus Valverde, José Reina, Manuel Gonçalves da Costa. // 4.º - Ricardo Cordeiro Junior, António Mendes, Domingos Alves Silva, António José Alves. // Os senhores Dr. Henrique Fernandes Pinto, residente em Lisboa, e Eng.º Júlio José de Brito, do Porto, fizeram-se representar pelo senhor Duarte de Magalhães, e o senhor António José de Pinho, presidente da Câmara Municipal de Monção, pelo senhor Dr. Augusto Lima. À missa e ofício de corpo presente assistiram catorze eclesiásticos, os quais se encorporaram também no funeral. A ornamentação da igreja, a cargo do senhor Aurélio de Azevedo, nada deixou a desejar. Sobre o féretro, coberto com o estandarte da Câmara Municipal de Melgaço, foram depostas muitas coroas e bouquês, oferecidas pela família do ilustre extinto e de pessoas das suas relações e amizade. Desde que foi conhecida a sua morte, o comércio da Vila e de Prado, em sinal de sentimento, ficaram com meias portas abertas e à passagem do funeral encerraram totalmente. Nos edifícios públicos viu-se a bandeira nacional a meia adriça. // Nesta hora de profundo luto para todo o concelho o Notícias de Melgaço apresenta à ilustre família do finado a expressão bem sincera e muito sentida da sua condolência       

 
 

(*) /// Leia-se: «porque não teve, ou levou, em linha de conta...» /// (**) Foi presidente da Comissão Administrativa da CMM, de 1926 (após a queda da I República) até à sua morte, em Agosto de 1931. /// (***) Fez muito, comparando com o que outros antes dele fizeram, e sem dinheiro nos cofres da Câmara; no entanto, pouco deixou feito, tendo em conta o muito que havia para fazer. Quando aconteceu o 25 de Abril de 1974, Melgaço podia considerar-se uma vila medieval: ruas sujas, empedradas, várias casas em ruínas, pouca gente, muita pobreza, analfabetismo, etc. Felizmente surgiu em cena o seu neto, Rui Solheiro, que – embora muito criticado pela oposição – continuou a obra de seu avô paterno. /// (****) Não nos esqueçamos que ele, ao aceitar aquele cargo político, acabou por se tornar inimigo declarado dos republicanos da 1.ª República.

 

     Escreveu J. Ribeiro no Notícias de Melgaço n.º 122, de 23/8/1931 (Prado, 23/8/1931): «Melgaço está de luto! O principal baluarte da sua fortaleza financial ruiu por terra ao sopro devastador da morte. Todos os melgacenses cobrem crepes nesta ocasião, pois um filho da terra de Melgaço tombou sob a fria lousa do sepulcro: Hermenegildo Solheiro. Querido ente melgacense: adeus! // Quem não admira a obra financial deste verdadeiro homem público? Quem, conhecendo de perto o seu amor acrisolado pela sua terra natal lhe regateará os méritos a que fez jus? Ninguém; posso afirmá-lo sem pejo. Desde que, em terras de Santa Cruz, começou a exercer a sua atividade como verdadeiro financeiro, já como diretor do Banco de Crédito Popular no Pará, já como diretor da Companhia de Seguros Lloyd Paraense, já como chefe gerente da Casa Comercial Solheiro & Companhia, era de prever que ao tomar conta do espinhoso cargo de administrador do erário público de Melgaço se havia de impor pelo engrandecimento desta terra que lhe serviu de berço, pois amava a sua terra como um filho ama a sua mãe. // Tudo revela bairrismo em Hermenegildo Solheiro. Não é preciso enumerar os seus serviços pelo engrandecimento da sua terra durante a sua gestão governamental. São coisas palpáveis que o afirmam e que ficam legadas às gerações vindouras como relíquias do passado, engrandecimento cada vez maior do nome do seu augusto filho. // Melgaço está de luto, digo eu, pois o coração de todo o melgacense que se preze deve estar altamente sensibilizado com o prejuízo que acaba de sofrer. // A obra iniciada por Hermenegil Solheiro deve ter um continuador e Deus queira que com qualidades bairristas e elevadas como as do que hoje todo Melgaço pranteia. A política posta de parte, o amor concentrado por esta terra que principiou, embora tarde, a entrar na senda do progresso, são os principais factores para a realização do ressurgimento regional de Melgaço. Assim eu cheguei a compreender o gigante que caiu! // Assim é que devem ser os continuadores da sua obra. // Uma prece a Deus pela sua alma! Uma recordação constante dos seus feitos é a que todo o filho de Melgaço deve sentir para maior engrandecimento dos seus méritos, perante Deus e perante os homens.»

 

     Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 123, de 6/9/1931: «Das poucas vezes que leio jornais diários apresso-me sempre a ver se encontro notícias da minha terra. Em correspondência de Melgaço, o Comércio do Porto, de 22, transmitia a todos os meus patrícios, ausentes em terras estranhas, a triste notícia do falecimento, no dia 21, do conterrâneo ilustre, que em vida se chamou HJS. // A morte, em sua garra adunca, acaba de levar para o além a alma daquele que entranhadamente amava a sua terra natal. Esta compungidora notícia veio enlutar o meu coração de melgacense, porque a esta hora também se encontra de luto a terra que me viu nascer. Os crepes lutuosos da tristeza adejam por sobre as rotas muralhas do velho burgo, que o pulso férreo do que agora jaz por terra, se a morte o não prosta, teria conseguido fazer (do mesmo) uma terra progressiva e uma das mais encantadoras do nosso Minho. // A obra de embelezamento de Melgaço, começada por HJS, sobre o impulso da sua vontade, seria grandiosa (*), se a morte, com o seu brusco repelão, a não vem interromper. // Fica órfã, e eternamente vaga, a sua cadeira no município de Melgaço, porque homens da envergadura de HS são, nos tempos que correm, de um egoísmo utilitário como os meteoros que só de séculos a séculos passam por sobre a terra, deixando da sua passagem um rasto de luz, que o tempo apaga, mas de quem a recordação fica a perpetuar-lhe a memória. // Eu, como melgacense, que ama enternecidamente a sua terra, daqui, deste cantinho que se debruça sobre as águas do Lethes, ou Lima, rio saudoso, que foi cantado por Bernardes e Feijó, associo-me à dor que o povo da minha terra neste transe amargurado sente pela perda irreparável do eminente cidadão que tão devotadamente se empenhava pelo seu caminhar progressivo. // Que a terra-mãe o receba amorosamente em seu seio; e que as lágrimas de saudade de todo o povo do concelho lhe vão orvalhar a sepultura com o pranto da sua gratidão; gratidão bem merecida, por aquele que somente mantinha a ambição de fazer alguma coisa verdadeiramente grande e que deixa uma lacuna, que não sei quando se preencherá. // Terra minha, querida, por que desejas guardar em teu seio um corpo, que continha em si os mais amplos projetos do teu embelezamento? // Guarda-o com os (…) afetos que ele te tributava e que os vindouros lhe reverenciem a sua memória, digna da vossa eterna gratidãoL. A. Rodrigues. Ponte de Lima, 22/8/1931.           

 

     No dito jornal, Noticias de Melgaço n.º 123, lê-se: «Para presidir aos destinos do nosso município foi escolhido o nosso estimado amigo senhor João de Barros Durães, farmacêutico pela Universidade de Coimbra. // Acertada escolha, tanto mais que o recém-nomeado, privando de perto com o saudoso HS, sabia bem o programa traçado para o engrandecimento de Melgaço. Parabéns aos melgacenses

 

     «HJS – Missa do 30.º dia – Convite. A CMM convida todas as pessoas a assistir a uma missa que, no dia 21 do corrente, pelas nove horas, mandará rezar na igreja matriz desta Vila, sufragando a alma do seu saudoso presidente, senhor Hermenegildo José Solheiro. Desde já agradece. Melgaço, 10/9/1931.» NM 124, de 13/9/1931.

 

     Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 135, de 10/1/1932: «Homenagem: verdadeira, perfeita, significante, foi a de hoje. Inauguração dos Paços do Concelho, discursos, romagem ao cemitério da Vila; tudo o que necessário era para pôr à evidência, altissonante, o mérito de alguém. Que beleza em tudo! Agora, é o valor intrínseco, desse alguém, que é apresentado tal qual o merecia; logo, o respeito que todos os melgacenses, que prezam esse nome, lhe tributaram; finalmente para Hermenegildo (…) Que beleza em tudo! Beleza, porque esta palavra significa o que é belo no seu sentimento, no coração. E houve alguém que não tivesse sentimentos belos na homenagem [que se fez no] cemitério no dia de hoje? Foi um preito de homenagem a HS. // Não é preciso dizer mais nada. O nome deste homem encerra em si o valor do presente que todos devemos e temos obrigação de admirar; e (quiçá?) o futuro, a que igualmente todos nós, os melgacenses, temos obrigação de aspirar. Eis o motivo por que eu digo que foi bela a manifestação de hoje. O concelho de Melgaço sabe corresponder ao respeito que merecia o inesquecível HS, presidente da Câmara Municipal de Melgaço, afluindo na sua maior parte, ao tributo que lhe foi prestado e que representou uma verdadeira apoteosePrado, 6/1/1932. J. Ribeiro.  

 

     Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 150, de 22/5/1932, um artigo escrito pelo capitão Luís A. de Carvalho, onde se fala de H.J.S.: «Finalizando, diremos ao correspondente a razão por que invocamos e invocaremos o nome do saudoso Solheiro. Era homem de carácter, e pelos factos que vamos contar é que o apreciamos. Dias depois de aqui chegarmos fomos às Águas do Peso. Ali encontramos o Governador Civil e o hoje falecido Solheiro. Cumprimentamos, e como com ambos mantínhamos boas relações pessoais, juntando, às do primeiro, boa camaradagem que tínhamos tido, pedimos melhoramentos para a nossa terra e, ao primeiro, o seu valioso concurso de Magistrado Administrativo. Tempos depois, ainda não conhecíamos o meio, falando com alguém da conversa havida, foi-nos dito: “o Solheiro é impolítico; se tivesse larguezas políticas tinha nomeado o Dr. António Cândido Esteves, e com isto conquistava as amizades políticas deste e da sua família.” Mais adiante, em uma conversa, depreciava-se a acção da sua obra… Dizia-se: “fê-lo devido à situação excepcional, e mesmo assim deixa o povo carregado de impostos e de encargos [sobretudo de juros à CGD] por largos anos… etc.” Pois os autores dos ditos, eram, como presenciamos, alguns bajuladores e que diante dele curvavam a espinha. E ele, sempre altivo, sorridente, deixava-os… e passava adiante, e não vendera o seu carácter por uma nomeação… Entendam-me bem. Por isso, ao ele passar à última jazida, nas nossas sinceras palavras, exteriorizamos o que nos ia na alma.

  

     Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 160, de 7/8/1932: «A Câmara Municipal deste concelho, comemorando o 1.º aniversário da morte do seu saudoso presidente, Hermenegildo José Solheiro, convida todas as pessoas a assistirem a três missas, que no dia vinte e dois do corrente, pelas dez horas oficiais, manda rezar na igreja matriz desta vila. Desde já, agradece.» Melgaço, 5/8/1932.

 

     No Notícias de Melgaço n.º 162, de 28/8/1932, José Augusto Alves diz-nos que já decorreu um ano depois da sua morte: «Com a devida vénia gostosamente transcrevemos do Diário do Minho de 21 do corrente o que se diz acerca deste ilustre melgacense por ocasião do seu 1.º aniversário fúnebre – “Ao galgar, na voragem que passa, a escarpada encosta do tempo, encontrei lá em baixo, no vale do passado, junto dos nossos caros irmãos de além campa, o frio túmulo do saudoso H.S. // As suas cinzas venerandas humecidas ainda pelas lágrimas quentes dos amigos e orvalhadas pelo rocio suavíssimo das preces ferverosas dos crentes, descansam à sombra reconfortante da cruz, em que Cristo agonizou; daquela cruz que é a mais alta cátedra de ensino que o mundo viu e que ainda na sua muda linguagem nos dá as lições eloquentes do maior mestre; daquela cruz, leito augusto do salvador dos homens, lenho sagrado onde se passou a maior e mais emocionante epopeia de amor: daquela cruz que é o símbolo mais perfeito e completo da liberdade, igualdade e fraternidade. // É ali, na região dos mortos, que descansa aquele que foi em vida o maior melgacense dos últimos tempos. Franco, leal, sincero, justo, equitativo, H.S. passou como um meteoro fulgurante, deixando um rasto luminoso a mostrar o caminho que deviam seguir os seus sucessores e a vincar os princípios que os deviam orientar no desempenho da sua missão. // Dificuldades, não deixou. Essas – tantas, e tamanhas que eram – removeu-as ele. Dotado de uma grande força de vontade, de uma coragem insuperável, e de uma dedicação extrema pelo nosso rincão querido, tomou-o carinhosamente nos seus braços e colocou-o na vanguarda do progresso. // Andava embrenhado nesta augusta missão quando a morte o veio [roubar] ao convívio dos seus [parentes] e dos amigos. Intransigente com os princípios, homem de ordem e de caráter, H.S. nunca atendeu pedidos que comprometessem a sua autoridade ou que truncassem os princípios da equidade e da justiça. // A maior das suas aspirações, aspiração palpitante, fascinadora, que bem o pode colocar na vanguarda dos mais intrépidos paladinos que se tem batido por Melgaço, era o engrandecimento de tudo que se ligasse com o interesse da sua terra. - «O meu fim, o meu intento» - escrevia-me ele antes de morrer - «é trabalhar sempre por bem servir a minha terra, removendo por completo a sua face.» E quase a terminar: - «enquanto Melgaço precisar de mim continuarei a servi-lo, a orientar os seus destinos, depois entrego.» Não chegou a entregar. Esgotou-se, e sucumbiu vítima do seu amor, do seu carinho por Melgaço. // Melgaço chorou amargamente a sua morte e vai-a pagando bem caro. // Desfolhando sobre a fria campa de H.S. pétalas de saudade, respeito e veneração, faço votos porque apareçam homens de igual envergadura, de igual nobreza de caráter, firmeza e sinceridade, a continuarem a sua obra, ao mesmo tempo que peço preces pelo seu eterno descansoJAA // Comentário: embora Hermenegildo José Solheiro mereça alguns elogios, não se pode exagerar nessa oferta, tendo em conta que ele pouco fez quando havia imenso para fazer no diz respeito a obras públicas. A obra principal realizada pela sua equipa foi sem dúvida o Paço (ou Paços) do Concelho, pois aquele que havia (mais tarde o Solar do Alvarinho) era exíguo e estava ultrapassado no tempo e entalado entre ruas estreitas. Pediu dinheiro emprestado à CGD para esse fim, expropiou um terreno de João Pires Teixeira, e o “palacete” tornou-se uma realidade. Acontece, porém, que legou uma grande dívida aos que lhe sucederam no governo da Câmara Municipal.

 

     A sua viúva finou-se em Galvão, na “Vila Solheiro”, a 20/2/1974, com oitenta e nove anos de idade. // Pai de Armando, de Hermenegildo José, de Manuel, de Carlos, de Marieta, de Clarisse e de Maria Leonor. // A lembrá-lo, há na Vila um Largo e uma Rua com o seu ilustre nome. Quanto a mim, somente o Largo é que devia ostentar o seu nome. Existiram pessoas que desde o século XII fizeram por Melgaço tudo o que estava ao seu alcance, por exemplo José Cândido Gomes de Abreu (a lembrá-lo tem apenas uma pequeníssima rua), e jazem no esquecimento. // O seu dinamismo deve ter surpreendido todos os melgacenses da altura, pois estavam habituados ao marasmo, à doce sonolência, onde tudo se prometia nas campanhas eleitorais, mas logo estas terminadas tudo se esquecia. Ele agiu e obrigou outros a agirem em prol do concelho. O dinheiro era escasso, mas ele recorreu à banca (o primeiro presidente da Câmara em Melgaço a fazê-lo, segundo consta), e a obra surgiu. Era um pragmático, mas se tivesse vivido mais uns anos, talvez entrasse em choque com a política salazarista.