quarta-feira, 12 de agosto de 2026

 

ESCRITORES E INVESTIGADORES MELGACENSES (e AFINS)

 

Joaquim A. Rocha

  


 

Edição de autor


Título: Escritores e Investigadores Melgacenses (e afins)

 

Autor – Joaquim Agostinho da Rocha

 

Capa – desenho de Manuel Félix Igrejas

 

Contra capa – desenho de Manuel Félix Igrejas

 

Fotografias –

 

Execução gráfica –

 

Tiragem –

 

Depósito legal –

 

ISBN –

 

Data de edição –

 

Correio eletrónico: joaquim.a.rocha@sapo.pt

Blogue: Melgaço, Minha Terra

  

Obras do autor

  

Obras a publicar

 

Poemas do Vento

Sonetos do Sol e da Lua

Quadras ao deus dará

Escritos Sobre Melgaço

Entre Mortos e Feridos (romance)

Lembranças Amargas (romance)

Gentes do Concelho de Melgaço (biografias)

Dicionário Enciclopédico de Melgaço

A Minha Vida em Imagens

A minha religião e outros escritos

Auto da Palina

Melgaço: Padres, Monges e Frades

Frágeis Elos (2.ª edição)

Escritores e Investigadores Melgacenses (e afins)

Conto (O Fim de um Sonho)

Ferreira da Silva

Sob o Signo do Azar

 

Obras publicadas

 

Livros

 

Frágeis Elos (uma história familiar) 1.ª edição

Dicionário Enciclopédico de Melgaço (I e II volumes)

Lina – Filha de Pã (romance)

Os Meus Sonetos e os do frade

Os Novos Lusíadas (de 1500 a 1974)

Melgacenses na I Grande Guerra …

(em parceria com Valter Alves)

 

Separatas

 

A Origem de Algumas Famílias Melgacenses

A Febre Tifoide e os seus Protagonistas

Tomás das Quingostas (200 anos do seu nascimento)

A Provável Origem de Melgaço e Paderne

 

 

Prefácios nos seguintes livros de José A. Cerdeira e do Dr. Augusto César Esteves:

 

Tomaz das Quingostas (JAC)

O Buraco da Serpe (JAC)

A Adversidade por Madrasta (JAC)

O Sonhador dos Montes da Aguieira (JAC)

Nas Páginas do Notícias de Melgaço (ACE)

 

Colaborações

 

No Boletim dos Serviços Sociais da CGD

No Boletim Cultural da Câmara Municipal de Melgaço

No jornal A Voz de Melgaço

No jornal Fronteira Notícias

Artigo sobre o santuário da Peneda no livro Lugares Sagrados

 de Portugal I, editado pelo Círculo de Leitores em 2016.

 

 

 Apresentação

  

     Quando comecei esta pesquisa não fazia a mínima ideia de quantos escritores houve e há em Melgaço, concelho do Alto Minho. Uma coisa tinha como certa: não seriam muitos, meia dúzia se tanto, mas enganei-me redondamente. Felizmente são mais, e alguns deles, os que já morreram, deixaram obras com muita qualidade. Quanto àqueles que ainda escrevem, vão-nos surpreendendo com bons trabalhos de escrita. Apenas vou considerar aqueles escritores que têm alguma notoriedade, editaram, ou alguém editou por eles, livros, quer na área da ficção e da poesia, quer na área da investigação histórica, ou no ensaio. Abriria, no entanto, uma exceção: a Dr.ª Ana Maria Fernandes, nascida em Melgaço no ano de 1953, tem escrito, ao longo dos anos, poesia, sobretudo sonetos, com uma mestria inexcedível. Contudo, até agora, nada publicou. É pena, porque a sua escrita é do melhor que há. Não se explica a sua recusa em publicar aqueles poemas maravilhosos. Esperemos que um dia vá a uma Tipografia e mande fazer uns quantos exemplares dos seus belos sonetos, a fim de nós, leitores, termos acesso a eles. Quererá ela imitar Fernando Pessoa, que guardava toda a sua obra literária em uma arca? Façamos votos para que a escritora Ana Maria se decida pela publicação e não pelo escondimento.      

     Os escritores vão ser colocados por ordem cronológica de nascimento. Esta arrumação tem uma vantagem: sabemos que os primeiros são os mais antigos, e à medida que formos folheando as páginas encontraremos os mais novos. Tenho pena não dominar a cem por cento o latim; se tivesse esse conhecimento traduziria para a língua portuguesa os textos de frei Francisco Melgaço e de outros. O Professor Doutor José Marques levou anos à volta do Cartulário do Mosteiro de Fiães, escrito em latim, mas, apesar de ter fixado o texto, não o traduziu para português, o que todos devemos lamentar. Lembro que há muitos anos, quando eu residia em Lisboa, pedi a dois ou três franciscanos, mestres de latim, para me ajudarem a traduzir para a nossa língua os forais dados a Melgaço pelos primeiros reis de Portugal. Quando se deu por finda essa tarefa, publiquei-os em “A Voz de Melgaço”. É óbvio que muitos dos leitores desse jornal não ligaram absolutamente nada a esse trabalho; provavelmente nem atribuem grande significado a esses textos antigos, de uma grande importância para a história de Melgaço. Costuma-se dizer que ninguém é santo na sua terra natal. Os melgacenses em geral nunca gabaram muito os seus conterrâneos. Fala-se em inveja, preguiça mental, desprendimento; seja o que for, aquele que nasce em terras melgacenses não espere grande coisa dos seus conterrâneos. Admiram mais os de fora. Podem eles não ter grande obra publicada, podem até ser medíocres, mas vieram de outro sítio qualquer. Se virmos a toponímia, ficamos todos de boca aberta: Rua Afonso Costa, Avenida Salgueiro Maia, Largo Amadeu Abílio Lopes {embora natural de Melgaço passou quase toda a sua vida no Brasil; que eu saiba, não se destacou em nada, apenas ajudou a criar uma sociedade anónima, o que é, quanto a mim, vulgaríssimo; muito mais fez pela nossa terra o comerciante José Cândido Gomes de Abreu (1825-1908) e tiraram-no do Largo da Calçada para lhe darem uma ruazinha com meia dúzia de metros de comprimento}, Rua das Carvalhiças, etc. Hermenegildo José Solheiro (1868-1931), apesar de ter sido um grande político concelhio, não devia, quanto a mim, ter um Largo e uma Rua com o seu nome. Ficaram esquecidas figuras como o grande escritor melgacense Miguel Ângelo Barros Ferreira (1906-1996), Mestre Morais (1890-1971), o escultor Acácio Dias (1935-2013), Manuel Félix Igrejas (1928-2019), Óscar Marinho (1911-2001), Padre Bernardo Pintor (1911-1996), etc. Eu espero, com este humilde trabalho, avivar a memória dos políticos concelhios para que prestem alguma justiça a esses melgacenses de primeira categoria, que andam tão esquecidos.            

  

 

ESCRITORES E INVESTIGADORES MELGACENSES

 

 

- Francisco Melgaço (Frei). Nasceu no concelho de Melgaço no ano de …? (não descobri até agora a data de seu nascimento). Foi religioso da Ordem de São Bernardo. Escreveu várias obras, relacionadas com a doutrina cristã, as quais não foram impressas. Os seus manuscritos (escritos em latim) conservam-se na livraria do Convento de Alcobaça, à espera de um especialista que os analise e divulgue. // (ver Dicionário Histórico, Biográfico, Bibliográfico, Heráldico, Corográfico, Numismático e Artístico. João Romano Torres – Editor. Lisboa – 1903. Página 960).

 

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- Martinho de Melo e Castro (Dr.) Embora conste que nasceu em Lisboa, monsenhor Almeida Silvano, na sua obra «As Águas de Melgaço», diz que ele nasceu em Melgaço (ver Padre Júlio Apresenta Mário, página 146). Como não tenho em meu poder fotocópia do seu assento de batismo, nem sequer do seu assento de óbito, limito-me a transcrever o texto seguinte, inserido no Dicionário Histórico, Biográfico, Bibliográfico, Heráldico, Corográfico, Numismático e Artístico. João Romano Torres, Editor. Lisboa, 1903: {«Estadista e grande diplomata. Nasceu em Lisboa a 11/11/1716 e faleceu a 24/3/1795. Era filho de Francisco de Melo e Castro, descendente da família dos Castro de Melgaço, tronco das casas dos condes de Resende e das Galveias. Destinando-se à vida eclesiástica, cursou filosofia na Universidade de Évora, pertencente à Companhia de Jesus, e obteve – ainda muito novo – o grau de bacharel, distinguindo-se por se mostrar um fervoroso apologista da filosofia peripatética, defendida pelos jesuítas contra os adversários, entre os quais tinham o mais importante lugar os congregados do Oratório. Passou depois a estudar Direito Pontifício, na Universidade de Coimbra, em que recebeu também o grau de bacharel, e por influência da família foi provido – ainda em curta idade – num canonicato da Sé Patriarcal. Mas a sua inteligência e vocação o chamavam a outra carreira, porque a eclesiástica nada lhe sorria. Favorecido pela proteção e amizade de el-rei D. José, encetou a carreira diplomática, indo em 1751 representar Portugal como enviado junto aos estados gerais das Províncias Unidas, sendo pouco depois, em 1754, transferido para a corte de Londres, onde o rei Jorge II o tratou com a maior distinção. Sucedendo em Lisboa o grande terramoto do primeiro de novembro de 1755, calamidade que excitou a compaixão dos ingleses, Jorge II resolveu acudir com avultada quantia, sob o pretexto de que Portugal ficaria colocado em sérios apuros financeiros com tão lamentável desgraça. O ilustre diplomata, para não ser desagradável ao soberano inglês, aceitou o donativo, e converteu-o a favor da sua terra, comprando com ele um parque de artilharia que mandou a el-rei Dom José. Por ocasião da guerra entre Espanha e Portugal, Martinho de Melo e Castro alcançou pelo trato em que vivia com os principais membros do governo e com os chefes da oposição, que segundo as letras dos tratados fossem mandados socorros de tropas ao nosso país, apesar da malevolência de lorde Tyrawley, que tendo sido pouco antes mandado a Portugal, informou o seu governo de que seria inútil qualquer auxílio porque Portugal decerto não poderia resistir a três meses de campanha. Foi ainda por intervenção de Martinho de Melo e Castro que se estipularam os contratos com que vieram servir no nosso exército muitos oficiais dos que então andavam a soldo de estrangeiros, e - segundo as próprias palavras do marquês de Pombal - o nosso enviado executou habilíssima e zelosissimamente todas as instruções durante a guerra de 1762. No ano de 1763 foi mandado a Paris para tomar parte no congresso em que se negociou a paz entre Portugal, França, Inglaterra e Espanha, e pretendendo o duque de Choiseul, então ministro dos estrangeiros de Luís xv, manter a preeminência da sua nação na assinatura do tratado, com tais razões sustentou o nosso representante o direito de Portugal, que logrou afinal sair quanto possível airoso dessas pendências diplomáticas. Diz-se que apenas terminou o congresso, el-rei Dom José mostrara desejos de aproveitar o superior talento e o valioso critério de Martinho de Melo e Castro para tomar parte no ministério, mas que o marquês de Pombal conseguira demorar a entrada do distinto diplomata, alegando a grande falta que fazia na corte de Londres um homem de tanta habilidade e competência, e Martinho de Melo e Castro voltara para aquela missão diplomática, onde se conservou até 1770, ano em que regressou ao reino, entrando então no ministério para dirigir a repartição do ultramar, lugar que ficara vago pela morte de Francisco Xavier de Mendonça, irmão do marquês de Pombal. Martinho de Melo e Castro era tido em alto conceito no Paço, e era indicado pela opinião pública como um dos infalíveis sucessores do marquês de Pombal, se o rei viesse a falecer, ou se por qualquer circunstância o primeiro-ministro se demitisse do elevado cargo que exercia. Martinho de Melo, apenas entrou na gerência dos negócios, não poupava as censuras e sátiras ao sistema de governo seguido em Portugal e começou a disputar a primazia e a minar a influência do marquês de Pombal, mas este em breve o fez moderar e recolher ao silêncio, valendo talvez a Martinho de Melo e Castro a sua incontestável habilidade própria e a amizade de el-rei Dom José, para que o primeiro-ministro o não obrigasse a seguir o caminho do desterro, para onde já enviara três dos seus colegas no ministério. Contudo, Martinho de Melo e Castro, embora se julgasse superior à justa medida dos seus merecimentos, era cuidadosamente aplicado aos negócios da sua secretaria, e sobre os mais graves temas da administração e reforma das colónias, escrevia memórias e projetos que eram justamente apreciados pelo exato conhecimento dos assuntos e pela madureza dos alvitres. Quando faleceu el-rei D. José e se desencadearam todos os ódios contra o marquês de Pombal, aproveitou a ocasião para se vingar, sugerindo a ideia de que se instaurasse processo contra o poderoso ministro, ideia que foi logo aceite. Foi ele quem se encarregou de anunciar ao marquês de Pombal que estava demitido dos altos cargos que exercia. No reinado de Dona Maria I continuou fazendo parte do ministério, e foi então que empreendeu notáveis reformas, organizando o quadro dos oficiais da armada, melhorando os estudos, aumentando o número de vasos da esquadra, mandando construir o dique no arsenal, alargando extraordinariamente a Cordoaria, e reorganizando o arsenal, podendo quase dizer-se que a todos os ramos de serviço naval levou a sua inteligência e ousada iniciativa. Escreveu: «Memória sobre o projeto da companhia da Índia». São muito interessantes os documentos seguintes, parte impressos, parte manuscritos, que servem para o estudo da história do Brasil, e dão uma ideia da importância dos serviços prestados por Martinho de Melo e Castro; «Memória sobre o melhoramento dos domínios de sua majestade no Brasil»; «Instruções de …, a Luís de Vasconcelos e Sousa acerca do governo do Brasil»; com a data de 27/1/1779, e saíram na revista do Instituto Histórico, tomo xxv, de 1862, página 479. Escreveu diversos avisos, em diferentes datas, dirigidos ao Brasil, que vêm mencionados no volume XVII do Dicionário Bibliográfico, páginas 6 e 7. Escreveu também várias memórias sobre o comércio da Ásia, o plano de uma companhia para o negócio de Cabo Verde, etc.}             

 continua...

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