sexta-feira, 24 de maio de 2019

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO

Por Joaquim A. Rocha





ZARAGATAS

CASTRO, Salvador. Filho de António Abreu de Castro, de Alvaredo, e de Maria Teresa Rodrigues, de Penso, lavradores, residentes no lugar do Coto. Neto paterno de Manuel António de Abreu de Castro e de Faustina Rodrigues Vilarinho; neto materno de João Francisco Rodrigues e de Mariana de Araújo. Nasceu em Alvaredo a 8/8/1890 e foi batizado no dia seguinte. Madrinha: Carolina Maria Rodrigues, casada, de Paderne, que “batizara” a criança em casa por ser fraquinha. // Casou na CRCM a 31/3/1924 com Delfina Rosa Durães, nascida no lugar da Carreira, São Paio, a 22/1/1892, filha de José Maria Durães e de Maria de Jesus Durães, a qual faleceu em Alvaredo a 8/6/1950. // Irmão de Maria. // Acerca deles narra-nos o correspondente do Jornal de Melgaço o seguinte: «Em audiência correccional respondeu o nosso amigo e correligionário Salvador Abreu e Castro e sua mana Maria, do Coto, ficando esta absolvida, e aquele condenado, pelo “nefando” crime de se defender de três cunhados e uma irmã que foram insultá-lo em sua própria casa. Tal condenação causou má impressão no povo desta freguesia, visto que o Salvador é um belo carácter, sendo por isso estimado de todos, menos daquela irmã e cunhado. Não queremos com isto censurar os actos do Juiz de Direito desta comarca, pois sabemos que nas suas sentenças tem sido inteiramente justo; o que, porém, não deixaremos de censurar é a lei que não permite que nos defendamos quando alguém nos insulta ou ataca – dura lex // Ele morreu em Alvaredo a 19/1/1967. // Pai de António Durães de Castro, casado com Amabélia de Fátima Gomes. 
 


 
(1916) - FERNANDES, Frederico. Filho de -------------- Fernandes e de ------------------ de Castro. Nasceu a --/--/18--. // Foi negociante na freguesia de Prado. // Em 1912 encontrava-se gravemente doente (Correio de Melgaço n.º 11, de 18/8/1912). // Em 1916 Álvaro José da Cunha acusava-o de transacionar bens que pertenciam a sua tia, Corina Cândida da Cunha (ver Correio de Melgaço n.º 180, de 2/1/1916). // Passado pouco tempo Frederico tentou arrombar a porta de uma casa sobre a qual alegava direitos; porém, o Álvaro José tentou impedi-lo, mas o arrombador, irritado, deu-lhe uma grande tareia, indo parar à cadeia pelo crime de ofensas corporais (ver Correio de Melgaço n.º 189, de 6/3/1916). 


*
 

(1916) - MELO, Sofia de Jesus. Filha de José Joaquim Alves de Melo e de Delmira Rosa Sanches, jornaleiros, de SMP. Neta paterna de Francisco Maria de Melo e de Teresa Joaquina Alves; neta materna de Manuel Joaquim Sanches e de Maria Rosa Sarandão. Nasceu nas Carvalhiças a 30/9/1888, e foi batizada a 7 de Outubro desse ano. Padrinhos: Vitorino Joaquim Lourenço, casado, taberneiro, e Maria das Dores Lopes, solteira, «empregada no governo de sua casa.» // Foi peixeira. O “Correio de Melgaço” n.º 70, de 12/10/1913, veicula a notícia de que ela (mais a Maria da Conceição Rodrigues e Lúcia Cândida) foi multada pelo oficial da Câmara, Severino Gomes, por ter lavado sardinhas no rego público da Feira Nova, multa que não chegou a pagar, porque as autoridades camarárias tiveram em conta o seu desconhecimento da lei, prometendo elas não voltarem a fazer a mesma coisa. // Constava que fora amante do António “Ferrador”, de quem teve duas filhas: Maria de Lurdes e Francisca da Glória (Chiquita). É possível que o texto que a seguir transcrevo, extraído do “Correio de Melgaço” n.º 198, de 7/5/1916, tenha a ver com esse galã: «Na taberna da Emília da Adelina houve, na quarta-feira, pelas nove horas da noite, luta renhida entre três mulheres (…): Sofia de Melo, Maria Lourenço (*) e Elvira da Glória, as quais – penteando-se mutuamente (pobres madeixas) – disputam a primazia sobre o amante comum. Não há dúvida que esta última obteve vitória (mas só na luta corpo a corpo, bem entendido) pois obrigou as antagonistas a gritar: - ó da guarda! Aparece neste comenos o digno secretário da Administração (**) para fazer entrar na cadeia, com armas e troféus, a triunfante Elvira. Mau negócio e pouca sorte!» // A Sofia, além das duas raparigas, ainda deu à luz um rapaz; sobreviveu apenas a primeira, nascida em 1908. // Sofia de Jesus faleceu em Fevereiro de 1923. /// (*) Deve tratar-se de Maria José Lourenço, que no ano transato dera à luz um filho, a quem pôs o nome de João António, cujo pai se ignora. /// (**) Trata-se de Maker Luís Teixeira Pinto.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

GENTES DO CONCELHO DE MELGAÇO
Freguesia da Vila - Santa Maria da Porta
 
Por Joaquim A. Rocha



desenho de Manuel F. Igrejas
MAIS UM CONTERRÂNEO E AMIGO QUE NOS DEIXA
 
       É verdade. Aos 91 anos de idade Manuel Igrejas, o grande artista melgacense, diz-nos adeus para sempre. Legou-nos a sua obra, o seu exemplo de vida. Faço votos para que não o esqueçam, tal como fizeram a outros talentos da nossa linda terra. 


IGREJAS, Manuel Félix. Filho de Francisco Augusto Igrejas e de Deolinda Augusta Fernandes. Neto paterno de Félix Igrejas e de Conceição Costas; neto materno de Manuel Joaquim Fernandes e de Suzana Azevedo. Nasceu na vila de Melgaço a 25/11/1928 e foi batizado a 25 de Dezembro desse ano. Padrinhos: Manuel Sabariz e Conceição Costas. // Na terra, foi aprendiz de alfaiate. // Aos catorze anos apanhou uma doença, chamada tifo. // Como tinha uma letra bonita (calígrafo), foi auxiliar do solicitador Alvim. // Fez cartazes para o Cine Pelicano, etc. // Antes da tropa esteve tuberculoso; apesar disso, depois da inspeção militar apresentou-se no Regimento da Escola Prática de Cavalaria, em Torres Novas. O médico Dr. Esteves passara-lhe um atestado, no qual dizia: «sofre de tuberculose estacionária.» Não ligaram! // Embarcou para o Brasil no ano de 1952, cuja carta de chamada lhe enviara seu tio, José Augusto Igrejas. O “Notícias de Melgaço” n.º 1036, de 10/8/1952, dá a notícia: «É com grande pesar que vemos partir para o Brasil este nosso amigo e conterrâneo, que nesta terra granjeou muitas simpatias. Conhecemos desde criança Manuel Félix, rapaz inteligente, bondoso, de fino trato, cuja alma de artista não se adaptava a esta vida de província e portanto vai procurar, cheio de esperanças, em terras de Santa Cruz, entre estranhos, a compreensão que nem sempre encontrou entre os seus compatriotas. De pequenino, o Manuel, como por todos era conhecido, entusiasmou-se pela pintura, começando por desenhar paisagens com tal gosto artístico que fazia admiração a todos que com ele conviviam. Com o tempo foi-se revelando nele uma grande vocação para a pintura. Com trabalho e perseverança chegou a ponto que – sem nunca ter conhecido um mestre, ou receber uma simples explicação sobre tão grande arte, - conseguiu tirar a lápis e crayon retratos, com uma perfeição que rivalizavam com os tirados por aqueles que frequentaram escolas e receberam os ensinamentos dos mestres. Por todos foi muito admirada a exposição de desenhos a aguarelas que se encontrava no “Café Melgacense”. Pena é que estas vocações não sejam aproveitadas, porque se assim fosse o Manuel seria um dos contemplados com a ajuda necessária para bem poder desenvolver as suas aptidões mas, como assim não é, lá vemos partir o grande amigo que busca no Rio de Janeiro, para onde embarca, o carinho e amparo de que é digno, para assim poder vencer na vida. Daqui lhe endereçamos um saudoso abraço de despedida.» // Nesse país casou, a 18/12/1954, com a conterrânea Margarida das Dores, nascida a 2/9/1930, filha de Umberto Amadeu de Melo e de Urbana Augusta Costas, também ela emigrante. // Arranjou de início um emprego de despachante, mas logo verificou que não era essa a sua vocação; depois tornou-se artista plástico, na área da azulejaria, ao empregar-se numa oficina «de decoração de louças e pintura de azulejos.» Desenha, faz caricaturas, pinta, escreve contos, poemas, e colabora no jornal “A Voz de Melgaço” desde o seu aparecimento em 1946, e no “Melgaço Hoje”. // Parece que só veio visitar Melgaço duas vezes: uma em 1969 e outra em 2001. // No livro «Padre Júlio Vaz apresenta “Mário”, paginas 276 a 280, traça-se a sua biografia. // Ver também A Voz de Melgaço n.º 964, VM 999, VM 1008, VM 1089, VM 1198, VM 1249, de 15/6/2005, página 8, e o livro “Frágeis Elos”, páginas 51 e 52. // Morreu a 13 de Maio de 2019. // Pai de Regina da Paz e de Deise Lúcia. // Avô de Maria Clara, Ana Cristina, Carolina Maria e Caio Filipe.     
 

 
 
 
desenho de Manuel F. Igrejas
 

desenho de Manuel F. Igrejas
 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

LINA - FILHA DE PÃ
(romance)
 
Por Joaquim A. Rocha



desenho de Luís Filipe G. Pinto Rodrigues 


10.º Capítulo

 

     E a Lina? – perguntarão os pacientes leitores. Por algum lado ela deve andar. Teremos de ir à sua procura. Deixámo-la em Monção. Despedia-se do legionário, o tal que estava loucamente apaixonado por ela. Dali dirigiu-se a casa do senhor Acúrsio a fim de receber o seu salário e recolher as suas coisas. Tinha de abandonar Monção. Não gostava muito daquela gente, sobretudo do lado feminino, das amazonas monçanenses. Apesar de tudo, arranjara alguns amigos e amigas. Algumas mulheres, malcriadas e alcoviteiras, gostavam muito de se meter na sua vida, faziam perguntas embaraçosas, difíceis de responder. Conseguia dar-lhes a volta, mas eram demasiado curiosas para o seu gosto. À ceia disse ao patrão:  

  

- Senhor Acúrsio: peço-lhe imensa desculpa, mas tenho de ir embora. Depressa arranjará quem me substitua. Já falei com a Glória do Meledas e ela disse-me que não se importava de vir para aqui; você amanhã vá ter com ela e logo vê se está interessado.

- Ai mulher; já estava acostumado à tua companhia, agora vai-me custar habituar-me a outra. Cozinhas bem, és desembaraçada, eficiente e honesta. Contigo estava eu descansado.

- Ó senhor Acúrsio, sejamos francos: mesmo que eu fosse ladra, o senhor não tem nada para roubar!

- Isso é verdade: o que possuo mal dá para o dia-a-dia. Nunca fui de ajuntar. Há muita criatura para aí que só pensa em riqueza – eu sou o contrário deles.

- O senhor pensa só na sua alma; quando morrer vai direitinho para o céu!

- Assim o espero, para encontrar a minha Zenilda. Tenho tantas saudades dela.

- Esta noite ainda durmo cá. De manhã cedo vou-me embora. Espero que lhe corra tudo bem.

- Há-de correr, Lina, há-de correr. Deus e a alma de minha esposa protegem-me. Vai em paz. 

 

    Despediu-se do seu patrão, foi arrumar a cozinha e depois deitou-se. Nessa noite sonhou com o legionário: ele batia-lhe com força, arrastava-a pelos cabelos, chamava-lhe comunista, traidora à pátria, e queria deitá-la ao rio Minho. Ela defendia-se como podia, gritava por socorro, mas ninguém lhe acudia. De repente, por artes mágicas, libertou-se dele e fugiu. Ouvia os seus gritos, de maluco, mas já não o via. Provavelmente atirara-se ao rio e a corrente forte levara-o para longe.

 

     Levantou-se cedo. Dirigiu-se à cozinha, comeu qualquer coisa, pegou nas suas tralhas e saiu de casa. Esperou um pouco e de repente surge um carro. Dentro estava um homem, o qual lhe abriu a porta sem grandes cortesias.

 

- Entra. Hoje ainda tenho de trabalhar muito.

- Eu sei. O dinheiro não se ganha estando nós parados. O senhor tem fama de rico, e proveito, digo eu, mas toda a gente sabe quanto tem esgalhado no duro: tanto no estrangeiro como em Portugal.

- Pois fica sabendo que emigrei com catorze anos para o Brasil. E sabes onde fui parar? Não sabes? A Cuba!

- Não sei onde isso fica, mas suponho que é longe.

- Podes crer. É quase no fim do mundo. Nas Américas. Eu ia clandestinamente no barco, protegido por um indivíduo conhecido dos meus pais, um tal Ricardo, mas o dono do navio descobriu-me. Tive de trabalhar de borla para ele, sofri maus tratos, passei carradas de fome, mas um belo dia, quando estávamos em terra fugi. Estivera lá cinco miseráveis anos. Não ganhei praticamente nada, nem uma perra: apenas aprendi a falar espanhol. Dali arranjei maneira de ir para o Brasil. Ali sim, ganhei dinheiro, mas dei-lhe no duro muito tempo.

- As pessoas aqui pensam que é só abanar a árvore das patacas!

- Pois pensam, mas erradamente. É necessário trabalhar muito e bem. Enquanto se trabalha para os outros, pouco dinheiro se consegue; mas quando começamos a negociar por conta própria, minha amiga, é só amealhar. Mas atenção: tens de arranjar guarda-costas, se não limpam-te o sebo!

- É assim tão perigoso? – pergunta a Lina, convencida de que nesse país tudo era fácil.

- Perigosíssimo! Mata-se com a maior das facilidades. Em certos sítios do Brasil não há a bem dizer lei; todos andam armados e obedecem apenas ao seu chefe. Se ele mandar matar fulano ou sicrano eles não hesitam: cortam-lhe as goelas! Não te esqueças de uma coisa: a população do Brasil é constituída por brancos, negros, amarelos, índios de cor avermelhada, e a mistura dessas raças!

- E os assassinos não são presos? – pergunta a sua companheira de viagem, imaginando-se lá, onde poderia cometer todos os crimes que quisesse, sem ser molestada pela GNR.

- Por quem?!!! O Brasil é quase do tamanho da Europa, e é constituído por Estados; e cada Estado tem a sua própria lei, e esta é violada constantemente, até por aqueles que a deviam cumprir escrupulosamente, compreendes?

 

     Ela acenou com a cabeça, afirmativamente, mas não compreendera quase nada do que ele lhe dissera. Chegaram finalmente ao seu destino: Lamas Santas, freguesia de Melcarte, lá no alto. Diz o cavalheiro:      

 

- Chegamos. Vou apresentar-te à minha mulher. Ela está um pouco adoentada, por isso é que lhe arranjei uma criada. Trata bem dela, que nós te recompensaremos. Eu tenho alturas que me ausento por uns tempos; a minha mulher trata da loja e tu tratas da casa – já me informaram que és uma ótima empregada, uma boa cozinheira.

- Faço por isso. Até agora ninguém se lastimou.


desenho de Luís Filipe G. Pinto Rodrigues
 
     A esposa do seu novo patrão chamava-se Emília, mas todos a tratavam por D. Emilinha. Pouco mais teria do que quarenta anos de idade. Nascera no Brasil, embora de pais portugueses, de Trás-os-Montes, e viera com o marido para Portugal há uns anos atrás, porque já tinham um pé-de-meia, uns contos de réis, e nesse país, sobretudo em algumas cidades, era demasiado perigoso viver, mesmo com proteção armada.

     Nas freguesias de Melcarte não havia, que constasse, muitos ladrões, muito menos assassinos. A prisão estava quase vazia – os presos que lá estavam era por terem cometido pequenos furtos, umas querelas por causa da água de rega, emigração clandestina, e pouco mais. Crimes de sangue eram raríssimos: acontecia um de vinte em vinte anos.  

    Dona Emília engordara nos últimos anos, perdera aquela frescura de outros tempos, e por essa razão o marido, Filipe, de vez em quando dava a sua facada no matrimónio. Dizia-se que tinha uma amante no Porto, onde ia constantemente buscar mercadoria, e outra na Galiza. Ao contrário da esposa, ele estava muito bem fisicamente, até dava a impressão que os anos lhe passavam sorrateiramente ao lado. Nunca tivera nenhuma doença grave, fumar só em festas, era regrado a beber. Agora os ares da serra purificavam-lhe os pulmões. A alimentação era boa, nada faltava naquela casa.

 

- A estrada para Castro da Serra foi uma bênção de Deus, Emília; estamos na montanha e é como estivéssemos na cidade – temos tudo aquilo de que precisamos.

- Eu sinto saudades do Brasil, é a minha terra, mas aqui também estou bem; estes ares puros fazem-me muito bem, o pior é o inverno – o maldito frio dá cabo de mim.

- Não se pode querer tudo, esposa; queres sol na eira e chuva no nabal, mas não pode ser – a natureza é sábia, reparte tudo equitativamente. Ah! Já me esquecia de te perguntar: estás satisfeita com a empregada?

- De certo modo sim; é solícita, arrumada, organiza bem o cardápio, está atenta às minhas preocupações – parece que acertaste. Contudo, preferia ter saúde bastante para ser eu a tratar das coisas, não gosto de estranhos em minha casa.

 

**

 

     Leitor: é óbvio que ele conhecia, por ter ouvido falar, algumas das aventuras da Lina, mas nada dizia à esposa, para esta não a mandar embora. Queria-a em casa, não só por estar a fazer um bom trabalho doméstico, mas também porque a começava a desejar. Não lhe seria difícil conquistá-la: umas boas prendas, umas palavras carinhosas, e ela acabava por lhe cair nos braços. Já conquistara muita fêmea, umas mais novas, outras mais velhas, bonitas e feias, e não era esta que lhe escaparia.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

OS NOVOS LUSÍADAS




26

 Escorbuto, malária, mil doenças,

Atingem nossos nautas ferozmente…


Rezam-se missas, reforçam-se crenças,

Mas cada dia falece mais gente...

Os que restam já sonham gordas tenças.

O rei, no seu trono, está contente... 

E antes que a parca a todos mate

Tocam os grandes sinos a rebate.

27

 

Perderam-se cem naus, muitas caravelas,

Os marinheiros que as pilotavam;

Por sua alma queimam-se tantas velas!

Choram-se as pessoas que se amavam...

Crentes oram nas igrejas… capelas,

Viúvas de dor e raiva gritavam.

O astro-luz do ar desaparece…

O povo lança-se ao chão numa prece.

 

28

 

E assim o bei ganhou eterna fama

À custa dessas vidas por cumprir;

Morreram no alto mar, longe da cama,

Em sofrimento atroz… a bramir.

E quantos tombaram na suja lama,

Para o anjo da morte bem nutrir.

Os deuses assistiram à matança,

Mas ficaram em paz, em segurança.

 

29

 

Gaspar Real topou a Terra Nova,

 João da Nova, Ascensão e Helena.

Aqui e ali levavam dura sova,

A tripulação ficava mais pequena.

O mar profundo era a sua cova,

Todos choram aquela triste cena.

Só resta àquela gente a ilusão,

Forte ânimo, o braço do capitão.

30

 

Pra provar a redondeza da Terra

Magalhães fez uma longa viagem.

Não quis saber de lutas ou de guerra,

Ocupou-se mais do tempo, da aragem.

Mas destino, que tudo em si encerra,

Despojou-lhe a vida, pô-lo à margem!

Pereceu cangado pelo sucesso,

Não permitindo assim o seu regresso.


// continua…





rosa natural
 

quarta-feira, 15 de maio de 2019

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO
 
Por Joaquim A. Rocha



desenho de Rui Nunes



                                                        AFOGAMENTOS


     // FERNANDES, Erminda da Glória. // A 27/8/1901, às sete horas da manhã, apareceu afogada. Tinha apenas treze anos de idade. // Não se sabe o local onde se afogou e as razões da morte. Suicídio? Descuido? Crime?

     // CASTRO, António José. Filho de Maria Cristina, do lugar de Estelha, freguesia de São Lourenço da Pena, bispado de Ourense. Nasceu na Galiza por volta de 1845 ou 1849. // Lavrador. // Morava na Assadura, Melgaço, tinha 25 anos de idade, era solteiro, quando casou na igreja de SMP a 7/9/1874 com Maria Alexandrina Marinho, de 23 anos de idade, solteira, filha de José Marinho e de Brandina Marinho, caseiros na Quinta do Louridal. Testemunhas: Carlos José Ribeiro e mulher, Ludovina Correia dos Santos Lima, proprietários, moradores no Campo da Feira, SMP. (Padre José Joaquim Pires). // Faleceu nos limites da freguesia de SMP, no estado de casado, a 16/3/1902, às seis horas da tarde, com 57 anos de idade (!), por afogamento no rio Minho, na pesqueira chamada a Sardinheira, junto das Galgas, devido a ter caído ao rio, e foi sepultado no cemitério municipal. // Com geração.   
 




     // LOBATO, José. Filho de António Joaquim de Sousa Lobato e de Maria Joaquina Alves, moradores no lugar de Covelo. Neto paterno de Jerónimo José de Sousa Lobato e de Florinda Rodrigues, do Pinheiro; neto materno de António Francisco Alves e de Clara Rosa Carvalho, de Covelo, todos lavradores. Nasceu em Paderne a 27/1/1883 e foi batizado a 29 desse mês e ano. Padrinhos: Manuel Joaquim Alves e sua irmã, Rosa Alves, solteiros, tios maternos do batizando. // Rural. // Morreu por afogamento; apareceu na margem do rio Minho a 24/6/1902, e foi sepultado no adro da igreja paroquial 



     // GONÇALVES, Firmino. Filho de João José Gonçalves e de Pulquéria Sousa Castro, lavradores, residentes no lugar dos Esteves. Neto paterno de Manuel Gonçalves e de Rosa Maria Alves; neto materno de João Manuel Sousa Castro e de Teresa Mendes Lobato. Nasceu em Alvaredo a 31/5/1886 e foi batizado na igreja a 3 de Junho desse mesmo ano. Padrinhos: António Gonçalves e Carolina Ledo, solteiros. // Lavrador. // Morreu afogado no rio Minho a 8/9/1903; o seu corpo apareceu nos limites da freguesia de Alvaredo e foi sepultado no cemitério local às cinco horas da tarde desse mesmo dia. 

domingo, 12 de maio de 2019

MELGAÇO: PADRES, MONGES E FRADES
 
Por Joaquim A. Rocha


desenho de Luís Filipe G. Pinto Rodrigues


(continuação)…

ABREU, Francisco Gomes (Padre). Filho de Manuel Esteves da Costa e de Isabel Gomes de Abreu (confirmar). // A 10/11/1759, na igreja de SMP, foi padrinho de Maria Josefa, nascida quatro dias antes, filha de José Caetano Teixeira Marinho e de Guiomar Abendanho Lira Sotomaior, moradores nos arrabaldes da vila de Melgaço; a madrinha, Sabina Josefa Gomes de Abreu, era irmã do padrinho. // Irmão do padre Constantino.  

 

ABREU, João Gomes (Padre?!) Manuel Gomes de Abreu e de Jerónima de Castro, moradores na freguesia de Boivão, termo do Couto São Fins (futuramente concelho de Valença). // Em Outubro de 1718 era clérigo in minoribus e residia em Prado de Melgaço, no lugar de Ferreiros. Apesar de tudo estar no bom caminho para ser sacerdote da igreja católica, apaixonou-se por Mariana de Figueiroa, com quem casou por volta de 1720. Escreveu o Dr. Augusto César Esteves: «Mais um hábito às ortigas» (ver “Obras Completas”, volume I, tomo I, página 70).

 

ABREU, João António Gomes (Frei João da Senhora da Conceição). Filho de Manuel Gomes de Abreu e de Ana Maria da Ribeira. Neto paterno do padre (?!) João Gomes de Abreu e de Isabel Alves; neto materno de Filipe da Ribeira e de Angélica Lourenço. Nasceu em Prado no século XVIII. // (Ver “Obras Completas” de Augusto César Esteves, volume I, tomo I, página 70).

 

ABREU, José Joaquim (Padre). Filho de José Joaquim de Abreu (Lima e Castro Abendanho), lavrador, natural da freguesia de Alvaredo, e de Francisca Rosa Gomes, lavradeira, natural da freguesia de Paços, moradores no lugar de São Gregório. Neto paterno de Francisco José de Abreu (Lima e Castro) e de Maria Engrácia de Araújo Lira de Abendanho, de Alvaredo; neto materno de Manuel José Gomes e de Ana Rosa Esteves, de Paços. Nasceu em São Gregório, Cristóval, a 1/6/1837, e foi batizado a 4 desse mês e ano. Padrinhos: os seus avós maternos. // Estudou em Braga. // A 26/1/1870, na igreja de Cristóval, serviu de testemunha no casamento de Romão Benito Fernandes com Rosa Gonçalves. // Em 1879 era encomendado em SMP. // Morreu em São Gregório, freguesia de Cristóval, a 21/8/1909, com todos os sacramentos, com testamento, sem filhos, e foi sepultado na capela do cemitério de Cristóval. // Era tio do Dr. José Joaquim de Abreu (1880-1938), que foi o 1.º Conservador do Registo Civil de Melgaço. 

 

ABREU, Luís António (Padre). // Era vigário de Paços em 1813.

 

AFONSO, António José (Padre). Filho de Manuel Afonso e de Isabel Luísa Alves, lavradores. Nasceu no lugar de Pousafoles, Fiães, a 5/8/1809, e foi batizado na igreja do mosteiro por frei António de Melo, dom abade e prelado ordinário do couto de Fiães. Padrinhos: Manuel Domingues (Gandarim) e sua esposa, Maria Rosa Domingues, do lugar de Pousafoles. // Foi ele o fundador da capela da Senhora do Alívio, sita no dito lugar. // Morreu no lugar onde nascera a 26/12/1903, com noventa e quatro anos de idade, com todos os sacramentos, com testamento, e foi sepultado no cemitério local. // Irmão de Ana Joaquina, de Manuel, de Maria Luísa, e de Rosa. // (ver A Voz de Melgaço n.º 1347, de 1/8/2012, página 26). // Nota: era conhecido por padre Gandarinha; no livro «Padre Júlio Vaz Apresenta Mário», página 244, diz-se que ele morreu com 107 anos de idade! 

 

AFONSO, Domingos (Padre). // No século XVII residia na vila de Melgaço. Não tinha cura de almas (ver “Obras Completas” de Augusto César Esteves, volume I, tomo I, página 309). 

 

AFONSO, João Avelino Rodrigues (Missionário). // Nasceu em Fiães, ou Rouças, por volta de 1918. // Lê-se em “Na Terra de Inês Negra”, do padre Júlio Vaz, página 39: «Foi no mês de Maio de 1930, quando eu andava na 4.ª classe em Adedela, de Fiães, Melgaço. O professor, padre João Nepomuceno Vaz, leu, no Diário do Minho, um apelo a todos os meninos de Portugal para, desejando serem missionários, irem para o Seminário das Missões de Tomar. O Joãozinho levantou o braço. Em Outubro estava em Tomar.» // Sem mais notícias.

 

AFONSO, José de Sousa (Padre). Filho de António Joaquim de Sousa e de Isabel Afonso, rurais. Nasceu em Mazedo, Monção. // Foi encomendado de Alvaredo a partir de 1834, substituindo o padre Jerónimo José Pereira Monteiro; depois foi cura e reitor desta dita freguesia. Morava no lugar da Sobreira, onde residia também o seu irmão, Manuel de Sousa, casado com Maria Joana Domingues Caldas Araújo. // A 12/5/1846, na igreja de Alvaredo, foi padrinho de Joana, nascida em Alvaredo no dia anterior, filha de Manuel de Sousa e de Maria Joana Domingues Caldas de Araújo, moradores no lugar da Sobreira. // Em 1874 pertencia ao grupo dos quarenta maiores contribuintes do concelho (OJM, de ACE, página 157 - confirmar). // Morreu a 2/5/1882 na casa de sua morada, com setenta e sete anos de idade. // Fizera testamento.      

 

AFONSO, José António (Padre). // No ano de 1874 era cura em Castro Laboreiro (o reitor era o padre Manuel António Gonçalves). // Em 1912 ainda disse missa em honra de Santa Bárbara na capela de São Bento. 

 

AFONSO, Justino (Padre). Filho de Justino Afonso e de Rosa Domingues. Neto paterno de Manuel Afonso e de Maria Afonso; neto materno de Manuel José Domingues e de Luísa Afonso. // (Sobrinho e afilhado do padre Justino Domingues, pároco que foi da Vila de Melgaço e arcipreste do concelho). Nasceu em Parada do Monte a 11/7/1938. Depois da 4.ª classe foi para o Seminário. Recebeu a ordem (menor?) a 15/8/1959. Subdiácono a 17/12/1960. Diácono a 18/3/1961. Presbítero a 9/7/1961. Missa Nova, na igreja da Vila de Melgaço, a 16/7/1961. Foi nomeado pároco de Prado a 23/8/1961 e tomou posse a 10/9/1961. // Foi também pároco de Penso e de Remoães. // A 18/2/1968, na igreja de Prado, casou António Luís de Sousa com Maria Augusta Gonçalves. // Lecionou, na Escola Secundária de Melgaço, a disciplina de Religião e Moral. // Morreu a 28/6/2000, após doença prolongada. // Como padre, de corpo franzino e - segundo consta - medianamente dotado em termos intelectuais, deu azo a que dele se contassem algumas anedotas, mais ou menos picantes. Uma delas tem a ver com uma peça de roupa íntima da irmã, que com ele residia. A dita mana pôs a roupa a secar em uns arames, estendal improvisado, perto de casa, e quando à tardinha foi recolhê-la faltavam-lhe umas cuecas. Zangada, foi barafustar com o irmão, que permitia que na sua paróquia houvesse ladrões. Aquilo, disse ela, era coisa de raparigas, que não tendo dinheiro para as comprar as roubavam, para depois deslumbrarem os namorados. O padre Justino ficou a meditar no caso e no próximo domingo, à hora da missa, aproveitando a homilia, desabafa: «vejam lá a pouca vergonha, ao que isto chegou: agora até as cuequinhas das senhoras roubam! E logo as da minha irmã, que as comprara há pouco tempo. E não eram nenhuma porcaria – custaram-lhe os olhos da cara! Mas eu, aqui do púlpito, aviso: se as vir vestidas eu reconheço-as!» Claro que aquele discurso inflamado provocou mil gargalhadas. Viram malícia onde ela não existia. // Outra historieta (também a ele atribuída) tem a ver com tomates. Os padres das freguesias e vilas rurais tinham quase sempre uma hortazinha, onde cultivavam aqueles produtos do dia-a-dia: couves, pimentos, alface, tomate, cebola, cenouras, etc. Água em Prado não faltava, por isso havia sempre fartura destas coisas em casa. Porém, num verão muito seco, os vizinhos que moravam da parte de cima tiveram de lhe cortar a água, pois nem para eles chegava! «O sacerdote tinha dinheiro e eles não», pensavam. O padre Justino Afonso, vendo tudo a secar, ficou irritadíssimo e, aproveitando de novo a sua tribuna de pregador, insurge-se contra todos aqueles que o prejudicaram. Começou por afirmar: «Deus manda a chuva, o sol, a tempestade, a neve. Põe-nos à prova, para depois escolher os melhores. Contudo, aqui em Prado, parece que há gente que não receia os poderes divinos! Vejam lá: cortaram a água e secaram-me os tomates! E por este andar secam-me tudo!» De novo mil gargalhadas. A notícia espalhou-se rapidamente pela freguesia. Aquelas palavras, ditas assim, faziam rir um morto, comentava-se. // Escreveu o padre Carlos Nuno Vaz:



     Existem outras anedotas do género, mas essas são atribuídas ao padre Firmino Augusto Gonçalves Meleiro, mais conhecido por padre “Queixadas” (1884-1957), natural da freguesia de Rouças, que ele fora substituir. Duas delas ficaram famosas: a da “Grila” (que mandou cortar) e a das «calças para baixo e saias para cima». O anedotário melgacense ficou enriquecido sobremaneira, e graças à imaginação do povo estes ditos perduram através do tempo. // A 26/6/2011 a junta e paróquia de Remoães prestaram-lhe uma homenagem, pelos seus 39 anos de pároco dessa freguesia, erguendo-lhe um pequeno monumento. Estiveram presentes a sua irmã, Maria do Carmo Afonso, o presidente da Junta de Freguesia, José Rui Carvalho, o pároco atual, padre-arcipreste João Paulo Torres Vieira, e o presidente da Câmara Municipal, Rui Solheiro, que discursou perante o povo. // O principal argumento para lhe prestarem esta homenagem tem a ver com a sua bondade – «era um homem bom» - e «a especial relação de carinho que mantinha com as crianças e jovens, para quem foi uma âncora de valores e um companheiro e amigo de sempre.» (A Voz de Melgaço n.º 1334, de 1/7/2011). // Nota: era conhecido por “Justininho”. 
 

AFONSO, Manuel (Padre). // Em 1805, e ainda em 1817, era encomendado na freguesia de Remoães, morava no lugar de Cima de Vila. // A 28/6/1805, na igreja de Remoães, batizou Maria Luísa, nascida a 20 desse mês e ano, filha de Francisco Luís Gonçalves e de Rosa Novais, moradores no dito lugar de Cima de Vila, Remoães. // A 19 de Agosto de 1824, na igreja de Remoães, foi padrinho de Manuel Luís, nascido no dia anterior, filho de João António Monteiro e de Luísa Maria Rodrigues, residentes no lugar da Costa, Remoães. A madrinha era Teresa Monteiro, do lugar da Folia.

 

AFONSO, Manuel José (Padre). Filho de ----- Afonso e de ------------ Rodrigues. Nasceu em Fiães a 13/7/1916. // Depois da 4.ª classe ingressou no Seminário; foi ordenado sacerdote em 1940. A seguir foi nomeado pároco da Gavieira e capelão do Santuário da Peneda, onde viveu cinquenta e cinco anos. // Tinha um irmão, o padre João, professor do ensino primário, que deu aulas na escola oficial da A-de-Dela, Fiães. // Ficou conhecido por “Padre Zé da Peneda”. // (Ver A Voz de Melgaço n.º 1031, de 15/6/1995).   

 

AFONSO, Sebastião (Padre). Nasceu na Vila de Melgaço em finais do século XVI. // Em 1618 e 1619 foi escrivão da Santa Casa da Misericórdia de Melgaço. Em 1634 foi provedor. Nesse ano de 1634 instituiu o vínculo da Pigarra, encabeçado na capela da Senhora do Amparo da Matriz, que fundou pela mesma altura. // Deve ter falecido em finais de 1635. // Nota: apesar de ser eclesiástico deixou um filho, António Alves, o qual casou com Maria Gomes.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO
 
Por Joaquim A. Rocha


esta árvore já tem mais de 600 anos


                                                                    MACRÓBIOS


CASTRO, Emídio José. Filho de Adélia da Pureza de Castro. Neto materno de Maria da Glória de Castro. Nasceu em Prado a 21/6/1924 e foi batizado na igreja paroquial a 29 de Dezembro desse mesmo ano. // Em 1937 fez exame do segundo grau na escola do ensino primário de Remoães, ficando distinto (NM 364). // Penso que exerceu a profissão de sapateiro. // Casou a 20/10/1949 com Maria Beatriz Ribeiro, do lugar da Corredoura, Prado, filha de Teresa de Jesus Ribeiro, casada com José Rodrigues de Lima Teixeira, sapateiro em Prado. Padrinhos da boda: Maria Júlia Dantas e José Teixeira Junior. // A 21/10/1999 festejaram as bodas de ouro matrimoniais (VM 1127). // A sua esposa faleceu em Dezembro de 2016. // Ele morreu em Prado, em Janeiro de 2017, com 92 anos de idade. // Com geração.

 

CASTRO, Maria da Glória. Filha de Frutuoso Joaquim de Castro e de Joaquina Rosa Marques, moradores no lugar da Corredoura, Prado. Neta paterna de Frutuoso José de Castro e de Maria Caetana Alves Salgado, do lugar da Igreja, Rouças; neta materna de António José Marques e de Clara Rosa Fernandes, do lugar da Corredoura, Prado, todos lavradores. Nasceu em Prado a 12/10/1865 e foi batizada na igreja paroquial a 15 desse mês e ano. Padrinhos: Lourenço José Fernandes Torres, solteiro, rural, do lugar do Rego, e Maria José Alves Salgado, casada, lavradeira, do lugar da Corredoura. // Faleceu em Prado a 30/5/1964, com 98 anos de idade. // Com geração.

 

DANTAS, Leonilda Ortelinda. Filha de José António Dantas, natural de Galvão de Baixo, SMP, e de Angelina da Luz Alves, natural de Prado, onde moravam. Neta paterna de Luís Manuel Dantas e de Josefa Maria Soares, do lugar de Galvão, Vila; neta materna de António José Alves e de Carlota Rosa Gomes, de Prado, todos lavradores. Nasceu no lugar do Cerdedo a 25/8/1884 e foi batizada a 29 desse mês e ano. Padrinhos: Vitorino José da Cunha, casado, rural, do lugar do Souto, Prado, e «avô afim da batizanda», e Maria Benedita da Cunha, solteira, do mesmo lugar, tia da criança. // Em 1933 estava solteira (NM 216, de 17/12/1933). // Faleceu em Prado a 19/2/1975, com 90 anos de idade.  

 

DANTAS, Zulmira Augusta. Filha de Artur Augusto Dantas e de Rosa Margarida de Castro. Nasceu na freguesia de Prado a 10/1/1916 e foi batizada na igreja a 1 de Março desse ano. // Casou na CRCM a 23/1/1936 com Abílio, carpinteiro, filho de Paulo António Domingues e de Rosa Maria Alves. // Foram emigrantes em França. // O seu marido morreu em Prado a 4/9/1986. // Ela faleceu também em Prado, a 8/1/2016, e foi sepultada a 10/1/2016, no dia em que fazia cem anos de idade. // Com geração.