terça-feira, 6 de setembro de 2016

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO
 
Por Joaquim A. Rocha


 
 escritores melgacenses 
 
 
LEMOS, Carlos Pereira (Dr.) Filho de Angelina Pereira de Lemos, doméstica, natural do lugar do Ribeiro, freguesia de Castro Laboreiro, concelho de Melgaço, domiciliada no lugar da Assadura, sede do concelho, e de (Domingos Almeida, natural do concelho do Sabugal, guarda-fiscal, em serviço no posto da freguesia de Paços, Melgaço). Neto materno de Braz Pereira de Lemos e de Maria José Gonçalves. Nasceu no lugar da Assadura, Vila, a 29/8/1926. // Após o nascimento a sua mãe levou-o para a freguesia de Cousso, onde moravam os avós maternos da criança. // Frequentou a escola primária em Cousso e fez o exame da terceira classe na escola de Cubalhão. // Com cerca de doze anos de idade trabalhou numa pequena loja aberta pelo padre José Marques a fim de fornecer produtos, sobretudo alimentares, aos trabalhadores da estrada que então se andava a construir para Castro Laboreiro. // Depois da quarta classe, concluída anos mais tarde, foi empregado comercial de Hilário Alves Gonçalves, também proprietário do Cine-Pelicano. // Saiu de Melgaço ainda novo, andou por Lisboa e outros sítios do país, estudou alguma coisa, aprendeu uma profissão, topógrafo, sobreviveu. Mais tarde partiu para o estrangeiro, onde tirou um curso superior, percorreu meio planeta, e acabou cônsul de Portugal em Melbourne, Austrália. // Casou com a Dr.ª Marion Molly Murray, de 23 anos de idade, natural de Durkan, África do Sul, filha de Archibald Murray e de Doris Norton, no concelho de Díli a 24/1/1961. // Neste ano de 2016 publicou um livro: «História de Uma Vida». A sua leitura surpreende-nos, não só pelas peripécias nele narradas, mas também pela determinação, a coragem, o espírito combativo deste senhor que soube vencer nos momentos mais difíceis do percurso. Poucas pessoas conseguiriam ultrapassar as imensas barreiras que vão surgindo no caminho da vida. Ele lutou e venceu. Agora, com noventa anos de idade, quer dar a conhecer ao mundo a sua peregrinação. Eu fiquei fascinado com a leitura do seu livro. Parte do texto leva-nos a pensar que pode existir ali alguma ficção, mas não creio: foi tudo vivido, é tudo realidade. O que lhe aconteceu ao longo de décadas não é, quanto a mim, repetível; não se pode imitar aquilo que não é imitável. As suas relações com pessoas famosas e outras, o seu à-vontade em meios que não eram até então os seus, leva-nos a crer que o destino dá uma ajuda àqueles que não se deixam dormir à sombra da bananeira. As suas impressionantes aventuras vão certamente ser levadas um dia ao cinema. Aguardemos.
      // Nota: defende a tese de que a Austrália foi descoberta por um português, Cristóvão de Mendonça. // Tem uma rua com o seu nome em Warrnambool.  

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