quarta-feira, 1 de novembro de 2017

QUADRAS AO DEUS DARÁ
 
Por Joaquim A. Rocha



o trovador




Meu coração anda triste

De tanta injustiça ver;

Não sei se o pobre resiste,

Ou se vai tudo esquecer.

*

Nada é como era dantes,

O amor desapareceu

Na barca dos navegantes,

À procura de Nereu.

*

Vejo ao longe a imagem

De uma deusa sorridente;

Talvez seja uma miragem,

O sonho de um demente.

*

As figueiras da Peneda

Dão seus figos em Agosto;

E têm uma cor tão leda…

Um sabor que nos dá gosto.


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VENDA DE LIVROS DO AUTOR:

Dicionário Enciclopédico de Melgaço I     10 euros
Dicionário Enciclopédico de Melgaço II    10 euros
Lina - Filha de Pã (romance)                        10 euros
Os Meus Sonetos e os do Frade                  10 euros
 
Nota: estes preços, para Portugal, incluem as despesas de envio.

Os pedidos deverão ser feitos para o seguinte e-mail: joaquim.a.rocha@sapo.pt
 

domingo, 29 de outubro de 2017

SONETOS DO SOL E DA LUA
 
Por Joaquim A. Rocha







O RAPAZ DAS PINHAS

(147)

 

Trepava aos pinheiros com destreza,

Selecionava as melhores pinhas,

Esquecia aquelas dores mesquinhas,

Respirava no monte sã beleza.

 

De coisa alguma tinha a certeza,

Crenças dos outros não eram minhas;

Para todos os males havia mezinhas,

Ria-me da morte, da vil tristeza.

 

O tempo passou e eu fui crescendo,

  Entre oficinas, rios e serras,

A minha agilidade foi morrendo…

 

Meus olhos viram outras gentes, terras,

Minha juventude fui esquecendo,

No peito tenho punhais, salvaterras!


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LIVROS DO AUTOR PARA VENDA


LINA - FILHA DE PÃ (romance)  - 10 (dez) euros.
 
OS MEUS SONETOS e os do frade (poesia) - 10 (dez) euros.
 
DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO, 1.º volume - 10 (dez) euros.
 
DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO, 2.º volume - 10 (dez) euros.
 
Nota - os pedidos devem ser feitos através do seguinte email: joaquim.a.rocha@sapo.pt
    
   1 - O pagamento será feito antecipadamente através de transferência bancária numa conta aberta na Caixa Geral de Depósitos (CGD); o número da conta será indicado aquando da troca de emails.   
 
  
 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017


 
OS NOVOS LUSÍADAS
(tentativa de continuação de «Os Lusíadas» de Camões)
 
Por Joaquim A. Rocha 
 
 
 
 
(continuação)
 
4

 
Cantarei os bombeiros voluntários,

Também os que são profissionais;

Andorinhões, andorinhas, canários,

Águias, crocodilos e pardais…

Não cantarei os temíveis falsários,

Hóspedes de prisões e tribunais.

Cantarei o verão, a natureza,

Omitirei a dor e a tristeza.

5

Marchemos, solidários, com o mundo,

Ergamos bem alto o nosso estandarte,

Digamos de onde o luso é oriundo,

De que foi feito, e com que arte;

Sem acordarmos Jeová furibundo,

O Destino, ou o temível Marte.

Que a glória está em ser, nada mais,

Tudo o resto são imagens virtuais.

6

Não copiemos exemplos degradados,

Nem quaisquer outros, mesmo em embrião;

Lancemos as barcas nos mares salgados,

Mostremos a todos que somos uma nação.

Fabriquemos de aço puro nossos arados,

Cultivemos com amor nosso chão;

Estendamos os braços às negras nações,

Pra que esqueçam tristes recordações.

7

Aprendamos as lições dos ancestrais,

Mas colhamos delas apenas o melhor;

Releguemos confissões, tudo o mais,

Que tolhem o espírito e seu ardor.

Plantemos, como el-rei, grandes pinhais,

Para que tenhamos um novo odor;

Não coremos por sermos pequenino,

A grandeza está em tudo que é digno.

8

Não nos sintamos nação de terceira,

Muito inferiores às outras gentes,

Somos, como os demais, de primeira,

E por isso devemos estar contentes;

Não temos, ainda bem, alma guerreira,

E às guerras cruéis somos tementes.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

POEMAS DO VENTO
 
Por Joaquim A. Rocha







TECNOCRACIA


Roubaram, cruéis, meus sentimentos,

despojaram-me de todas as emoções;

fiquei calmo, frio, sem tormentos,

sem nervos, sem sonhos ou ilusões.

Transformaram-me em máquina, em robô.

Penso como computador: - friamente.

E agora, seco, desumanamente,

laboro como máquina de tricô.

Tudo que faço é genial, perfeito!

Sem erros, manchas, imperfeições.

Trabalho com o cérebro, sem paixões…

Só o belo, o grandioso, eu aceito.

Tenho o dom da medida exata…

Tenho o equilíbrio dentro de mim. 

Dedos ágeis cordão umbilical desata,

separam coração e cérebro por fim!

 
18/5/1978

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO
 
Por Joaquim A. Rocha





Escritores Melgacenses


Dr. Joaquim Filipe Peres de Castro. Nasceu na Vila de Melgaço a --/--/196-. É licenciado em Psicologia. Obras: «Emigração & Contrabando», edição do Centro Desportivo e Cultural de São Paio, Agosto de 2003. O prefácio do livro foi escrito pelo Professor Doutor Albertino Gonçalves. Lê-se na contracapa do livro: «Eis aqui que os povos raianos terão muito para ensinar ao restante país, pois mesmo em tempos caracterizados pela extrema repressão política e pelo isolamento, o contacto com o outro, com o Galego entre nós, é algo intrínseco. A afirmação da identidade portuguesa, no contexto não apenas europeu, senão também mundial, passa pela necessária ousadia de romper, de ultrapassar velhas fronteiras entre nós instituídas   


- Professor Doutor José Domingues. Nasceu na freguesia de Lamas de Mouro (hoje União de Freguesias de Lamas de Mouro e de Castro Laboreiro) a 27/8/1969. Professor catedrático e investigador. Obras: «O Couto de São João de Lamas de Mouro: suplemento histórico», edição de autor, outubro de 1999; «O Foral de D. Afonso Henriques a Castro Laboreiro – “ádito” para o debate», edição de autor, 2003; «Padroado Medieval Melgacense», editado pela Câmara Municipal de Melgaço, 2004; «Os Limites da Freguesia de Lamas de Mouro e os Caminhos da (in) Justiça», edição de autor, 2014, com prefácio de Manuel Monteiro. Aborda os temas com seriedade, com documentos autênticos à vista, sem aventureirismos de espécie alguma. Possui uma escrita agradável, escorreita, num bom português.



  

terça-feira, 17 de outubro de 2017

DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE MELGAÇO

Por Joaquim A. Rocha





ROUBOS


Na noite de 8 para 9/10/1936, noite de tempestade, os gatunos penetraram pelo telhado e entraram na casa de habitação de Cândido Augusto Esteves, comerciante, com estabelecimento no lugar do Cruzeiro da Serra, freguesia de Prado, descendo à loja, de onde roubaram chapéus, lenços, peúgas e ligas, tabaco, fósforos, papéis de fumar, queijo, marmelada, chouriços, bacalhau, e dinheiro que ali restava para trocos; calculou-se o valor do roubo em 600$00 (seiscentos escudos). // Notícias de Melgaço n.º 328.    

*

     Em 1937 os “filhos da noite” penetraram na residência do padre de Chaviães, roubando-lhe a carne de um porco, azeite, lençóis e outras coisas mais. A autoridade do concelho prendeu para averiguações diversos indivíduos daquela freguesia (Notícias de Melgaço n.º 343).

*

CASTRO, Manuel. Filho de Joaquim Nunes de Castro, guarda-fiscal, natural de Messegães, Monção, e de Angelina Rosa Rodrigues, lavradeira, natural de Pontepedrinha, Prado de Melgaço. Neto paterno de Luís Manuel Nunes de Castro e de Marcelina Rosa Alves; neto materno de João Evangelista Rodrigues e de Maria da Encarnação Rodrigues. Nasceu na freguesia de Prado a 9/3/1903 e foi batizado na igreja paroquial a 16 desse mesmo mês e ano. Padrinhos: a sua avó paterna e São Lourenço. // Aprendeu a profissão de serralheiro. // A 12/1/1936 iriam ser arrematados em hasta pública duas casas, ambas na Rua do Carvalho: a 1.ª por 2.000$00 e a 2.ª, metade pró-indiviso, com altos e baixos, por 500$00; além de uma leira na Fonte da Vila (produção de pão e vinho), por 2.000$00. Estes bens pertenciam ao viúvo António Rodrigues, que já morara na Vila, e iam à praça para pagamento do passivo descrito e aprovado no inventário feito por morte da mulher, do qual era credor Manuel Nunes de Castro, industrial. // A 15/3/1937 os ladrões assaltaram o seu estabelecimento comercial, sito no Largo Hermenegildo Solheiro (hoje rua), levando bacalhau, tabaco, sardinhas e atum em conserva, além de outros artigos, assim como 41$50 em dinheiro português e dez pesetas (Notícias de Melgaço n.º 347). // A 27/12/1938 o dito estabelecimento foi ameaçado pelas chamas; na cave existia um forno de pão, e foi aí que o fogo começou, ardendo parte das traves, contudo não teve grandes consequências (Notícias de Melgaço n.º 428). // Casou na CRCM a 24/8/1939 com Ascenção dos Ramos Rodrigues, solteira, doméstica, natural da vila, SMP, filha de Mercedes dos Prazeres Rodrigues (Graixa); casaram na igreja da vila a 15/2/1959. // Teve um Café e uma pequena fábrica de gasosas, além de uma loja de cal e tijolos, e outros artigos. // No ano de 1959 mandou construir um prédio na Rua Hermenegildo Solheiro, perto do edifício da Câmara Municipal, defronte à sobredita loja, onde residiu com a família, e em cujos baixos tinha comércio de materiais de construção civil. // Possuía uns terrenos no Barral, onde produzia um excelente vinho, segundo constava. Ele gabava-o muito: «o meu binho do Varral não tem igual.» // Morreu na freguesia de Ramalde, cidade do Porto, a 14/12/1982. // Com geração.  

domingo, 15 de outubro de 2017

AS ANEDOTAS DO JOAQUIM
 
Por Joaquim A. Rocha





     O marido estava muito preocupado porque a esposa passava o dia sentada no sofá. Um dia resolve dizer-lhe: 

- Ó mulher, sempre aí sentada, isso faz-te mal à saúde.
- Ó homem, como me pode fazer mal à saúde se eu já sou doente há imenso tempo! Só se me fizer mal à doença!

                                                                             *

A professora Clotilde naquele dia não atinava com o tema a tratar. Lembrou-se então de falar da fome em Portugal. Dirigiu-se a um dos alunos, chamado Pedro, apesar de pobre sempre bem-disposto, conversador, e pediu-lhe:

- Pedro, o que é que tu pensas sobre o assunto?

- Senhora professora: eu apenas posso falar daquilo que conheço. Por exemplo: lá em casa é só fartura: o meu pai está farto da minha mãe, a minha mãe está farta do meu pai, ambos estão fartos dos filhos, e estes estão fartos dos pais. Além disso, a minha avó está constantemente a dizer: «estou farta, farta
- Ai, Pedrinho: com tanta fartura, têm de começar a fazer dieta!
 
                                                             *

     Certo dia o senhor António resolveu ir à praça comprar peixe. A senhora Maria, peixeira há muitos anos, dotada de um vozeirão infernal, ao vê-lo aproximar-se grita: «ó freguês, olhe para este carapau fresquinho; veio hoje mesmo do mar
     O senhor António, habituado a fazer compras, analisa cientificamente os olhos do carapau, completamente vidrados, e diz com ironia: «ó senhora peixeira, esse até parece que veio do mar morto