segunda-feira, 12 de novembro de 2018

QUADRAS AO DEUS DARÁ
 
Por Joaquim A. Rocha



desenho de Manuel Igrejas

Que estranho o dia de hoje,

Parece dia de inverno;

Parou no tempo, não foge,

É prelúdio do inferno.

 
*
 
Quando era uma criança
Tinha gosto em bater;
Agora, com esta pança,
Levo tareia a valer.
 
*

 Quando eu era um menino

Gostava bem de mentir;

E quando era caçado

Desatava logo a rir.
 
*

Quando eu era bambino,

Tão baixinho, enfezado,

Tinha a pele prò moreno,

O narizito melado.
 
*

 Quando eu era rapaz

Mandavam-me aos recados:

Ao vinho, ao pão, ao talho,

Em troca de rebuçados.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

LEMBRANÇAS AMARGAS
 
romance
 
Por Joaquim A. Rocha



desenho de Rui Nunes



XXVI

 

Entre o óbvio e o obscuro cresce a quimera

 

     Este encontro era inevitável; mais tarde ou mais cedo ele teria de se verificar. Eu era um jovem honesto, incapaz de uma traição. Eu sei que a minha escapadela com a Celina poderá ter induzido muita gente em erro; não devem contudo precipitar o vosso julgamento. Estamos perante um costume do Alto Minho, nenhum homem perdia uma boa oportunidade, revela apenas o meu caráter pouco maduro, mas como viram eu fui sincero, nada prometi à rapariga. O meu amor para com a Bera era do tamanho da montanha mais alta, do Evereste, firme e duradouro. Escutem então a minha conversa com o emigrante.

 

- Ó Artur, Artur!...

- Que queres? Estou com pressa.

- Chega aqui, por favor.

- Não tenho tempo para falar contigo, nem quero falar.

- Pelo menos ouve o que eu tenho para te dizer.

- Está bem, mas sê rápido.

- Por que é que me roubaste a namorada? Não podias ter procurado outra, que estivesse livre?

- Eu não roubei nada a ninguém. Não te devo explicações nem sequer tenho a dar-te qualquer satisfação.

- Dizias-te tu amigo do meu irmão Olavo, e também meu, afinal de contas…

- Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

- Não tem?! A Bera pertencia-me, como eu pertencia a ela, íamos à igreja quando eu regressasse da vida militar. Sabes porventura quantos anos de idade ela tem? Dezassete; faz para o próximo mês dezoito, tu deves ter vinte e seis ou vinte e sete…

- E a diferença de idades impede-nos de casar?

- Não, de modo algum, mas devia impedir-vos a inexistência de afeto, devias ter tido mais respeito para com ela e para comigo, eu não teria tido coragem de fazer o que tu fizeste, foi uma ação muito feia, indigna de um ser humano, de ti.

- Não me chateies. Não passas de um pelintra, um tamanqueiro; nem sequer sabes fazer uns sapatos novos! E querias que ela casasse contigo!

- Posso ser pelintra, tu também já o foste, mas não ando a desviar a namorada dos outros, a comprá-las…

- Ouve: põe-te mas é a andar, senão ainda levas dois bofetões bem dados.     

- A razão da força contra a força da razão.

- Palavras! Pede à tua mãe que te arranje uma dessas piolhosas da aldeia, uma borrachona como ela, não mereces mais, também as arranja para o Atílio…

- Depressa te esqueceste de quem és, quem é a tua família, de onde vens!... Também tens telhados de vidro.

- Não quero mais conversa contigo, e desde já te aviso: não te aproximes de mim ou da Bera, se não desfaço-te, escacho-te, dependuro-te no cimo da torre do castelo.

- Diz-lhe a ela que Deus não dorme e que faço votos para que não sofram o que me têm feito sofrer a mim, diz-lho; mas o castigo divino vem sempre quando menos se espera.

- Não me assustas, nem me impressionas, com essa lengalenga.

- Eu sei; vocês em França deixaram de ser tementes a Deus, não frequentam a igreja, só o dinheiro vos interessa.

- E tu com inveja, nem um conto de réis tens para comprar um fato, andas sempre com a mesma roupa nojenta!

- Vai, e casa com ela; não vos desejo felicidades, isso não, espero nunca mais vos ver, nunca mais!

terça-feira, 6 de novembro de 2018

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO
 
Por Joaquim A. Rocha
 
 
 
 
desenho de Sílvia Neto
 
ROUBOS
 
 
     Uma das perguntas que nós devíamos fazer constantemente era a seguinte: Como é que um homem, ou uma mulher, se transforma num ladrão? A resposta não é nada fácil. Existem várias respostas, todas elas credíveis,  para esta pergunta. Diz-se: é a miséria que leva o ser humano a roubar; é ladrão, porque o pai já o era; não estuda, não trabalha, logo acaba em gatuno. Até consta que há quem roube por gosto, ou vício. Enfim, podíamos estar um dia inteiro a falar sobre o assunto e não esgotaríamos o tema.    

(1919) - ALMEIDA, Maria das Dores. Nasceu por volta de 1858. // Em 1918 a Câmara Municipal de Melgaço concedeu-lhe uma licença para ela vedar um seu quintal, sito à Feira Nova (Jornal de Melgaço n.º 1198, de 9/3/1918). // Tinha a profissão de forneira. // A 26/4/1906 foi madrinha de Paulo José de Sousa. // A 9/3/1919, enquanto ela estava na feira, assaltaram-lhe a casa, de onde furtaram um cordão de ouro e 81$50 (Jornal de Melgaço n.º 1242, de 13/4/1919). // Faleceu na Vila a --/--/1933, com 75 anos de idade. 
 

*

 

(1919) - No Jornal de Melgaço n.º 1264, de 28/9/1919, lê-se, referindo-se o autor da notícia à freguesia de Penso: «A vindima por aqui este ano faz-se, com raras excepções, muito antes do tempo, porque o lavrador, vendo a desenfreada roubalheira que todos os dias se nota, resolveu fabricar vinho novo, a fim de evitar a continuação de tais abusos 
                                    *

 
(1933) - NUNES, Hilário. Filho de José Maria Nunes e de Maria Luísa Solha, lavradores, residentes no lugar de Pomar. Neto paterno de Manuel Joaquim Nunes e de Teresa Esteves; neto materno de Manuel António Solha e de Antónia Casimira Pereira. Nasceu em Penso a 29/1/1877 e foi batizado nesse dia. Padrinhos: José Joaquim Rodrigues, casado, rural, e Maria Ludovina Rodrigues, solteira, camponesa, ambos moradores no lugar das Lages. // Era solteiro, militar, quando casou na igreja de Penso a 23/8/1899 com Maria Pereira, de 21 anos de idade, solteira, camponesa, sua conterrânea, filha de Carolina Pereira. Testemunhas presentes: António Solha, casado, e Bernardino Pires, solteiro, rurais. // Em 1933 queixava-se de que lhe tinham furtado sete cestos de milho do canastro (Notícias de Melgaço n.º 197, de 11/6/1933). // Em 1936 morava no sobredito lugar de Pomar, quando os gatunos lhe roubaram duas cabras, das melhores que possuía no rebanho (Notícias de Melgaço n.º 333).
 
*
 
(1934) - Lê-se no Notícias de Melgaço n.º 224, de 4/3/1934: «Na noite de 22 para 23 do mês findo foram assaltadas algumas casas na freguesia de Remoães, mas felizmente os seus proprietários só apanharam o susto, devido à rápida intervenção dos habitantes daquela freguesia, que puseram os gatunos em debandada
 

 

 

sábado, 3 de novembro de 2018

POEMAS DO VENTO
 
Por Joaquim A. Rocha




Thanatos



Quem se quiser tanatar

Em Braga há Tanatório;

Cadeiras com espaldar,

Uma salinha, oratório.

 

Os clientes são os mortos,

Acabados de morrer;

Seus olhos estão absortos,

Mas não sentem o sofrer.

 

Os corpos vão ser cremados

Em fornos especiais;

Os ventos estão calados,

Ali não se ouvem ais!

 


 
Tudo se transforma em cinzas,

Nada do ser sobrevive;

Até os homens ranzinzas

Se calam na hora tibe.

 

Numa urninha pequena

Cabe toda uma vida;

Seja agitada, serena,

Seja curta ou comprida.  

 


 
Esquecem-se os pergaminhos,

Os doutores e engenheiros,

Os beijos, os mil carinhos,

Os casados e solteiros.

 

Na morte somos iguais,

Não há pobres, não há ricos;

Partimos do mesmo cais,

Nos cornos dos mafarricos.

 
 

O deus Hades e Thanatos

Aguardam-nos no inferno;

Descalços ou com sapatos,

No verão ou no inverno.

 

Para o céu só vão os santos,

E os pequenos anjinhos;

Cobertos com lindos mantos,

Asseados, vestidinhos.

 

Nós somos os pecadores,

Vigaristas e ladrões;

Atrevidos, caçadores,

Da arca das ilusões.


Não temos rumo nem norte,

Sempre à deriva, sem tento;

Confundimos azar e sorte,

Temos cabeça de vento.

 

Quando morrer, ó rabichos,

Não me quero tanatar;

Quero dar odor aos bichos,

Quero de novo reinar.

 

Quero estar no Purgatório,

Até ao Juízo Final;

Jogar cartas com Gregório,

Com Abel e Juvenal.



 

 

 

 

Cedo o meu lugar na barca

Que leva a alma ao céu;

Casei-me com uma parca,

Agora ela… sou eu.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

MELGACENSES NA I GRANDE GUERRA
(e em outras guerras do século XX)


Por Valter Alves e Joaquim A. Rocha



desenho de Rui Nunes



Prefácio de Valter Alves

  
     Foi há pouco mais de cem anos que os primeiros soldados do contingente que Portugal enviou para combater em França na I Guerra Mundial chegaram à Flandres. Em África, já combatiam os alemães desde 1914. Com base nos dados de que dispomos, de Melgaço partiram para a Flandres mais de setenta homens, oriundos das diversas freguesias. Estes homens foram autenticamente “roubados” às suas vidas e obrigados a ir para uma guerra para a qual não estavam preparados. Paderne, com catorze homens, Penso com doze homens, e Vila, com catorze homens, são as freguesias melgacenses que mais contribuíram em termos de número de efetivos. Estes homens da nossa terra, feitos soldados, tinham todos – à data do embarque – idades entre vinte e dois e vinte e sete anos completos (nascidos entre 1891 e 1895), à exceção dos oficiais e sargentos que eram um pouco mais velhos.

     Assim, entre Janeiro e Novembro de 1917, partiram estes homens do cais de Alcântara, rumo ao porto marítimo de Brest, França, numa viagem de navio de vários dias. Daí seguiram de comboio até à zona sul da Flandres francesa, perto de Armantières, nos vales dos rios Lys e Aire. Depois de uma curta estadia em Brest, porto de desembarque das tropas portuguesas, seguia-se o transporte, de comboio, até à região de “Aire”, zona destinada às tropas do Corpo Expedicionário Português. E foi num dia agreste, de neve, chuva e frio, língua e costumes tão diferentes dos seus, que estes jovens da nossa terra e as tropas portuguesas tiveram de suportar mais de um mês de treino complementar, junto do exército britânico, para se poderem “familiarizar” com as armas inglesas com que iam combater, e com as novas formas de guerra que iam conhecer de perto.

     Na frente europeia, dos setenta e tal homens naturais de Melgaço que partiram, dez morreram caídos em combate, ou devido a outras causas, como doenças. O primeiro melgacense a morrer em combate foi o soldado António Alberto Dias, natural do lugar da Verdelha, freguesia de Paderne, que faleceu a 9/10/1917, na Flandres, França. Quatro dos caídos em combate morreram durante a batalha de La Lys (9 de Abril de 1918). Foram eles: os soldados José Cerqueira Afonso, de Paderne, José Narciso Pinto, de Chaviães, João José Pires, de Paços, e o segundo-sargento António José da Cunha, natural da freguesia de Santa Maria da Porta, Vila de Melgaço. O último pertencia ao 6.º grupo de baterias de metralhadoras e os três primeiros eram soldados que pertenciam à 4.ª Brigada de Infantaria do CEP, Regimento de Infantaria n.º 3, Viana do Castelo. Esta era conhecida como a Brigada do Minho, a que pertenciam a grande maioria dos soldados melgacenses, e já tinha conquistado uma reputação de bravura na frente de batalha muito antes de lhe ser confiada, em Fevereiro de 1918, a defesa do sector de Fauquissart, em Laventie, na Flandres francesa, perto da fronteira com a Bélgica, onde ainda se encontrava nesse fatídico dia 9/4/1918, quando foi dizimada pelos alemães na dita batalha de La Lys.

           Os soldados da Brigada do Minho tinham passado a noite de 8 para 9 de Abril a arrumar armamento, munições e outros equipamentos, e seus pertences. Iam ser rendidos por batalhões ingleses no dia 9 e hoje em dia acredita-se que os alemães sabiam disso. Sabiam também que a infantaria portuguesa não estava preparada para aquela guerra e que tinham sido treinados à pressa numa falácia vendida pelo regime republicano que apelidaram de “Milagre de Tancos”. Os soldados de Melgaço e de outras regiões eram lavradores, pedreiros e de outros ofícios. Muitos deles nunca tinham saído da sua terra. A grande maioria nem sabia ler e escrever. Um soldado não se faz num par de meses. Esta batalha foi, por essas e outras razões, um dos maiores desastres de toda a História Militar portuguesa. No dia seguinte, chegara a hora de contabilizar as baixas: trezentos e noventa e oito mortos (369 praças e 29 oficiais) e uma esmagadora maioria de prisioneiros (6.585, dos quais 6.315 eram praças, e 270 oficiais). Na 4.ª Brigada de Infantaria, à qual pertenciam a maioria dos melgacenses, as baixas situam-se em cerca de 60% entre mortos, feridos e prisioneiros. No Regimento de Infantaria 3, Viana do Castelo, as baixas cifram-se em 570, de um total de setecentos homens que estavam em posição naquela noite. Deste total de baixas, houve registos de noventa e um mortos (quatro de Melgaço), cento e cinquenta e cinco feridos, sete desaparecidos, e trezentos e dezassete soldados feitos prisioneiros. Deste total de prisioneiros de guerra, nove soldados eram melgacenses. Inicialmente, estes homens foram dados como «desaparecidos em combate» e esse facto foi comunicado às famílias. Vários meses mais tarde, após o fim da guerra, em Novembro de 1918, a Comissão de Prisioneiros de Guerra, comunicou que estes homens se encontravam em campos de prisioneiros na Alemanha, pondo fim a meses de sofrimento dos soldados e das suas famílias, que os julgavam mortos. Na realidade, estes melgacenses foram todos capturados durante a batalha e levados para campos de prisioneiros na Alemanha. Eram eles: os soldados Mário Afonso, de Santa Maria da Porta, Vila; António Fernandes, de Penso; Abílio Alves de Araújo, da Gave; Avelino Fernandes, de Alvaredo; António José Rodrigues, de Paderne; Inocêncio Augusto Carpinteiro, de São Paio; Justino Pereira, de Cubalhão; António Reis, da Rua Direita, vila de Melgaço, e António Pires, de Rouças; tendo ficado dispersos por vários campos de prisioneiros na Alemanha. Depois de La Lys o CEP não mais participou em operações militares relevantes, ficando na dependência dos ingleses, e relegados para tarefas secundárias. Os que tombaram repousam para sempre no cemitério militar português de Richebourg l’Avoué, França. Os que regressaram, muitos deles voltaram com os traumas próprios de um conflito que a humanidade nunca tinha conhecido, ou com os problemas de saúde que os acompanharam durante o resto das suas vidas.       

     Por tudo isto, estes homens foram heróis e merecem a nossa homenagem. Para que nunca sejam esquecidos!

*


NOTA: este livro será brevemente posto à venda em Braga e Melgaço. Todos os interessados que não residam num destes concelhos do Minho poderão solicitá-los através do e-mail seguinte: joaquim.a.rocha@sapo.pt // O preço, dez euros, será acrescido do porte, ou custo, de envio. Deverão mencionar a sua morada completa a fim de os livros chegaram a suas casas sem quaisquer atrasos ou problemas. O dinheiro a pagar será transferido através de conta bancária, cujo número será indicado após os pedidos serem feitos.     






segunda-feira, 29 de outubro de 2018

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO
 
Por Joaquim A. Rocha



 


MACRÓBIOS
 
 
     Já se vai tornando normal morrer, em Melgaço, concelho do Alto Minho, com noventa ou mais anos de idade. Ainda não há muito tempo que faleceu lá uma senhora com cento e sete anos de idade! Isto não significa que não morram pessoas nesse cantinho de Portugal com menos idade. A população de Melgaço tem vindo a diminuir desde a década de sessenta do século XX. Devido à guerra colonial (1961-1974) os jovens melgacenses emigraram para outros países da Europa, arrastando com eles os pais, irmãos mais velhos, e namoradas, que se tornaram suas esposas. Enfim, Melgaço despovoou-se. De vinte mil habitantes, restam cinco ou seis mil. Por este andar...



VAZ, João Manuel. Filho de Manuel Vaz e de Maria Josefa Rodrigues, lavradores. Nasceu em Penso por volta de 1779. // Faleceu a 16/2/1872, em sua casa de Paradela, com cerca de noventa e três anos de idade, no estado de viúvo de Maria Rosa da Rocha, e foi sepultado na igreja. // Deixou filhos.

 *

VAZ, Maria Joaquina. Filha de Zeferino Vaz e de Rosa Emília Esteves Cordeiro, moradores no lugar das Lages. Neta paterna de António Manuel Vaz e de Mariana Esteves Cordeiro, do dito lugar; neta materna de Francisco António Esteves Cordeiro e de Mariana Gonçalves, do Casal Maninho. Nasceu em Penso a 17/8/1856 e foi batizada no dia seguinte pelo padre Luís Manuel Domingues, de Alvaredo. Padrinhos: João Manuel Esteves Cordeiro, clérigo in minoribus, e Joaquina Esteves Cordeiro, solteira, ambos pensenses. // Casou na igreja de Penso, em primeiras núpcias, a 7/9/1876, com Manuel José Domingues, de 23 anos de idade, natural de Paderne. // Faleceu em Penso a 19/4/1952, com noventa e cinco anos de idade. // Mãe de José Domingues (1882-1969), casado com Florinda da Silva.    

 *

VEIGA, Maria da Glória. // Deve ser filha de Francisco António da Veiga, natural de Formariz, Paredes de Coura, e de Alexandrina Gomes, natural de Penso, Melgaço (confirmar). Nasceu a 24 de Julho de 1911. // Faleceu a 16 de Agosto de 2001, com noventa anos de idade, e foi sepultada no cemitério de Penso, ao lado de Perfeito Garcia Fernandes (1914-1967), provavelmente seu marido (a confirmar). 

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO
 
Por Joaquim A. Rocha
 
 


CASAS


CASA-MUSEU MARIETA SOLHEIRO MADUREIRA

      Sita em Estarreja. / Marieta Adelaide, filha de Hermenegildo José Solheiro e de Maria Leonor Gonçalves da Mota, nasceu em Melgaço a 27/5/1912. Em 1937 era regente do posto de ensino da Serra, Prado. Nesse ano, a 17 de Maio, foi pedida em casamento pelo médico veterinário em Estarreja, Dr. António Godinho da Mota Madureira (1913-1996), de Lisboa, que já fora veterinário em Melgaço, onde conhecera a noiva. Casaram na igreja matriz da Vila de Melgaço a 9/10/1937. Depois das cerimónias seguiram em lua-de-mel e fixaram residência na dita Vila do distrito de Aveiro. / Marieta Adelaide faleceu em 1985. O seu viúvo, que há muitos anos colecionava obras de arte, criou a dita Casa-Museu, dando-lhe o nome da sua dedicada esposa. / Quem administra essa Casa é a Fundação Solheiro Madureira, criada a 5/12/1992 (ver VM 981, de 15/3/1992).   


=====================




CASA ORIENTAL
 

     Abriu na Calçada, vila de Melgaço, na antiga Garagem Lima, em Julho (s.e.) de 2008. Vendem roupas e outros artigos (VM de 1/8/2008). Segundo “A Voz de Melgaço” n.º 1299, de 1/8/2008, esse espaço tem novecentos metros quadrados e está arrendado a um empresário natural da China.
 
                       ==============
 
CASA DO OUTEIRO


     Sita em Agualonga, concelho de Paredes de Coura. Aí morreu, a 18/12/1962, o visconde do Peso de Melgaço, Amaro de Castro Sousa Menezes Abreu e Antas. Era solteiro e tinha setenta e sete anos de idade. 


             ================
 

CASA DO PAÇO

      Escreveu o “Mário”: «Em 1/11/1790 Francisco Antão Mendes de Sousa Araújo Besteiro e sua mulher, do lugar de Ferreiros, de Prado, contraíram um empréstimo de seis mil e novecentos réis à confraria do Senhor da Vila… Ora, este Francisco Antão… entroncava na Casa do Paço de Rouças em São Paio…» (ver «Padre Júlio Apresenta Mário», página 143). // Vladislau de Sousa e Castro e Bebiana de Castro, da Casa do Paço, Paderne, foram padrinhos de Aurélia Maria Rodrigues, nascida a 6/4/1840 e batizada na igreja do Convento de Paderne quatro dias depois.
 
 


 

==================================================
 

CASA DE PARANHÃO

 

     Sita no lugar de Paranhão, freguesia de Penso, Melgaço. Em 1808 pertencia a Domingos Esteves Cordeiro e a sua mulher, Francisca Domingas Esteves Cordeiro. Nesse ano, a 25 de Janeiro, um filho deste casal, Domingos Joaquim Esteves Cordeiro, casou na igreja de Penso com Maria Caetana Alves, filha de Domingos Alves e de Maria Lina (ou Maria Luísa) Álvares de Magalhães, da Casa do Crasto (*); (ver “O Meu Livro das Gerações Melgacenses”, volume II, página 119). // Uma filha de Domingos Joaquim Esteves Cordeiro e de Maria Caetana Alves, ou Álvares de Magalhães, de seu nome Maria Teresa Esteves Cordeiro, casou na igreja de Penso, a 14/7/1856, com Manuel Luís Gonçalves, filho de Manuel António Gonçalves e de Caetana Rodrigues Vilarinho, de Telhada Grande, Penso. // João Esteves Cordeiro, desta Casa, gerou em Rosa Lourenço, sua conterrânea, uma menina, Ernestina Esteves Cordeiro, que nasceu a 14/12/1881, que perfilhou, a qual veio a casar a 11/2/1899 com João Eugénio da Costa Lucena, natural da cidade de Lisboa; um dos filhos deste casal teve uma ourivesaria na Praça da República, vila de Melgaço. /// (*) Noutro lado aparece como Casa do Campo (ver).
 

===================================================
 

CASA PARIS
 

     Proprietário: Jaime Afonso. Abriu ao público em 1966, na Avenida da Fonte da Vila, ao lado do Café Luso-Brasileiro, junto ao Largo da Calçada, sendo benzida pelo padre Carlos Vaz. // Especializada em louças, cristais e artesanato (VM 1104, de 1/11/1998). // Em 2006 foi remodelada (VM 1267, de 15/4/2006). // Passou a ser dirigida pelo filho de Jaime Afonso, de seu nome Paulo.
 

==================================================

 

CASA DO PESO

      Em 1634 era seu proprietário António de Castro e Sousa, nesse ano vereador mais velho e juiz dos órfãos pela ordenação, voltando a ter esses cargos em 1639. // Diz-nos o “Mário de Prado”: «Em 15/10/1894, o Dr. António Augusto de Castro Sousa Menezes, da Casa do Peso, pai do 1.º visconde do mesmo nome, fidalgo da Casa Real, etc., foi agraciado com a comenda da Ordem da Conceição de Vila Viçosa…» (“Padre Júlio Vaz Apresenta Mário”, p.p. 146/7). // Esta Casa foi vendida, no início do século XX, à família Figueiroa, que a transformou num Hotel, cuja inauguração foi, salvo erro, em Junho de 1901. Logo nesse ano, em Agosto, esteve ali hospedado o ministro das Obras Públicas, conselheiro Manuel Francisco Vargas. // (Acerca da Casa e Quinta do Peso ver A Voz de Melgaço n.º 1226, de 1/6/2004).