terça-feira, 10 de julho de 2018

GENTES DO CONCELHO DE MELGAÇO

                                               CHAVIÃES                                                                   
 
 
                   Por Joaquim A. Rocha





PEREIRA, Petronila (*). Filha de Maria Rita Pereira (ver na vila de Melgaço), solteira, natural e paroquiana da Vila, SMP, mas moradora no lugar do Escuredo, Chaviães. Neta materna de Maria Bernarda Pereira (ver em Chaviães), a morar no dito lugar. Nasceu em Chaviães a 27/6/1860 e foi batizada pelo padre JLBC a 2 de Julho desse ano. Padrinhos: António Joaquim Rodrigues, solteiro, lavrador, residente no lugar da Igreja, e Maria Caetana da Cunha, solteira, moradora no lugar do Outeiro, ambos da freguesia de Chaviães. // Quando o militar do exército José Domingues Peres, nascido no Porto, chegou a Melgaço, na década de oitenta do século XIX, comandando uns quantos soldados, a fim de apaziguar os ânimos do povo de algumas freguesias melgacenses, que não deixavam enterrar os mortos fora das igrejas, por acharem que a alma dos defuntos só dentro da igreja, no lugar sagrado, se purificavam, engraçou com a Petronila e levou-a com ele. Moraram em Aveiro e no Porto. Geraram alguns filhos, entre eles o tenente Peres (ver, na vila de Melgaço, Manuel José Peres), nascido no Porto, mas o qual casou em segundas núpcias com a melgacense Esmália de Nazaré dos Santos Lima. // O seu marido foi mobilizado em 1917 para combater em França, aquando da I Grande Guerra. Devia ter uma patente elevada, talvez capitão, pois quando se reformou já era general. // Ela faleceu em Junho de 1929. /// (*) No assento de óbito de seu filho, Manuel José Peres, diz-se que o seu nome era Petronila Cândida de Lima!    

estátua viva

AS MARIAS DA FONTE DE CHAVIÃES
 
     António Bernardo da Costa Cabral (1803-1889), marquês de Tomar, foi nomeado ministro do reino pela rainha D. Maria II. Empolgado com tal nomeação, quis mostrar obra. Então, faz publicar o novo código administrativo (1842), reorganiza a guarda nacional, e leva a cabo a reforma das Câmaras Municipais (1842-1843). Embora o automóvel ainda não existisse, tenta rasgar novas estradas, pois aquelas que havia, poucas, eram quase todas do tempo dos romanos! O parlamento, também ele entusiasmado, aprova três leis que Costa Cabral tenta pôr em prática: a lei da saúde (proibia os enterramentos dentro das igrejas); a lei da contribuição de repartição (obrigava à declaração dos haveres e dos rendimentos de cada pessoa); e a lei das estradas (impunha aos homens válidos quatro dias de trabalho anuais gratuitos). Os adversários de Costa Cabral, sobretudo os adeptos de D. Miguel, exilado desde 1834, entre os quais muitos clérigos, que entretanto tinham perdido grande parte do poder, que usaram despoticamente, aproveitaram estas três leis, impopulares, para derrubarem o chefe do governo. Em Março de 1846, na freguesia de Monte Arcada, Póvoa de Lanhoso, um cadáver ia ser enterrado fora da igreja. Contudo, as mulheres, jovens e mais velhas, após centenas de homilias, anos a fio a ouvirem dizer que o demo reencarnara no liberal, não permitiram que o corpo da defunta fosse sepultado no adro. Deu-se então início à revolução chamada «Maria da Fonte», que só terminaria em Junho de 1847, pela Convenção de Gramido. Os anos foram passando, o marquês deixou o governo, veio a regeneração, e com ela o fontismo. O país progrediu, parece que estávamos no bom caminho. Porém…     


     A introdução tem a ver com aquilo que eu vou escrever a seguir: Chaviães, junto ao rio Minho, é uma das freguesias mais antigas de Melgaço. Com uma população média de seiscentos a setecentos habitantes no século XIX, vivendo do seu trabalho agrícola e da pesca no rio, além da pirotecnia, não dava azo a grandes notícias. No entanto, aquela lei da saúde não agradou àquela gente humilde. Comentavam: «Que raio, depois de mortos sermos enterrados fora da igreja, do local sagrado, é demais! Nós não somos cães, nem gatos, temos alma.» Os padres estavam receosos: por um lado queriam cumprir a lei, mas por outro lado bem gostariam de contrariar aquela “gentalha” do liberalismo que tanto mal lhes causara. E o povo era maleável, era preciso lançar a semente da revolta; eles sabiam que os cadáveres sepultados na igreja poderiam provocar graves doenças, mas não desejavam colaborar com os políticos saídos da revolução de 1820 – isso nunca! Os anos foram passando, o conflito entre o governo de Lisboa e o poder local, sobretudo com alguns concelhos conservadores do norte do país, estava latente, mas a distância e a dificuldade nos transportes e comunicações da altura iam adiando a execução das leis nacionais. O cura de Chaviães, Bernardo António Rodrigues Passos, irmão do médico Passos, ia gerindo as suas contradições conforme podia. No dia 31/1/1885 convenceu a família de Maria Caetana a enterrá-la no adro da igreja. A população não gostou, mas as coisas ficaram por ali. Em Março do mesmo ano Ludovina Rosa também foi sepultada no adro. O povo bufava! No dia 1/5/1885 também foi sepultado no adro Vitorino José Esteves. Foi a gota de água que fez transbordar o copo. No dia 16 desse mês e ano ia a enterrar António Jacinto Gonçalves; porém, as mulheres, munidas de enxadas, forquilhas, ferros, ancinhos, e outras alfaias agrícolas, invadiram o templo sagrado, abriram uma cova no chão da igreja e ali enterraram o cadáver. O padre Bernardo limitou-se a ser um mero espectador. No assento de óbito escreveu: «… dando eu disto parte à autoridade administrativa em meu ofício de 19 do mesmo mês de Maio.» A revolta das chavianenses surpreendeu algumas pessoas, mas não todas. Sabia-se que essa lei nunca fora bem aceite na província. Enterrar os mortos fora da igreja, em espaços livres, onde os cães e porcos, e galinhas, e outros animais, andavam à vontade, passeando-se por cima das campas, levantava sérios problemas de consciência. A religião era assunto sério. A autoridade administrativa, ciente do seu dever, interveio duramente: as revoltosas teriam de se resignar; a saúde das populações, num tempo em que a higiene pessoal e coletiva deixavam muito a desejar, estava acima das crenças. Os próximos três enterramentos foram de facto feitos no adro da igreja – 14 de Junho, 23 de Agosto e 13 de Setembro de 1985; mas no dia 21 de Outubro faleceu Maria das Dores Simões, com apenas 35 anos de idade, esposa de Luís António Alves e mãe de uma menina. As “amazonas” de Chaviães, e provavelmente de outras freguesias vizinhas, armadas com tudo aquilo que apanharam a jeito, acompanharam o funeral e obrigaram o pároco a enterrar o corpo na igreja! Escreveu ele: «e foi sepultada dentro da igreja de Chaviães por causa do mulherio revoltado que obstou ao enterramento fora dela.» Nos próximos enterramentos o vigário escreveria: «… e foi sepultada dentro da igreja desta freguesia por causa retro mencionada»; «e foi sepultada dentro da igreja (…) pelo motivo retro indicado»; «… e foi sepultada dentro da igreja por causa do obstáculo já indicado»; «… por força maior obstar a ser fora.» Cansado de repetir a mesma lengalenga o abade escreveu, depois de 25/10/1886: «e foi sepultada na igreja na falta de cemitério público.» Era uma desculpa. Naquele tempo os cemitérios ficavam baratíssimos: a mão-de-obra era abundante e mal paga, os terrenos praticamente oferecidos, e as campas eram rasas; o coveiro exercia simultaneamente outra profissão. O problema residia na fé: os cristãos estavam convencidos de que a alma do defunto ficaria desprotegida, não iria para o purgatório ou para o céu caso o corpo não fosse sepultado na igreja! Com o tempo, e o avanço da ciência, as coisas alteraram-se, para melhor, os cemitérios foram murados, e no seu interior erigida uma capela, mas - apesar de tudo - o obscurantismo, a superstição, ainda andam por aí!      
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VENDO
          

  
Preço: 10 euros + despesas de envio.
 

 

sábado, 7 de julho de 2018

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO
 
Por Joaquim A. Rocha



volfrâmio


CASA DE MELGAÇO

 

     Fundada em Braga por melgacenses a 10/4/1984. Não tinha fins lucrativos. Desempenhou durante algum tempo um papel importante na divulgação da cultura e produtos da terra, além de promover o convívio entre os naturais residentes na cidade dos arcebispos e apoiar estudantes do concelho, etc. A partir duma certa altura, por manifesto desinteresse dos membros da direção, e pequenas questiúnculas entretanto surgidas, deixou de existir na prática. O argumento é este: «Melgaço está muito próximo, e toda a gente tem carro; em menos de uma hora está-se lá.» // Em 1993 convidavam-se todos os melgacenses para um jantar de reis num restaurante de Braga (VM 998, de 15/12/1993). / No mesmo número do jornal informava-se que a 21 de Janeiro, na Casa-Museu Nogueira da Silva, ia haver um encontro, a fim de se eleger uma Direção «que possa tentar melhorar o funcionamento da Casa de Melgaço em Braga.» Como se podia melhorar se nem sequer havia uma sala própria para os membros da direção se reunirem?! / O padre Carlos Nuno escreveu: «O jovem António José Lourenço (…) vai tentar arranjar uma lista que possa encabeçar em devida forma a revitalização de uma série de iniciativas em favor da Casa de Melgaço em Braga.» E mais abaixo: «Na reunião deste ano, notou-se um pouco a falta dos melgacenses originários de Castro e que constituem um núcleo importante e com certo poder económico» (VM 999, de 1 e 15/1/1994).
 
  Poder-se-ia perguntar: para que era necessário possuir grande poder financeiro se com quaisquer cem euros por ano (ou até menos, se houvesse muita gente inscrita) dava para sustentar a Casa de Melgaço em Braga? Quanto a mim o problema nunca foi de dinheiro, mas sim de falta de energia, de tempo, e até um resquício de rivalidades entre freguesias do concelho. / A 1/2/1994, na Casa da Cultura da Câmara Municipal de Braga, elegeram-se os órgãos sociais: Alexandre Amoedo da Cruz Lourenço, presidente da direção; cónego e professor Dr. José Marques, presidente da assembleia geral; Dr. José Domingues, presidente do conselho fiscal. A duração do mandato seria de três anos. Um dos objetivos dos eleitos era angariar fundos para uma sede, mas isso nunca conseguiram, apesar da Câmara de Braga ter cedido o terreno (ver A Voz de Melgaço n.º 1002, de 1/3/1994). / Em 1995, a fim de celebrar o seu 11.º aniversário, levou a cabo dois eventos: o 1.º, um rico jantar: nas entradas, presunto de Fiães com melão, e enchidos, também de Fiães, e a seguir arroz de lampreia, tudo regado com os bons vinhos do concelho; o 2.º, de 21 a 25 de Abril, teve a ver com a sua participação na Agro/95, no Parque de Exposições de Braga, com pavilhão próprio, onde foram expostos produtos melgacenses (presunto, broa de milho e de centeio, lampreia seca, águas do Peso, etc.) e peças de artesanato (rendas, linhos, etc.), além dos livros “Na Terra de Inês Negra” e “VI Centenário da Tomada do Castelo de Melgaço”, e jornais. Foi um sucesso, por isso prometeu-se repetir (VM 1028, de 1/5/1995). Teve um grande elogio de Luís de Castro (VM 1029, de 15/5/1995). // Contudo, por inércia, tudo esmoreceu. / Em 1996 as coisas não corriam bem: adiou-se para 9 de Fevereiro «o tradicional jantar de natal» e iam substituir-se alguns elementos da Direção. O local da Assembleia Geral é que ainda não se sabia! (VM 1043, de 1 e 15/1/1996). / Num artigo, assinado por C.N., lê-se: «Em 9 de Fevereiro, sexta, à noite, em instalações da Universidade do Minho, no Campus de Gualtar, teve lugar o jantar de convívio entre melgacenses residentes em Braga e que já há doze anos vêm tentando fazer com que a Casa de Melgaço em Braga seja, realmente, o grande foco aglutinador dos melgacenses residentes na cidade dos arcebispos.» E mais à frente: «Apesar de haver uma sede provisória em instalações da Junta de Freguesia da Cividade, à Rua de São Geraldo, 42-1.º, são muito poucos os que, à noite, frequentam a sede e convivem, trocando ideias, dando sugestões» (VM 1045, de 15/2/1996). A direção tentava fazer alguma coisa além dos comes-e-bebes, como, por exemplo, criar uma biblioteca com livros e documentos de Melgaço, mas o individualismo reinante não permitiu isso. Uma lampreiada, acompanhada de bom vinho, tudo bem; agora ajudar o concelho, divulgar as suas potencialidades, pagar uma quota mensal, isso não.
 
 
    A Casa de Melgaço participou na Agro/96. No dia 30 de Abril os sócios foram comer um arroz de lampreia à Casa do Rio, em Palmeira, propriedade do professor Peixoto, presidente da Junta de Freguesia da Cividade. Houve discursos interessantes, boa disposição, ótimo convívio. Pela noite fora ouviram-se fados e guitarradas (VM 1050, de 1/5/1996). / Nova presença na Agro/97. A seguir teria lugar o «tradicional jantar de lampreia», outra vez na Casa do Rio, Palmeira, Braga (VM 1071, de 1/5/1997). / Em Novembro de 1998, numa assembleia geral, foram alterados os estatutos a fim da Casa de Melgaço ser equiparada a Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), beneficiando desse modo de ajudas do Estado. A Câmara Municipal de Braga colocou à disposição da Direção um terreno com 3200 m2, a fim de se construir a sede (VM 1110, de 15/2/1999). / A presidência da Câmara Municipal de Melgaço «manifestou apoio total às pretensões dos representantes da Casa de Melgaço em Braga, de construir uma sede social, centro de dia e outras valências na freguesia de Nogueira.» Para esse fim disponibilizou o arquiteto da Câmara (Melgaço Hoje n.º 36, de Março/1999). / A 15/5/1999 houve mais uma reunião de associados. Primeiro estiveram na igreja de Nossa Senhora-a-Branca, Braga, onde o cónego Dr. José Marques celebrou a Eucaristia, solenizada com cânticos, acompanhados com música de órgão executada pelo padre Júlio Vaz (sobrinho). Depois das fotografias dirigiram-se para a Casa do Rio, em Palmeira, viram o esboço da futura obra, «atacando depois a ementa…»: arroz de lampreia ou prato de carne. «Os vinhos eram da nossa terra, desde o São Rosendo tinto até várias marcas de alvarinho local» (VM 1117, de 1/6/1999). / Óscar Marinho, solicitador, afirma: «Sou um dos fundadores da Casa de Melgaço em Braga que, nos anos iniciais, manteve alguma actividade, mas que hoje, por factores vários, a que não é alheio o político, caiu em letargia» (VM 1171, de 15/11/2001). / Em A Voz de Melgaço n.º 1182, de 15/5/2002, convidavam-se os melgacenses residentes na capital do Minho para irem a Alvaredo comer um arroz de lampreia, no restaurante «Pomba», a 19 desse mês. Correu tudo bem. / A 28/3/2003 houve mais um jantar de lampreia: outra vez na Casa do Rio, em Palmeira (VM 1202, de 15/4/2003). / A partir daí não se conseguiu levar a cabo mais nenhum convívio produtivo, apesar de algumas tentativas, sobretudo junto do vice-presidente da Câmara Municipal de Braga, senhor Vítor de Sousa, nascido em Angola, salvo erro, mas descendente de melgacenses, que prometeu muito mas nada fez pelo concelho de seus pais. Entretanto, o presidente da direção, engenheiro Alexandre Lourenço casou, e a nova vida de casado e pai não lhe permite nenhuma disponibilidade. // Raul Francisco Cerdeira, bancário, descendente de um senhor melgacense, grande amigo de Melgaço, dinâmico como poucos, residente na cidade de Braga, morreu no dia 6/2/2013. Os outros melgacenses a residir na capital do Minho foram envelhecendo e desinteressaram-se da Casa de Melgaço. A Câmara Municipal de Melgaço também esqueceu esse projeto. Pudera! Com tantos problemas internos por resolver. Esqueceu os soldados que lutaram na 1.ª Grande Guerra, na Guerra Colonial, a reedição das obras completas do Dr. Augusto César Esteves, a edição das peças de teatro de Vasco Almeida, a aquisição de uma cópia do filme Serra Brava, etc., mas lembrou-se dos contrabandistas, que deram uma péssima imagem do concelho, dedicando-lhe um museu! A juventude já não quer saber de tal assunto. Melgaço está a cem quilómetros de Braga, as estradas não são más, de automóvel a gente põe-se lá em uma hora. // (ver também artigo publicado na VM 1182, de 15/5/2002, página 8).  
 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 









quarta-feira, 4 de julho de 2018

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO
 
Por Joaquim A. Rocha




AFOGADOS

      Os rios e mares têm destas contradições: dão peixe saboroso, a água para excelentes banhos nos meses quentes, mas também dão a morte àqueles que os atravessam sem os conhecimentos necessários de natação, ou nadam nas suas praias não vigiadas. No rio Minho, que tanto tem dado às gentes que vivem perto dele, já imensas pessoas ali deixaram a vida. Uns por descuido, outros fugindo aos carabineiros, outros por suicídio.

 

     // PODERÉ, Francisco Manuel (Padre). Filho de Miguel Caetano Álvares e de Antónia Maria de Araújo Azevedo Gomes (Poderé). Neto paterno de António Álvares e de Maria Soares; neto materno de Manuel de Castro Gomes e de Mariana de Araújo Simões. Nasceu na freguesia de Chaviães, concelho de Melgaço, em Maio de 1787. // Os seus pais fizeram-lhe património, a fim de seguir a carreira eclesiástica, a 15/10/1808, quando já recebera as ordens menores. // Ainda estudante de teologia, enamorou-se de Maria Joaquina de Magalhães, solteira, natural da Vila de Melgaço, e ambos geraram duas crianças: Maria Joaquina e Francisco Luís. // Ele quis casar, mas a família não deixou, sobretudo seu tio paterno, padre Diogo Manuel Álvares, levando-o para Braga, a fim de terminar o curso. // Um dia resolve embarcar para África, para Angola, mas morre pelo caminho, talvez atirando-se ao mar. // O Dr. Augusto César Esteves, em «O Meu Livro das Gerações Melgacenses», volume I, página 588, escreveu: «O seu nome de moço anda ligado a uma aventura amorosa com uma das senhoras da Casa dos Magalhães, de São Julião de Baixo (…); no entanto, o padre Francisco Manuel, com ajudas e incentivos dos seus expatriou-se…» // Faleceu a 14/1/1820. // Conta-nos o dito Dr. Augusto César Esteves, na página citada: [e segundo constou na terra natal deu-se o decesso «na viagem de Angola que afogou que andava embarcadiço por capelão e se soube por cartas que de lá vieram; se lhe fez o seu funeral nesta igreja (e) ofícios na forma do costume desta freguesia.»] // (ver os seus descendentes na Vila de Melgaço, no apelido Magalhães).       

domingo, 1 de julho de 2018

SONETOS DO SOL E DA LUA
 
Por Joaquim A. Rocha








Se nascemos do verbo, da palavra,

Quem criou isso que nos deu o ser?

Quem nos deu a morte, curto viver,

Quem tornou nossa pobre alma escrava?

 

Nascemos do barro, semente brava,

Não foi fácil nosso corpo erguer;

E logo a serpente nos faz sofrer,

Seu olhar a felicidade trava.

 

Onde mora o esquivo paraíso,

Se tudo se transforma em ruínas?

Não há entendimento, não há siso,

 

Não há mais heróis, santos, heroínas.

Perdeu-se tudo, até o alvo riso,

Deixa-se a honra pelas vis esquinas.